quarta-feira, 20 de setembro de 2017

GRANDES TROVADORES

GRANDES TROVADORES

Brigar com gente de saia,
foi coisa que eu nunca fiz,
é puro rabo de arraia,
padre, mulher e juiz.
Arlindo Nóbrega

Duas vidas todos temos,
- muitas vezes, sem saber...
- a vida que nós vivemos
E a que sonhamos viver...
Luiz Otávio

Quando eu morrer, levo à cova
Dentro do meu coração,
O suspiro de uma trova,
E o gemer de um violão.
Adelmar Tavares

Estudo trovas a fundo,
Mas persisto na suspeita,
Que a trova melhor do mundo
Até hoje não foi feita.
Miguel Russowsky



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

COTIDIANO

COTIDIANO

(SOBRE A RUA SÃO BENTO E LEMBRANDO O TEMPO EM QUE TRABALHEI NO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL)
                                                    


Amanheci em estado de graça. O dia estava claro, maravilhoso e convidativo. Queria sair por aí pensando a esmo. Mas tinha que ir trabalhar. Saí num corre-corre, como, aliás, faço todos os dias. Antes de chegar à Repartição, precisava quitar uma prestação num magazine da cidade. Rua São Bento, Centro de São Paulo. Dez horas da manhã. O burburinho era enorme. Gente que vai, gente que vem. Rostos alegres, tristes e estranhos se confundiam na multidão. Ando apressado. No bolso, uma pequena carteira com alguns trocados e fichas de telefone. Mesmo com pressa, observo o semblante das pessoas que passam: alguns preocupados, carrancudos e outros, leves e descontraídos.
Meus pés me levam à frente. Os camelôs tomam conta do calçadão da rua com suas quinquilharias. As lojas oferecem seus produtos. Vitrinas enfeitadas deslumbram os clientes. Passo pelo magazine e pago a prestação. Estou de volta. Agora rumo ao trabalho. De repente, por trás de mim, sinto um empurrão e alguém enfia a mão no meu bolso. Num relâmpago rasga a minha calça e leva meus trocados. Vi apenas que era um garoto. E o larápio rapidamente desapareceu na multidão. Alguns papéis se espalharam pelo chão.
Recuperei-me do susto e recolhi minhas anotações. E prossegui pensando naquele garoto. Na vida miserável que leva ali na rua. E continuei pensando nele. E quantos estão assim perdidos? Abandonados pelos descaminhos da vida. Pela família. Pela sociedade. Pelo desgoverno do próprio governo. Mas o trabalho me espera. Por que será assim? Deixo minhas reflexões para depois. Esqueço, por alguns instantes, meus pensamentos. E chego ao Tribunal. Para mais um dia de trabalho. Rua São Francisco, onde o Precatório me espera, diga-se, com muito trabalho.


Obs.: Depois o Tribunal Regional Federal mudou de endereço: Av. Paulista, 1842, mas eu continuei trabalhando na Divisão de Precatórios, Feitos da Presidência.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SÓ?

SÓ? 


Filemon F. Martins 

Só? Não! Nunca estou só! 
Nunca estive só, 
pois aprendi a olhar para o alto. 
Prefiro ver o cume das montanhas, 
o horizonte longínquo, azul, que se expande 
e os arranha céus da cidade grande. 

Nunca estive só, 
porque contemplo a Natureza exuberante 
se expandindo em cores, 
com flores e perfumes inebriantes, 
deixando o mundo mais encantador. 

Nunca estou só, 
porque sei contemplar as aves 
que ruflam suas asas rumo ao infinito 
em busca de inspirações 
para entoar suas canções. 

Não estou só, 
porque a noite esplêndida e bela 
toda estrelada estende seu manto de beleza 
e ilumina as ruas do céu, 
enquanto as nuvens passeiam com leveza 
no firmamento em fino véu. 

Nunca estou só... 
Porque meu coração vive com a poesia 
e fica maior ainda quando, embevecido, 
contempla a obra do Criador. 
E do cume da montanha posso ver a paisagem, 
os rios que serpenteiam as serras verdejantes, 
vencendo obstáculos e seguindo seus cursos. 
Posso ver a imensidão do Universo, 
desvendar mistérios até então insondáveis. 

...Assim, nunca estou só... 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

Eu sinto nos braços teus
um carinho, um aconchego,
e me torno um semideus
vivendo em paz, no sossego.

Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a Natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.

No meu balaio carrego
sonhos de amor e venturas,
mas muitos sonhos, não nego,
se tornaram desventuras.

Gosto da vida pacata,
homens simples dos Sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

TROVAS DE MÁRIO B. FRANÇA

TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA

Quem nesta vida tem planos
de ser do mundo senhor,
se esquece que os desenganos
são a cruz do sonhador.

Em política, estão perto
esperteza e insensatez:
quem vence, sempre está certo,
quem perde, nunca tem vez.

Se queres vencer na vida,
não faças degraus de alguém;
a vitória merecida
tem alicerces no bem.

No meio de tanta treva,
quem sabe amar pode crer.
- A fé é a força que eleva.
- A crença é a luz que faz ver.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

NO LIVRO DA NATUREZA
AS LIÇÕES SÃO SEM IGUAIS.
TENHO, POR ISTO, CERTEZA
QUE É ONDE SE APRENDE MAIS.

QUANDO A DOR INVADE O PEITO,
CASTIGANDO O CORAÇÃO,
AMIGO É AQUELE SUJEITO
QUE NOS LEVANTA DO CHÃO.

QUASE SEMPRE FICO MUDO
QUANDO A RAZÃO PERDE A COR.
CALAR, ÀS VEZES, DIZ TUDO

PARA UM BOM ENTENDEDOR.

domingo, 10 de setembro de 2017

A ÁRVORE

A ÁRVORE
CARLOS RIBEIRO ROCHA
ÁRVORE BELA, ESPLÊNDIDA, BENDITA,
PORTADORA DA MESSE E DA BONANÇA,
- PRAZER NA DOR, CONSOLO NA DESDITA,
- EMBLEMA DESLUMBRANTE DA ESPERANÇA!

À SOMBRA AMIGA DA ÁRVORE DESCANSA
O CAMINHANTE. UMA CANÇÃO BONITA
ENTRE A RAMADA COM PERSEVERANÇA*
ENTOA O PASSARINHO QUE SALTITA.
                                  
COM SUAS FLORES COROANDO A MATA
ACOLHE SEMPRE AQUELE QUE A MALTRATA
E ELEVA AOS CÉUS A COPA VIRIDENTE!

SEUS FRUTOS SABOROSOS AO PALATO
SÃO O REGALO DO HOMEM TÃO INGRATO,
- NÃO AGRADECE A DEUS ESSE PRESENTE!


* NÃO SEI SE ESTE VERSO É ORIGINAL. TALVEZ OS PRIMOS/PRIMAS POSSAM ME AJUDAR.