sábado, 15 de janeiro de 2011

ESPERANÇA

ESPERANÇA
                            Eduardo Cavalcante Silva
Quando a esperança bate à minha porta,
saio tristonho para abri-la, e choro,
e ela, coitada, a divagar me exorta
a ter aberta a choça aonde eu moro!

Num êxtase de sonho me transporta
ao templo, onde eu revivo, onde eu refloro,
para depor uma saudade morta
aos pés daquela santa que eu adoro!

Deixando, após, meu pobre lar vazio,
vai a esperança se banhar no rio
que fez brotar do fundo dos meus olhos.

E a minha choça eu trago sempre aberta...
Enquanto a esperança, louca, incerta,
ao prometer-me flores, traz-me escolhos!

(Do livro Anuário de Poetas do Brasil, 4º volume, página 167, 1980, de Aparício Fernandes, RJ).

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