domingo, 26 de agosto de 2012

TUDO QUANTO PENSO


Tudo quanto penso

 

FERNANDO PESSOA

 

Tudo quanto penso,

Tudo quanto sou

É um deserto imenso

Onde nem eu estou.

 

Extensão parada

Sem nada a estar ali,

Areia peneirada

Vou dar-lhe a ferroada

Da vida que vivi.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

TROVAS




TROVAS


Às vezes o mar bravio
dá-nos lição engenhosa:
afunda um grande navio,
deixa boiar uma rosa!

Luiz Otávio

 

Eu disse ao ver-te formosa,

em teu traje rosicler:

– Mudou-se a mulher em rosa,

ou fez-se a rosa mulher?

Ari Simões Coelho

 

Tal qual o meu pé de rosa

que ao ser podado floresce,

esta saudade teimosa

quanto mais podo mais cresce!

Carolina Ramos

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

É Preciso Olhar a Alma


É Preciso Olhar a Alma

Carlos Araújo

 

Se de perto ninguém fica normal

Como disse o compositor baiano

Como devo encarar o ser humano

Se de longe também enxergo mal?

 

Pra se ver o vivente ao natural

Sem disfarce do seu cotidiano

Eu pergunto ao polêmico Caetano

A distância é o ponto crucial?

 

Depois de observar estranho e amigo

Em todo aquele que privou comigo

Cheguei à conclusão com muita calma:

 

Para ver, da pessoa, a exata imagem,

Que se esconde por trás da maquiagem

Talvez seja preciso olhar a alma!

 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CÂNTICO DA ESPERANÇA






                         CÂNTICO DA ESPERANÇA



                                  Filemon F. Martins

            

                    Depois de palmilhar estrada afora,

                    a vida, sutilmente, me ensinou

                    que em cada dia nasce nova aurora

                    e me diz que a Esperança não findou.



                    Na vida, muitos sonhos vão embora,

                    outros chegam... Nem tudo terminou.

                    A Luz há de brilhar a qualquer hora,

                    que um futuro melhor já começou.



                    - Ó vós que andais sozinhos pelo mundo

                    achando que o passado é charco imundo,

                    praticai sempre o bem seja a quem for...



                    Porque no coração – templo sagrado,

                    o sonho há de voltar – iluminado –

                    trazendo sempre uma lição de Amor!

Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém - SP.

                          

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

BONS TEMPOS...


BONS TEMPOS...



                                      Filemon F. Martins



       Hoje, o dia amanheceu frio e uma chuvinha fina, muito fina me fez permanecer em casa. Não havia o que fazer. Vi um pouco de televisão, li jornais e escrevi algumas linhas.

       A inspiração também não me pareceu bem disposta. Talvez o tempo frio esteja atrapalhando e então me pus a lembrar. Lembrei-me dos tempos idos. Faz muito tempo, lá em Ipupiara, no interior da Bahia, eu e o primo Jeremias (fomos sempre amigos e andávamos juntos) estávamos no meio de grandes mangueiras. Na Bahia são muito comuns grandes pés de manga. Uma delícia. Não foi a toa que o poeta Carlos Ribeiro Rocha escreveu: “Velha mangueira – altar da Natureza,/onde cantam contritos passarinhos,/dos ramos implorando mais beleza/para o adorno macio dos seus ninhos!”

       Pois bem, havia uns 25 pés de manga de várias espécies, entre outras, manga comum, espada (lá não se diz “Bourbon”), manga rosa, manga papo e outras que não me recordo agora.

       O primo quis apostar comigo: seria capaz de subir no primeiro pé de manga e sem tocar a terra descer no último pé de manga do pomar do meu avô Gasparino. Aposta feita, lá fomos nós pelos galhos das mangueiras, como se fossemos macacos a pular, de galho em galho, até chegarmos ao último pé de manga.

       Ninguém venceu a aposta, mesmo porque nós dois conseguimos o feito. Chegávamos a casa à noitinha e a porta já estava trancada com a tramela. Era preciso chamar alguém para abrir a tramela e aí não tinha jeito: era necessário explicar a demora. E lá vinha bronca...

       Hoje, quase nada mais resta daquelas mangueiras do pomar e do que fomos também. Só as lembranças e as saudades é que permaneceram intactas. Bons tempos, meu caro Jerry.





(Do livro “FAGULHAS” em revisão)



domingo, 19 de agosto de 2012

PAIXÃO AO LUAR


PAIXÃO AO LUAR

Angela Faria de Paula Lima



No céu a via láctea se esparrama
E o luar põe brilho nas estrelas
As estrelas cintilam .Panorama
Que enche a alma de alegria só de vê-las!

Na praia as ondas lépidas se quebram
E ao som do mar buscam luar na areia
O mar e a lua na noite se completam
Faz-se a paixão na praia em lua cheia!

No céu os astros espalhando seu clarão

Na terra os mares espelhando a paixão!


(www.recantodasletras.com)

sábado, 18 de agosto de 2012

A FLORESTA


A FLORESTA



Augusto dos Anjos



Em vão com o mundo da floresta privas!...

-- Todas as hermenêuticas sondagens,

Ante o hieróglifo e o enigma das folhagens,

São absolutamente negativas!



Araucárias, traçando arcos de ogivas,

Bracejamentos de álamos selvagens,

Como um convite para estranhas viagens,

Tornam todas as almas pensativas!



Há uma força vencida nesse mundo!

Todo o organismo florestal profundo

É dor viva, trancada num disfarce...



Vivem só, nele, os elementos broncos,

-- As ambições que se fizeram troncos,

Porque nunca puderam realizar-se!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Trovas Humorísticas:



Pedro Ornelas



Diz, manguaçado, o freguês,

olhando o amigo de frente:

“E então, quando é que nós três

vamos beber novamente?”



Flagrando no ato o noviço,

pergunta o frei a berrar:

- Pode explicar o que é isso???

- Posso sim: tremendo azar!



- Como um cão, doutor, me trata

o meu marido cruel...

- Quer dizer que ele a maltrata?

- Não!... Quer que eu seja fiel!



“Melhor dar que receber”

diz alguém numa entrevista.

“Muito bem, gostei de ver!

- E o que faz?” “Sou pugilista.”





quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Uma pessoa na multidão


Uma pessoa na multidão

Enar Britos de Souza


Uma pessoa na multidão à procura de outra pessoa, centenas, milhares de pessoas passam nas ruas, tantas histórias, tantos sonhos, problemas, amores possíveis e impossíveis...
O andar na multidão, quando o coração tá apertado de tanta saudade, faz bem porque enquanto se anda, há esperança de se encontrar a quem tanto queremos ver...

Assim os personagens Molly e Frank, vividos por Meryl Streep e Robert De Niro, no filme "Amor à primeira vista, andam em meio a uma imensa multidão, à procura um do outro, um dos melhores filmes que vi, uma história bonita e emocionante, atuação perfeita destes dois brilhantes astros, música linda, um amor puro, forte, terno, como todo amor verdadeiro.

No filme o amor entre eles, que era impossível, torna-se possível, a cena final, quando eles se encontram no metrô, é muito real, é de uma beleza emocionante, na vida real nem sempre um amor pode ser vivido, muitas vezes dá só pra sentir...

Uma pessoa na multidão, entre centenas, milhares de pessoas, procura apenas uma, aquela que é tudo de mais belo em sua vida, a que despertou em seu coração o sentimento mais lindo.
O amor toca o coração das pessoas e se é verdadeiro, não acaba nunca, mesmo não sendo possível vive-lo muitas vezes, continuamos a senti-lo...

No meio da multidão, sempre haverá uma pessoa, muitas pessoas, que estão à procura de outras, porque o amor é o maior sentimento que existe, a procura é da alma, do coração e estes não desistem, enquanto houver vida no planeta haverá, no meio da multidão, uma pessoa à procura da outra...



(www.prefacio.net)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O ENGENHO DE MADEIRA


O ENGENHO DE MADEIRA

         Antonio da Costa e Silva



Na remansosa paz da rústica fazenda,

À luz quente do sol e à fria luz do luar,

Vive, como a expiar uma culpa tremenda,

O engenho de madeira a gemer e a chorar.



Ringe e range, rouquenha a rígida moenda,

E ringindo e rangendo, a cana a triturar,

Parece que tem alma, adivinha e desvenda

A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar.



Movida pelos bois tardos e sonolentos,

Geme, como a exprimir, em doloridos lamentos,

Que as desgraças por vir sabe todas de cor.



Ai! Dos teus tristes ais! Moenda arrependida!

- Álcool! Para esquecer os tormentos da vida

E cavar, sabe Deus! Um tormento maior!



(Do livro COMPOSIÇÕES ESCOLARES, página 18)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

OUVINDO O MAR


Ouvindo o Mar
Delasnieve Daspet
.
No silêncio da noite
Ouço o mar.
Ondas que vem e vão.
Que batem na areia, incessantemente.
Ecoam na noite quebrando o
silêncio do verão.
.
A solidão já está acompanhada.
O marulhar entra n´alma
e torna o estar só agradável.
.
É grande o prazer de imaginar
que somos nós - o mar e eu
fortalezas inconquistáveis
no fluxo e refluxo da vida.
.
A infinita solidão quebrada
pelo vento, pela maresia, se traduz
num suspiro que corta a noite...
.
Um gemido, nítido, uma voz,
o vento corta o ar.
...e as lágrimas morrem nos lábios
salgados de saudades.
.
E a paixão dolorosamente esquecida,
fica trancada - vendo o tempo passar...
e no vem e vai, no vai e vem,
nas dobras do tempo, a vida se esvai.
.
O vento, a areia, o sol, o sal,
o quero-quero, as gaivotas, as pessoas,
eram apenas fantasmas que anunciavam
a troca dos dias...
Dias - que esqueci de notar na emoção
que enfeita cada movimento do viver!
.
A noite está silenciosa.
Noite de verão à beira mar
é bálsamo à alma.
E a lágrima triste que vira espuma
é inquietude, noiva da saudade
que aumenta na proporção das ondas
que batem na areia...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

JUNTO A MIM




JUNTO A MIM

ZANY LOPES

Só enxergava o deserto
quando longe estavas
Só enxergava a escuridão
quando longe ficavas
só enxergava a dor
quando te via partir...

Só enxerguei a alegria
quando voltastes aqui
só enxerguei o brilho do dia
quando voltastes para mim
só enxerguei a felicidade
quando te detive, para sempre,
junto a mim...



(www.prefacio.net)

domingo, 12 de agosto de 2012

FANATISMO


        FANATISMO




FLORBELA ESPANCA


 


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!



Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!



“Tudo no mundo é frágil, tudo passa... ”

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!



E, olhos postos em ti, digo de rastros:

“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: Princípio e Fim! ... ”

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

FRAGMENTOS


FRAGMENTOS

ILUSÕES DA VIDA – FRANCISCO OTAVIANO

Quem passou pela vida em branca nuvem

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu:

Foi espectro de homem, não foi homem,

Só passou pela vida, não viveu.



VOZ QUE SE CALA – FLORBELA ESPANCA

Amo as pedras, os astros e o luar

Que beija as ervas do atalho escuro,

Amo as águas de anil e o doce olhar

Dos animais, divinamente puro.



QUARENTA ANOS – MÁRIO DE ANDRADE

A vida é para mim, está se vendo,

Uma felicidade sem repouso:

Eu nem sei mais se gozo, pois que o gozo

Só pode ser medido em se sofrendo.



(Postal Clube – O JORNALZINHO, página 8)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

TROVAS DO FILEMON


         TROVAS DO FILEMON

Levar a vida trovando

sempre foi meu sonho bom,

que a trova escrevi, amando,

e teu amor foi meu tom.



Não permitas que a amargura

domine o teu coração.

Canta um salmo de ventura,

busca a Deus em oração.



De manhã a Natureza

desperta cheia de cores.

Um colibri – que beleza,

vem beijar todas as flores.



Quem sabe meu verso um dia

alcance teu coração,

e volte, então, a alegria

ao som do meu violão.



Às vezes me ponho mudo

ante o mistério profundo,

porque Deus já disse tudo

nas maravilhas do mundo.




Caixa Postal 64

11740-970 – Itanhaém – SP.