domingo, 30 de junho de 2013

ETERNA FORTALEZA

                                      ETERNA FORTALEZA
                                          GERALDO PERES GENEROSO

Senhor,
Mesmo tendo ciência
De que a suficiência
Da Tua graça,
E Teu amor que jamais passa
Está agora sobre mim,
Ainda assim,
Às vezes vacilo
Ante o inútil temor
De um vírus ou bacilo
Que a esta minha vida
Possam dar um fim.

Às vezes, pela senda,
Sigo confiante em Tuas promessas
E delas me relembro uma por uma:
Que em minha tenda
Não chegará jamais praga alguma,
E deterás a seta venenosa
Livrando-me da contenda
E da peste perniciosa.

Mas, na minha fraqueza,
Quantas vezes hesito
Em viver em mim a Tua natureza
De poder infinito
E sentir neste pó a Tua grandeza
E me faço de Teu lar simples proscrito,
A lançar a Teus céus o meu grito
Esquecido de que és a minha fortaleza!

Senhor
Que eu possa ver a Tua realidade,
Sentir na alma a luz da Tua verdade
E em meu coração o Vosso eterno amor
Que vem e vai de eternidade a eternidade!
Que em lugar desse inútil clamor
Possa sempre te levar o meu louvor

Como exemplo de fé e caridade.

sábado, 29 de junho de 2013

IMPORTANTE

                               IMPORTANTE

Entre ontem e hoje, dia 29/06/2013, dia de S. Pedro, vários amigos receberam mensagens através de e-mails, atribuídos a mim, com o título: “Nos (sem acento mesmo) já acordamos isso” e falando sobre acordo financeiro, Serasa, etc. A MENSAGEM NÃO É MINHA. ALGUM DESOCUPADO MALDOSO ESTÁ TENTANDO NOS ENGANAR. NÃO ABRAM. PODE SER VÍRUS.

                        ITANHAÉM, 29/06/2013


                            FILEMON MARTINS

LÁGRIMAS E DOR

LÁGRIMAS E DOR...
Maria José Zanini Tauil

O céu,
já com nuvens negras
mergulha na noite. 
Com ela, vão chegando também
o cansaço 
e a nostalgia.
A chuva chega depressa e forte, 
encharcando o mundo. 
Parece que a natureza 
conspira contra mim
e a sua revolta
machuca a minha alma
provocando 
um pavoroso espasmo.

Na tempestade, 
afogo todas as lembranças tristes.
Um vento forte me arrasta.
Falta-me o ar,
a força,
o alento. 
Podem vir: tufão, 
nevasca,
furacão...
ou bonança.
Talvez eu nem note...
Estão turvos os meus olhos 
e meu coração. 
A neblina também turva
a minha mente, 
mas não consegue aplacar
a dor...

Cataclismos em convulsão.
O mar se acaba
no extremo abismo do meu íntimo.
São nefastas as amarguras.
A tormenta não para. 

Relâmpagos rasgam o céu
e esfacelam, por fim, 
o meu coração, já tão ferido. 
Sentimentos fragmentados
são espalhados por todos os cantos. 
Meus olhos,
solidários com a tempestade,
pranteiam...

As lágrimas rolam abundantes,
como riachos,
abrindo caminhos pelo meu rosto,
como uma bacia hidrográfica.

Um torpor me anestesia
da dor imensa.
Fecho os olhos 
e adormeço...

Quando acordar, certamente, 
a tempestade terá acabado.

Da janela,
poderei ver a claridade do amanhecer, 
a devastação causada pelos ventos
no meu jardim...
tantas flores despetaladas no chão...

Mas, que bom! 
No céu poderei contemplar o arco-íris! 
As tempestades não são eternas...
GRAÇAS A DEUS!


(www.prefacio.net)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

VIDA INÚTIL

VIDA INÚTIL

Antenor P. da Silva (1896 – 1969)

Vida inútil que o tempo atroz consome,
Sem nada por deixar de seu passado,
Pó do solo – viver vulgar frustrado,
Vida vazia de um vazio nome.

Desenho em nuvem, pensamento alado,
Que apenas nasce, logo esgarça e some.
Barco à deriva, sem que rumo tome
No mar do tempo sempre revoltado.

Vida que em vão no mundo procurou
O bem, o amor e da ventura a calma
E o mal e o ódio e a desventura achou.

Vida inútil que nunca teve a palma,
Que falta nunca fez e até sobrou!
Vida que é nada e que ainda tem alma!


(Postal Clube-Antologia 13, página 12)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

SE HOJE ÉS DEUS

SE HOJE ÉS DEUS

MANOEL CARDOSO

Se hoje és Deus
deves o testemunho
à Criatura
Quem te contestou
no decorrer dos séculos
Quem descumpriu leis
registradas por vates e profetas
Quem entoou loas
escreveu salmos e tragédias
perpetuou teu Nome
nas letras, nos ícones
na música
senão o ser que esqueceste?

(Do livro TRANSLÚCIDO SILÊNCIO, página 23)



terça-feira, 25 de junho de 2013

INQUISIÇÃO

INQUISIÇÃO

SAMMIS REACHERS

O cão farejador
ítalo-alemão
(na verdade teuto-italiano)
que a Academia
adestrou
encontrou um
fundo falso
no poema

e no fundo falso
uma mensagem
sem palavras,
sem sinais,
signos

e ainda inserida
no já corpo estranho de
tão sinistra mensagem

uma subliminar

dizendo a Israel que marche


(Do livro DEUS AMANHECER, página 52)

domingo, 23 de junho de 2013

UM AMIGO EM NAZARÉ

UM AMIGO EM NAZARÉ

SAMMIS REACHERS

Teu o tem essa coisa, sabe,
de expandir a Realidade

Teu amor, fúria e brisa,
cata-me pelo chão, me constrange
a continuar

Tuas palavras me multiplicam,
ó Foz do Rio da Vida,
meu Ombro, meu Amigo

“Levou-me à casa do banquete,
e o seu estandarte sobre mim era o amor.”
Cantares 2.4


(Do livro DEUS AMANHECER, página 30)

sábado, 22 de junho de 2013

RELEITURA


RELEITURA

Fátima Abreu

Releio meus sentimentos,
São poças d água nesse momento:
Acumuladas no chão
Assim sou eu, nesse 'acúmulo' de desilusão...
Releio minha face:
Não tenho, nem quero usar nenhum disfarce...
Releio apenas o que vai no coração.
Triste sina, a minha!
De quando em vez, volto na mesma rotina:
Queria reler o meu livro da vida
Mudaria muita coisa, isso é certo.
Embora saiba que o destino tece sua linha,
E contra ele, ninguém pode.
Mas dessa forma, tão frágil quando um cristal,
Sou apenas uma menina.
Tecendo versos para esquecer,
A dor de nada poder fazer...

(www.prefacio.net)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ENCONTRO

ENCONTRO
Neusa Maria Fraga Barreto

Na esteira do tempo
Envolta em luz
Usando os véus do passado
Tecido nas cores suaves
Das tardes de outono
Percorro os caminhos verdes
Da certeza do amanhã
Que procuro construir
Lembrando o que fui
E o que hoje sou.
Na caminhada...
Olho a paisagem dourada
Regatos, bosques, flores...
Miragens de sonhos, devaneios
Trilhas ensolaradas...
Crianças a correr...
Pedaços de estrelas a brilhar.
Noites claras de luar
Mãos suaves a me guiar
Para que eu possa
Um dia te encontrar...


(Coletânea LETRAS NO BRASIL, página 42)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

ÂNSIA DERRADEIRA

ÂNSIA DERRADEIRA

Mário Barreto França

Senhor, não sei qual seja o teu intento
Nem o que tens guardado para mim,
Porém, em face do meu sofrimento,
Tenho vontade de chegar ao fim...

Tu bem sabes, Senhor, que eu me contento
Com a pobreza e a orfandade de onde vim,
Mas este dissabor frio e cruento
Me traz o anseio de chegar ao fim...

Pela revolta que o meu ser invade,
A amargura que eu sofro é merecida;
Mas, Senhor, não a aumentes tanto assim...

E, se isto não te ofende a santidade,
Apaga a frouxa luz da minha vida,
Pois tenho pressa de chegar ao fim...


Maio de 1955

terça-feira, 18 de junho de 2013

EVOCAÇÃO


        EVOCAÇÃO

                MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 

Vazia está minha alma e o pensamento

emerge, alvoroçado, da saudade.

Memórias se acumulam com a idade.

Tristeza, traz de longe a mão do vento.

 

E então essas lembranças, num momento,

do peito fazem logo propriedade.

Alongam-se as raízes com vontade

na terra do passado nevoento.

 

Uma lágrima escorre... O pranto desce.

Hoje os dias parecem sempre iguais...

Mas nem tudo o que passa a gente esquece.

 

Foram dias felizes nos trigais...

É a saudade, ainda, a flor da messe

dos tempos que não voltam nunca mais!

 

(2º lugar no I Concurso Literário “Luciana Barbosa Nobre”, Cat. Poesia, da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MORTE DA ÁRVORE

MORTE DA ÁRVORE
(Lendo o soneto ÁRVORE MORTA, do Padre saturnino de Freitas)
Filemon f. Martins

Árvore triste, que ontem foi bonita,
Não tens mais ramos, frutos e nem flores,
Dos pássaros não és mais favorita
E não abrigas mais tantos amores.

Neste teu tronco já ninguém habita,
Sequer amantes loucos, sonhadores,
Que outrora segredavam na mesquita
De suas folhas vivas, multicores...

Quantas vezes ouviste namorados
Em carinhos e beijos, descuidados,
Como se o tempo não fosse passar.

Hoje, teus galhos secos, ressequidos,
São lembranças de sonhos esquecidos,
Que nunca mais, na vida, vão voltar!


(DO LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO, PÁGINA 105)

domingo, 16 de junho de 2013

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON 

Filemon F. Martins 

Meu peito canta, sorrindo, 
ao ver o clarão do dia, 
enquanto a noite fugindo 
deixa rastros de alegria. 

Sinto um perfume na rua 
nas flores de bogaris, 
enquanto a noite flutua 
fazendo a gente feliz. 

Uma lição de humildade 
deu-nos outrora Jesus, 
ao pregar a Liberdade, 
morreu pregado na cruz. 

Aquele beijo de Judas, 
no cenário da traição, 
revela que as trevas mudas 
podem trair nosso irmão. 

filemon.martins@hotmail.com
Caixa Postal 64

11740-970-Itanhaém - SP 

sábado, 15 de junho de 2013

TROVAS DO FILEMON

          TROVAS
                Filemon F. Martins

Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de alguém.

Falando de amor, Maria,
que saudades sinto agora
daquela doce alegria
que em teus olhos vi outrora.

No livro da NATUREZA
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.

Segue uma estrada florida
quem, na verdade, tiver
a glória de ter, na vida,

um coração de MULHER!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

CONSOLAÇÃO


CONSOLAÇÃO

FARIA SOUTO

De quanto tempo data esta saudade?
- Naquela tarde calma em que partiste
ela veio, de manso, e, sem piedade,
pôs em meus dias este modo triste.

Desde então olho, sempre com ansiedade
para a estrada onde tu sumiste,
e vou passando, assim, a mocidade,
esquecido de tudo o que mais existe...

Não te assustes, no entanto, se padeço...
Pois sofrendo este mal que me devora
mais te estimo, te quero e te mereço!

E, sonhando que um dia hás de voltar,
vejo, aos poucos, finar-se a minha aurora,
e, tranquilo, envelheço a te esperar.

(BALI – LETRAS ITAOCARENSES, página 17)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

OLHAR


              OLHAR

                          José Ouverney

 

Olhar... Mais que um olhar! É feito chama.

Não quero olhar. Passo depressa. Evito

o “olhos nos olhos”: refinada trama

que me mantém desgovernado e aflito.

 

Olhar que lembra o olhar de quem ama

e ao mesmo tempo foge. Olhar bonito,

puro, perjuro... juro: olhar de cama!

Olhar de súplica! Olhar maldito!

 

Não quero olhar, não posso olhar. É afronta.

Render-me aos seus encantos de mulher

é um mal que poderá não ter remendo;

 

mas, de repente, sem que eu me dê conta,

eis-me, outra vez... como quem nada quer...

parado... À espera de um olhar... querendo...

 

(BALI – LETRAS ITAOCARENSES, página 12)

 

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ESCADA DE TROVAS


ESCADA DE TROVAS

                         

Filemon F. Martins          

                                                                                     

SUBINDO:

 

 

“SURGE NOS BRAÇOS DE UM SONHO”

numa beleza sem fim,

e a poesia que componho

fica mais perto de mim.

 

“DE REPENTE, A LUA MANSA”

aparece sorridente

dando vivas à esperança

e sorrindo à minha frente.

 

“O ESPAÇO É VASTO E MEDONHO”

quase sempre me dá medo,

que às vezes fico tristonho

pensando no teu segredo.

 

“É FRIO, A NOITE DESCANSA”

e eu sonho com as estrelas

tão belas, ninguém alcança,

- só é permitido vê-las.

 

NO TOPO:

 

“É FRIO, A NOITE DESCANSA;

O ESPAÇO É VASTO E MEDONHO.

DE REPENTE, A LUA MANSA

SURGE NOS BRAÇOS DE UM SONHO.”

                                                      

 

Humberto Del Maestro

Vitória – ES.

 

 

                                                                

       

 

terça-feira, 11 de junho de 2013

CONFISSÃO DE AMOR


CONFISSÃO DE AMOR

Filemon F. Martins

MOTE

Vou confessar-te, querida,
porque tu és minha flor,
por ti eu dou minha vida,
por ti eu morro de amor.

GLOSA

Vou confessar-te, querida,
que não tenho outro desejo,
só quero ver-te esculpida
na moldura do meu beijo.

Quero sentir teu carinho
porque tu és minha flor
perfumando o meu caminho
sem mágoas por onde eu for.

Não sei se és prometida
- nem quero dizer adeus,
por ti eu dou minha vida
olhando nos olhos teus.

Quero viver tão somente
longe da mágoa e da dor,
se a vida for exigente,
por ti eu morro de amor.


filemon.martins@uol.com.br
www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.