segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MEU FIO-TERRA

MEU FIO-TERRA                                      
            Nadja Ramalho
Sem você sou como
Barco sem remo
Peito sem coração
Rosa sem perfume
Panela sem tampa
Pote sem água
Cama sem colchão
Filho sem mãe
Computador sem monitor
Casa sem luz
Céu sem estrelas
Sertão sem chuva
Praia sem sol
Corpo sem vida
Jardim sem flores
Alma sem rumo

Afinal
Sem você
Sou queda de energia
Que a qualquer momento
Pode explodir e desaparecer
Tudo isso porque
Você é o sustentáculo
Que me protege de todos os males
Que porventura possam aparecer
Enfim,você é o meu fio-terra
(Do site www.prefacio.net – com autorização da autora)

domingo, 30 de janeiro de 2011

MULHER DEUSA...

MULHER DEUSA....
M. Lurdés Souza

Eu mulher
quero ser Deusa
e quando
me olhares
escolhida
entre milhares
Digas que sou
sua princesa
dos seus caminhos
errantes
quero ser seu repouso
de mares navegantes
quero ser seu porto
serei tua eterna pousada
de homem viajante
Vem?
acalma-te agora
Silêncio...deixe tudo lá fora
Achega-Te
homem de muitos caminhos
não mais precisas vaguear
agora só sinta os carinhos
de quem o amor
......só quer amar.
(Do site www.prefacio.net, com a concordância da autora)

sábado, 29 de janeiro de 2011

ENIGMA

ENIGMA (ENSAIO)
                    Marilândia Marques Rollo

Por essa vida afora, nem mais sei o que em mim pranteia ... o que em mim sorri.
Hibernados enigmas – calvário no negro manto das trevas...
Mágoas tecidas em fios das desventuras - veladas sombras nos labirintos do destino.
Saudades d’ilusões que nunca tive – horas mortas a padecer no silêncio de lágrimas...
Infindáveis tormentos num rosário em desatino revivem sonhos dum passado...

_Passado que foi meu...e que em outras eras sonhei…_

(Do site www.prefacio.net, com anuência da autora)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SONETO

SONETO
                            Fagundes Varela
Desponta a estrela d’alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o Sertão perfuma!

Porém minha alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! Mundo encantador, tu és medonho!

(Do Informativo do Centro de Ação Literária de Campos do Jordão, página 2).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ALMOS VERSOS

Almos Versos
Iza Klipel

Hoje... Queria as asas do mundo
Neste pássaro que dedilho
Silêncio... Escutem! Escutem
As bençãos que ora estribilho! Sintam...

A saliência da brisa, pedi-lhe que beije
Amiúde... Cada sorriso benevolente
Esquinas e calçadas das noites
Indiferentes... Cada gesto e atitude!

Pedi também às estrelas o pouso
Sempre sereno às janelas daqueles, que
Fizeram por merecê-las! E a lua em...

Serenata, co’a viola cor de prata, festará
O teu quintal, o sol ninho será no peito
Da tua aurora... Flores em aluvial! Amigos...

Almos Versos, das Mãos do Criador, escritos
Por Seu Coração que também se chama
............................................... Amor!

*****
S. A U D A D E S ! ! !
VOS AMO!!!
Iza
(Direto do site www.prefacio.net)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

SE O MUNDO...

SE O MUNDO...
                   Elenaide dos Santos (São Paulo-SP)
Se o mundo fosse feito de ventura,
se nunca houvesse alguém triste a sofrer,
se não houvesse gotas de amargura,
se a vida fosse eterno amanhecer.

Se nunca alguém chorasse a desventura,
se tudo fosse fácil se obter,
se o mundo fosse cheio de ternura,
se fosse um mar de rosas o viver.

Não haveria lutas, nem vitórias
e muito menos haveriam glórias
ou recompensas por alguém lutar.

A vida perderia o encantamento
se deixasse de haver o sofrimento
e o prazer de sorrir, após chorar.

(Do Boletim de Intercâmbio Cultural PERFIL, página 1, da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis - Goiás)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AMIZADE

     AMIZADE
                   c.a. Beiral (Piúma/ES)
A paixão é vulgar, se encontra à toa,
o amor é de cultivo muito raro.
Aquela é tempestade que esboroa.
Este devolve em mel o gosto amaro...

De todas emoções, só não destoa,
por ser de fato sentimento caro,
a amizade eu exalto por ser boa,
por ser prestante sem pedir amparo!

Regenera a paixão, já que a perdoa,
completa o amor, porque quando se doa,
ela o sublima na fraternidade.

Que parte o pão, as lágrimas e o riso,
e transige nas vezes que é preciso,
pois sabe o preço da felicidade!...

(Do livro PENÚLTIMAS CANTIGAS, página 13)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A INSPIRAÇÃO

A INSPIRAÇÃO
                   Carlos Araújo (Ibotirama – Bahia)
Deste Mundo perdi a sintonia
Vindo um surto de grande inspiração
Que aflorou o poder da criação
E ao verso deu toda autonomia.

Entrei no mágico mundo da poesia,
Naquele estado de transmutação
E só sob o comando da emoção,
Do imponderável mais a fantasia.

Minha mente foi pega de surpresa
O meu verso fluiu com inteireza
E poetei segundo por segundo.

De repente, senti grave problema:
A inspiração findou, com o poema,
E voltei bruscamente a este Mundo.

(Do CD de Carlos Araújo, MEU VERSO, com a participação de Laércio Beethoven, cortesia do autor)

domingo, 23 de janeiro de 2011

E ELE FEZ A SAUDADE

E ELE FEZ A SAUDADE
                   Marina Tricânico (São Paulo – SP)
Sou o luar! A noite é minha amiga
e me acolhe feliz, em seu regaço.
Minha existência é longa, é tão antiga,
que há milênios caminho pelo espaço.

Dos céus à terra sou prateado laço,
sou elo que ilumina e que mitiga
a sede de ternura, e quando passo
a minha luz é prece, é paz, cantiga...

Falo a linguagem da fraternidade,
e viajante das noites, pelo mundo,
amo a flor, a amplidão, a humanidade!

Mensageiro do Amor, da divindade,
sou o rei milionário, vagabundo,
que fez o sonhador, fez a saudade...

(Anuário de Poetas do Brasil, 1° volume, página 295, organização de Aparício Fernandes,RJ)

sábado, 22 de janeiro de 2011

TROVAS DO GERALDO

TROVAS
                   Geraldo de Oliveira (Taubaté-SP.)
Não pode a pedra ter culpa
do mal que possa causar.
Mas não merece desculpa
a mão que a pedra atirar.

O mundo vemos em prece
ante o Cristo em agonia,
mas pouca gente conhece
a renúncia de Maria.

Uma palhoça distante,
a lua-cheia, nós dois...
Vamos viver esse instante,
deixe de lado o... depois...

Se capricho é querer bem,
amar você sem ter fim,
faça um capricho também:
nunca se esqueça de mim.

(Anuário de Poetas do Brasil, 2° volume, página 169, organização de Aparício Fernandes).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

VIAJANTE

     VIAJANTE
            Miguel Eduardo (São Paulo-SP)

Perco-me em curioso pensamento
Nele sinto um perfume conhecido
Que traz uma saudade sem sentido
Lembrança causadora do momento

Agora, passo a passo esse acalento
Pintado que se fora tão morrido
Um sonho que sentisse por ter ido
Imprevisto disfarce ao sentimento

Nem sequer o prazer é um ensaio
Segredo destinado à fantasia
Da vida tempo raro onde recaio

Que todas as volúpias desse dia
Vieram das memórias de um diário
Miragens do horizonte em melodia
(Copiado do site www.prefacio.net)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

POEMA

POEMA DE EVANDRO MOREIRA
                   (Cachoeiro de Itapemirim, ES)
Nosso destino nós o construímos pouco a pouco,
diariamente.
O futuro será a conseqüência
dos nossos atos presentes...

Então, por que insistimos
em culpar alguém dos nossos fracassos,
se nunca agradecemos a ninguém
pelas vitórias?!

(Do livro DA SEARA DA VIDA, página 13)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TROVAS DE CARLOS

TROVAS
                   Carlos Ribeiro Rocha (Salvador-Bahia)
Em minha vida, uma briga
acontece, de alto porte:
É o azar fazendo intriga
para não dar vez à sorte.

Não há, na Moral, melhora,
nem me venham com sermões,
se Cristo voltasse agora
nem contava os “vendilhões”.

Meu Sertão tem sul e norte,
tem amargor e doçura,
cara de cachaça forte,
coração de rapadura.

Trabalho leve... (Algodão).
E como é grande o roçado...
No pagamento, o patrão
é que tem sido pesado!

(Do livro 28 SONS, TROVAS, página 10/11)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

COISAS DE AMOR

                                COISAS DE AMOR     

                                                      
                                                       Filemon F. Martins

                               É noite calma. A lua está brilhando,
                               namorados passeiam pela rua,
                               enquanto aqui a sós fico sonhando,
                               - como dói no meu peito a ausência tua.

                               Quisera, nesta noite, estar amando
                                tranquilo a contemplar a luz da lua
                               e seguirmos, unidos, procurando
                               novos sonhos, que a vida continua...

                               Meu coração, porém, desconfiado,
                               parece reviver  triste passado,
-         não acredita mais nesta emoção.

Se a vida não perdeu o encantamento
desse sonho de amor, desse momento,
-         coisas de amor não têm explicação.


www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970 – Itanhaém – SP.
                              

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

TROVAS

TROVAS
                            Aparício Fernandes
O rancor inolvidável
cede ao impacto do perdão:
- Não há nada tão moldável
como o próprio coração!

Há paz nos céus estrelados,
vive o Amor no azul profundo!
Na Terra – há punhos cerrados
e o ódio avassala o mundo...

Crê que é dono do Destino,
tem poder de vida ou morte.
Mas não passa de um cretino,
escravo da própria sorte...

(Anuário de Poetas do Brasil, 1º volume, página 55)

domingo, 16 de janeiro de 2011

TROVAS

TROVAS
                   Laurentina dos Santos Novais (Ipupiara-Bahia)
Aquele que quer, na vida,
pensar somente em ter sorte,
não lembra, com tanta lida,
que tudo acaba com a morte!

Não sei por que, ó saudade,
tu vens de tão longe assim,
roubar a felicidade
que mora dentro de mim.

Repara quanta beleza
traz em seu rosto a criança!
Ela é, com plena certeza,
deste Brasil a esperança!

Olhando a chuva caindo,
relembro meu grande amor...
em cada gota vai indo
uma saudade... uma dor...

(Anuário de Poetas do Brasil, 1981, 4º volume, páginas 300/301).






sábado, 15 de janeiro de 2011

ESPERANÇA

ESPERANÇA
                            Eduardo Cavalcante Silva
Quando a esperança bate à minha porta,
saio tristonho para abri-la, e choro,
e ela, coitada, a divagar me exorta
a ter aberta a choça aonde eu moro!

Num êxtase de sonho me transporta
ao templo, onde eu revivo, onde eu refloro,
para depor uma saudade morta
aos pés daquela santa que eu adoro!

Deixando, após, meu pobre lar vazio,
vai a esperança se banhar no rio
que fez brotar do fundo dos meus olhos.

E a minha choça eu trago sempre aberta...
Enquanto a esperança, louca, incerta,
ao prometer-me flores, traz-me escolhos!

(Do livro Anuário de Poetas do Brasil, 4º volume, página 167, 1980, de Aparício Fernandes, RJ).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

JARDIM

JARDIM
                           Humberto Del Maestro
Gostaria de ser dono de um sorriso de lírio
para que pudesse me comparar à tua boca de fada.
Ficaria feliz em possuir um hálito de rosas
para exalar aromas amenos como as tuas palavras.
Sentir-me-ia ditoso em possuir mãos aveludadas
como avencas, tinhorões e asplênios,
para competir com a delicadeza de teu corpo de musa.
Entraria em êxtase se pudesse ser um jardim
como tu és.

(Do livro MONÓLOGOS ÍNTIMOS E ALGUNS SONETOS, página 59)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

OUTRA VIDA

OUTRA VIDA

Théo Drummond

Quando morrer quero que fiques perto
de mim, desde o momento em que partir.
Sei que o teu mundo ficará deserto
e eu vou sentir tudo o que irás sentir.

A gente vive, mas o instante certo
que marca o tempo de ficar aqui,
nunca é mudado ou permanece aberto,
e isso, desde bem cedo eu compreendi.

Espero que o partir não seja a causa
de um desespero que não tenha fim.
Não é o final a morte, ela é uma pausa,
que um dia vai chegar, a ti e a mim.

E entre uma vida e outra, sendo assim,
pensa que um dia, quando a morte vier,
terá chegado o teu momento, enfim,
de gozar, na outra vida, o que quiser.


(Via e-mail para o Blog do Filemon)