quinta-feira, 19 de outubro de 2017

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON 

Felicidade é um sonho 
que todos desejam ter 
ao lado do amor, risonho, 
perdurando até morrer. 

Não me fascina, na vida, 
poder ou fama alcançar, 
que a vitória merecida 
é pelo Amor triunfar! 

Minha trova vai surgindo 
quando a noite vai chegando, 
é que a lua vem sorrindo 
e as estrelas cintilando... 

filemon.martins@uol.com.br

OLHAR

OLHAR
                          José Ouverney

Olhar... Mais que um olhar! É feito chama.
Não quero olhar. Passo depressa. Evito
o “olhos nos olhos”: refinada trama
que me mantém desgovernado e aflito.

Olhar que lembra o olhar de quem ama
e ao mesmo tempo foge. Olhar bonito,
puro, perjuro... juro: olhar de cama!
Olhar de súplica! Olhar maldito!

Não quero olhar, não posso olhar. É afronta.
Render-me aos seus encantos de mulher
é um mal que poderá não ter remendo;

mas, de repente, sem que eu me dê conta,
eis-me, outra vez... como quem nada quer...
parado... À espera de um olhar... querendo...

(BALI – LETRAS ITAOCARENSES, página 12)


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON 


A manhã nasce sorrindo, 
o orvalho pousa na flor, 
e o dia fica mais lindo 
se estás aqui, meu amor. 

Passam gaivotas voando, 
o céu azul é um lençol, 
casais na praia se amando 
sob os olhares do sol. 

A noite nunca foi feia, 
embora traga saudade, 
quando vem a lua cheia 
mostrando felicidade... 

www.filemon-martins.blogspot.com 
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ESCADA DE TROVAS - FÉ

ESCADA DE TROVAS – FÉ
Filemon F. Martins

SUBINDO:
“Pondo flores no caminho”
o amor presente se faz
e mesmo estando sozinho
planta a semente da paz.

“Vem de dentro, como a fé”
em silêncio, ela aparece;
é preciso estar de pé
que a bondade vem, floresce.

“Despejada como o vinho”
a verdade humildemente
traz a luz e de mansinho
ilumina a nossa mente.

“Felicidade não é”
impossível a ninguém,
é tão simples, pode até
ser a prática do bem.

NO TOPO:
“FELICIDADE NÃO É
DESPEJADA COMO O VINHO,
VEM DE DENTRO, COMO A FÉ,
PONDO FLORES NO CAMINHO...”

CARLOS RIBEIRO ROCHA (In memoriam)
SALVADOR - BAHIA


sábado, 14 de outubro de 2017

SÚPLICA


SÚPLICA
Filemon F. Martins

Sou um estranho no Planeta Terra,
onde o certo nem sempre prevalece,
onde o forte se impõe, fazendo guerra,
e o amor no coração desaparece.

Vou fugir da cidade para a serra,
quero elevar meu pensamento em prece,
vou meditar, quem sabe assim encerra
essa amargura que dói e não aquece.

Escárnio, ingratidão e desengano,
contaminam a terra e o ser humano,
ninguém escapa ileso a tanta dor.

Suplico, pois, Senhor, que ponha fim
ao desconforto de sofrer assim,
melhor viver à sombra de um amor.









MINHA CASA

MINHA CASA
CARLOS RIBEIRO ROCHA

É pobre e tosca a minha casa e sem
sofás macios, leitos chumaçados,
sem ornamentos nem jardins, porém
mais bela que os palácios decantados.

Pouco importa que a vejam com desdém
os fúcaros mandões e potentados
que gozam sem o Cristo um falso bem
e são, por fim, eternos condenados.

Só tenho em minha casa o necessário:
a mesa, o meu grabato e um tosco armário
e os livros, meus amigos estimados,

junto aos quais tenho dias fulgurantes,
enquanto os sonhos deles bem distantes

vão se tornando turvos e apagados...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ABC DE IPUPIARA

ABC DE IPUPIARA (2ª parte)

 JERRY FILHO (21/12/1950- 19/05/2015)

Já falei sério e brinquei, 
mas sempre sou moderado, 
pois nunca me esquecerei 
do nosso prefeito Osvaldo.** 
Homem de valor, bem sei, 
trabalhou como alugado. 

Lembrando dos tempos idos 
quando lá era Fundão, 
amigos – já falecidos – 
lutaram por ser Jordão 
e permanecendo unidos 
coroaram a intenção. 

Muita gente conta a história 
de um Isidoro Ribeiro, 
meu bisavô – isto é glória! 
que sempre foi o primeiro 
a lutar pela vitória 
do seu torrão altaneiro. 

Nada intimidava os bravos, 
sempre a luta era renhida, 
lutando tal qual escravos 
com bravura destemida... 
Fossem pregados com cravos 
a dor não era sentida. 

O nome era até bonito 
mas resolveram mudar. 
Nessa época, o Isidoro dito 
já estava a descansar 
e um outro vulto bendito 
quis essa luta abraçar. 

Para que tenham ciência 
quando surgiu Ipupiara, 
foi com fé e paciência, 
a vitória custou cara, 
pois Brotas, sem consciência, 
liberdade lhe negara. 

Quando a nove, mês de agosto, 
o sol mais forte brilhou 
e Artur Ribeiro, com gosto, 
a emancipação bradou, 
um sorriso em cada rosto 
logo, logo se estampou. 

Realmente, brasileiros, 
cada terra e sua história 
mostra os homens verdadeiros, 
não a aparência ilusória! 
Que os exemplos, companheiros, 
sejam sempre nossa glória. 

Se já sabemos agora 
do presente e do passado 
desta terra que ainda implora 
um pouco mais de cuidado, 
creio ser chegada a hora 
de lutarmos lado a lado. 

Toda luta é conseguida 
com muito esforço e união, 
a nossa terra querida 
merece nossa atenção, 
lutar por sua guarida 
é dever do cidadão. 

Uma vez que os conclamei 
a um grande esforço e união, 
há muita coisa que sei 
precisar de um empurrão: 
unir o progresso à LEI, 
ORDEM, JUSTIÇA E RAZÃO. 

Vamos, nossa Ipupiara, 
pois tu também és Brasil! 
Mostra essa pujança rara 
nesse Sertão varonil, 
e essa gente que te encara 
renderá louvores mil. 

Xeque-mate! Não tem jeito. 
Posso sorrir e cantar! 
O coração satisfeito, 
não para de palpitar. 
A Deus eu rendo meu preito 
por Ele aqui me ajudar. 

Zelarei desse meu dom 
e de Ipupiara também! 
Não sou ruim e nem bom, 
isto não nego a ninguém; 
só consigo escrever com 
vontade de ver o bem. 

(Do livro CENTELHAS DO ALÉM-JERRY FILHO/JAN. 2000) 



** Osvaldo Leite da Silva foi prefeito de 1971 a 1972, 1977 a 1982 e 1993 a 1996. Ipupiara faz fronteira ao norte com Gentio do Ouro, ao leste, com Barra do Mendes e ao oeste e sul, com Brotas de Macaúbas.