sexta-feira, 19 de outubro de 2012

TROVAS DE EUCLIDES P. CUNHA-INHAÚMA-MG.


TROVAS DE EUCLIDES PEREIRA DA CUNHA

 

O sol no ocaso desmaia

deixando na terra as brumas;

as ondas batem na praia

tecendo rendas de espumas.

 

Quem dá valor à riqueza,

fazendo do ouro um troféu,

não dá valor à pureza,

que só tem valor no céu.

 

Não temo da vida a afronta,

nem os maus ventos dispersos,

eu colho o bem que desponta

da semente de meus versos.

 

Vejo a chuva na vidraça,

como lágrimas de prata,

chorando a dor que não passa,

na saudade que me mata.

 

(Do livro “GENTE E COISAS NA FRONTEIRA DAS LEMBRANÇAS”, página 21)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

TROVAS DE VANDA F. QUEIROZ


TROVAS DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ

 

Fama é aurora que fascina,

mas é bom não se esquecer

de que o sol também declina

e morre, ao anoitecer...

 

É sublime inspiração

de grandeza a que norteia

quem cala a própria emoção,

para ouvir a dor alheia.

 

Tão bom seria voltar

ao tempo que já passou,

e conseguir apagar

os passos que a gente errou...

 

Se a messe me traz, agora,

frutos bons, acreditai:

Veio a semente de outrora,

plantada pelo meu pai.

 

(Do livro MOTIVOS E MATIZES, página 25)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

TROVAS


TROVAS, O RADAR, 16/12/79

 

Tarde... Um chorão se curvava

para ver na água, faceira,

a flor do ipê que bailava

nas espumas da cachoeira.

     Elizabeth Martha Paschoal

 

Deus, que é bom, certo perdoa

defeitos que a gente tem;

o sol é rei, tem coroa,

porém tem manchas também...

     Jacy Pacheco

 

É bem frequente enfartar

coração de confidente,

pois não aguenta abrigar

segredos de tanta gente.

     Heloísa Siqueira Pacheco

 

(COLUNA TROVAS, DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

TROVAS


TROVAS, O RADAR, 16/12/1979.

 

Queres que eu volte... Entretanto,

nem mesmo me encontrarias...

Agora, passado a encontro,

já não são teus os meus dias!

    MARIA THEREZA CAVALHEIRO

“Não espere por ninguém”

é uma errada expressão:

quem não quer perder o trem

... passa a noite na estação.

    RODOLFO COELHO CAVALCANTE

É a saudade uma espécie

de moléstia diferente:

machuca, fere; não mata,

mas maltrata muita gente.

    CARLOS EDUARDO SEIXAS

Pelo vidro da janela

eu fitava o firmamento;

dentro de mim uma aquarela,

mesmo com o céu nevoento...

    BENEDITO VIEIRA DA SILVA

 

(COLUNA DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ALVORECER


ALVORECER

Filemon F. Martins


Num festival de luz, a madrugada
vem surgindo no céu, risonhamente:
a Estrela d’Alva brilha alcandorada
sobre a Terra, que a fita, resplendente!

A Natureza, então, qual namorada,
de flores se engalana, sorridente,
cigarras cantam, canta a passarada
agradecendo a Deus esse presente.

E a estrela que brilhava, já sombria
desaparece... e o mundo que dormia,
desperta, alegre, em meio dessa festa...

Não há beleza que se iguale a esta,
quando luzente o sol se manifesta
no começo feliz de um novo dia!...

 

domingo, 14 de outubro de 2012

ESCADA DE TROVAS


ESCADA DE TROVAS


 

                                   Filemon F. Martins

 

SUBINDO:

 

“E VEM SONHAR NO MEU LEITO”


nesta noite enluarada,

quero ver-te junto ao peito

esperando a madrugada.

 

“INVADE A MINHA JANELA”

fique aqui, feliz e calma,

que o perigo da procela

não resiste a paz da alma.

 

“NUM CAPRICHO ASSIM DESFEITO”

ainda há luz e beleza

que o clima fica perfeito

-        o amor é paz e  certeza.

 

“ A LUA DIVINA E BELA”

reina perene no céu,   

lua que a todos,  revela

quem ama, não vive ao léu.

 

 

“A LUA DIVINA E BELA,

NUM CAPRICHO ASSIM DESFEITO,

INVADE A MINHA JANELA

E VEM SONHAR NO MEU LEITO.”

 

                                               Hedda Carvalho

                                               Nova Friburgo – RJ.

 

                           filemon.martins@uol.com.br

                           www.prefacio.net

                           Caixa Postal 64

                           11740-970- Itanhaém – SP.

 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ESCADA DE TROVAS


ESCADA DE TROVAS 

Filemon F. Martins

SUBINDO:

Deixava a vida passar
se, numa rede deitado,
eu tivesse teu olhar
para os meus olhos, voltado.

No afago do teu calor
viver a vida sorrindo,
mais feliz que um trovador
quando as trovas vão surgindo.

Como canção de ninar
ao embalo do coração,
quero viver, quero amar,
curtindo toda a emoção.

Se eu tivesse teu amor
nunca haveria depois.
Bailando qual beija-flor
num beijo só de nós dois.

NO TOPO:

SE EU TIVESSE TEU AMOR
COMO CANÇÃO DE NINAR,
NO AFAGO DO TEU CALOR
DEIXAVA A VIDA PASSAR.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

TROVAS - ESCADA


TROVAS – ESCADA

 
Filemon F. Martins (CARONA COM JOSÉ OUVERNEY-SP)

 
“Tentando abrir a porteira”
que prende meus lindos sonhos,
ouço a saudade matreira
falando em dias risonhos.

“O esforço que o vento faz”
passando pelo telhado
dá-me a sensação de paz
que ficou lá no passado.

“Que eu chego a ouvir, da soleira,”
uma canção de ternura
que a brisa sopra, ligeira,
tangendo a doce ventura.

“No sertão é tanta paz”
que a vida para, intrigante,
e o coração é capaz
de sorrir, mesmo distante.

 
NO TOPO:

 
“NO SERTÃO É TANTA PAZ
QUE EU CHEGO A OUVIR, DA SOLEIRA,
O ESFORÇO QUE O VENTO FAZ
TENTANDO ABRIR A PORTEIRA.”

 

JOSÉ OUVERNEY-SP.

 
filemon.martins@hotmail.com
www.prefacio.net
Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém – SP.

 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO


TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 

Quando a noite se faz dia

e os sonhos fogem velozes,

há uma luz que se irradia

no eco de muitas vozes.

 

Sem vitória nem torcida,

na grande quadra do céu,

a lua é bola perdida

que ficou jogada ao léu.

 

O luar, lascivo e amante,

abre o vestido da mata,

e em seu corpo exuberante

passeia os dedos de prata...

 

Quando a lua abre seu cofre

de moedas pelo chão,

o sonhador que ama e sofre,

quer todas em sua mão.

 

(Do livro TROVAS PARA REFLETIR, página 35)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA


TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 

O que eu dizia, em meu canto,

na trova, agora, reforço:

Nenhum dente morde tanto

como dente do remorso...

 

A terra, a mata florida,

o mundo e os portentos seus,

isto é grandeza da vida,

e a vida – a força de DEUS.

 

RUI BARBOSA – no seu trilho

como fonte, o verbo flui!

Se a inteligência tem brilho,

brilhava essa estrela em RUI.

 

O Tempo conduz a Aurora

na mala da escuridão,

para mostrá-la cá fora,

nestas manhãs do Sertão.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TROVAS DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ


TROVAS DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ

 

GLÓRIA

Sublime é a glória de quem

simplesmente estende a mão,

em silêncio faz o bem,

sem pedir devolução.

IRMANDADE

Irmandade é dar as mãos

e, mesmo sem ser parente,

chamar aos outros de irmãos,

formando a família “gente”.

VERDE

Existe um valor sem fim

- que nem vês, cego de orgulho –

no verde e frágil capim...

brotando entre o pedregulho.

VERMELHO

Olhos vermelhos, tristonhos,

busco na estrada vazia

alguém que levou meus sonhos,

e um cofre de fantasia...

 

(Do livro MOTIVOS E MATIZES, página 35)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

REMINISCÊNCIA


REMINISCÊNCIA
 
Filemon F. Martins

Nos meus dias repletos de poesia,
naqueles tempos cheios de emoção,
batia, no meu peito, o coração
em busca dessa paz tão fugidia.

Recordo aqueles versos que escrevia,
brincando nas Chapadas do Sertão,
quando os sonhos na vida muitos são
e a Esperança no Amor é uma alegria.

Mas as portas da vida se fecharam,
e tudo não passou de um breve sonho,
e as oportunidades se acabaram...

Hoje! Esperanças – folhas destruídas...
Da vida –  flores, rosas, pressuponho
só restam amarguras recolhidas!...

 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

TROVAS DO FILEMON


TROVAS DO FILEMON

 

Quando te vejo, meu bem,

eu sinto o nascer da aurora.

Meu coração diz amém

e manda a tristeza embora.

 

No meu sonho apaixonado,

meu eterno beija-flor,

nunca é demais ser amado,

nunca é demais ter amor.

 

Se estamos tristes, cansados,

quando a dor invade o peito,

os amigos são chamados

e o mundo fica perfeito.

 

De mansinho chega o outono

trazendo grande saudade,

e a sensação de abandono

à noite o meu peito invade.