sábado, 30 de novembro de 2013

SINFONIA (ARACI BARRETO)

SINFONIA
ARACI BARRETO (1ª parte)

Por te amar, sofro.
Por covardia, calo.
Conquistar-te, tento.
Tua indiferença, aguento.
Em tua vida, vivo.
Por teu carinho, morro.
O teu amor, quero.
Sem conseguir, choro.
E a tentar, volto.
Mais infeliz, fico.
Pra disfarçar, canto.
O meu sofrer, aumento.
Para teus braços, corro.
Arrependida, paro.
E, só em ti, penso.


(ANTOLOGIA 12, POSTAL CLUBE, PÁGINA 18)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

UBT - CURITIBA - TROVAS

UBT - CURITIBA

1º Lugar
Segue, meu filho, na estrada,
os trilhos da retidão;
sê firme, em cada pisada,
que as honras te seguirão.
Maurício N. Friedrich

2º Lugar
Sensação deliciosa
quando eu estou inspirada:
não tem espinhos  a rosa
nem tem pedras minha estrada.
Janske Schlenker


3º Lugar
A nossa vida é uma estrada;
a mil destinos conduz;
mas há muita encruzilhada,
a se escolher: - treva ou luz.
Luiz Hélio Friedrich

3º Lugar
Minha estrada, de fonemas,
toda escrita em verbo amar,
tem ladrilhos de poemas
para o meu amor passar.
Nei Garcez


terça-feira, 12 de novembro de 2013

SÁBIO CONSELHO (MÁRIO RIBEIRO MARTINS)

SÁBIO CONSELHO
MÁRIO RIBEIRO MARTINS

SE TE PROCURAM NESTA VIDA HUMANA
PARA AS ORGIAS QUE PRAZERES TEM,
OBSERVA À TUA FRENTE A DURINDANA
QUE PRODUZIR-TE MUITAS DORES VEM!

SE DE FLORES O MUNDO SE ENGALANA
E TE PROMETE TÃO INCERTO BEM
- É A MIRAGEM QUE DA VIDA EMANA
E NUNCA TRAZ VENTURAS A NINGUÉM.

SE QUERES DESCOBRIR TODA A VERDADE
QUE SE CONTÉM NOS SIMPLES VERSOS MEUS,
ATENTA PARA TAL REALIDADE:

NÃO IMITES JAMAIS OS SADUCEUS,
HIPÓCRITAS E CHEIOS DE MALDADE,
MAS SÊ BRILHANTE EXEMPLO PARA OS TEUS!


(FRAGMENTOS DE “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, RIO DE JANEIRO: FOLHA CARIOCA EDITORA, 1980)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

TROVAS (MÁRIO RIBEIRO MARTINS)

TROVAS
MÁRIO RIBEIRO MARTINS

NÃO IMPORTA O QUE SE FAZ
PARA O CHICO XAVIER:
A ELE O NOBEL DA PAZ
E TUDO O MAIS QUE HOUVER.

QUANDO TE DEI MINHA VIDA,
ENTRE MIL VERSOS DE AMOR,
TORNOU-SE CLARO, QUERIDA,
EU NASCI VERSEJADOR.

DE VERSOS METRIFICADOS,
EIS A RIQUEZA DA TROVA,
COM QUATRO VERSOS RIMADOS
FAZ-SE AMIZADE E SE PROVA.

MESMO QUE SEJA QUIMERA,
SOU POETA E TROVADOR,
SEI CANTAR A PRIMAVERA,
SÓ FAÇO VERSOS DE AMOR.


(FRAGMENTOS DE “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, RIO DE JANEIRO:FOLHA CARIOCA EDITORA, 1980) 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A CARTA

A CARTA 

(Lendo o Soneto A CARTA INTERROMPIDA, 
de COLOMBINA – 1882-1963) 

Filemon F. Martins 

A carta interrompi. Ninguém resiste 
que tanto amor acabe desprezado. 
Meu mundo colorido ficou triste, 
quando escrevi: está tudo acabado. 

O trauma deste amor inda persiste, 
- por que viver assim amargurado? 
a minha mão, irada, ainda insiste 
em terminar o show já começado... 

Basta postar a carta já escrita, 
tudo acabou, não há mais favorita, 
vou aprender viver no meu limite... 

No envelope lacrado – quanto medo, 
o correio há de levar o meu segredo, 
mas o meu coração já não permite! 


filemon.martins@uol.com.br 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

GALÉ DA DOR (JOAQUIM B. G. SIQUEIRA)

GALÉ DA DOR
Joaquim Bonifácio Gomes de Siqueira

Noite. No céu trevoso, inquieto e vaga,
Vésper somente, a pelejar cintila...
E lágrimas de luz a luz destila,
Enquanto a treva as solidões alaga...

Ó noite triste, plácida e tranquila!
Por tua paz na terra se propaga
A voz das cousas mortas, voz pressaga,
Que tremo eu próprio, ao entendê-la e ouvi-la...

E enquanto dorme tudo – homens e cousas,
Enquanto, ó minha amada, tu repousas
Na paz das almas sãs, imaculadas,

Como um galé que sombra atroz persegue,
Sinto que a dor, na treva, a espiar-me segue
Seus passos pelas urzes das estradas.


(LETRAS ANAPOLINAS, ANTOLOGIA, PÁGINA 258)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ECLIPSE

ECLIPSE
Filemon F. Martins

Ontem à tarde 
a Natureza orava 
e o silêncio era profundo. 
Uma leve brisa passava 
e acariciava meu rosto. 


                Lá fora 
                a tarde cheia de candura 
acontecia lentamente 
e mansamente 
o eclipse do sol se realizou 
e a noite se fez mais escura. 

Enquanto aqui dentro de mim, 
o sol dos teus olhos não brilhou, 
teu corpo não me fez calor, 
e tua voz meiga e doce 
em silêncio se fez e nunca mais 
teu sorriso me falou de amor.


Assim, eclipsei minha vida,
eclipsei meus sonhos,
eclipsei meu amor.


TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO
TEMA: SAUDADE

Quem perde a oportunidade
por medo de ser feliz,
não colhe nem a saudade,
que arrancou pela raiz!

É palavra alegre ou triste,
carregada de incerteza,
porque na saudade existe
ainda uma brasa acesa!

O bem e o mal, em verdade,
deixam profundas raízes,
pois até se tem saudade
dos amores infelizes!

A tristeza que amofina
o coração de repente
é a saudade peregrina,
batendo dentro da gente.


(TROVAS PARA REFLETIR, PÁGINA 22)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

TROVAS DE WALNEIDE (HOMENAGEM PÓSTUMA)

As trovas abaixo são de autoria de Walneide, que nos deixou nesta manhã de 04/11/2013. Walneide Fagundes Guedes era irmã de Vanda Fagundes Queiroz, focalizada em meu livro FAGULHAS, páginas 147/151.

Assim como a vida soube,
sem dó, romper nossos laços,
a saudade também coube
nos meus braços sem abraços.

Trovador é um timoneiro,
no mar da imaginação,
conduzindo seu veleiro
por mil mundos de ilusão...
Walneide Fagundes Guedes


sábado, 2 de novembro de 2013

NEVER MORE (MÁRIO RIBEIRO MARTINS)

NEVER MORE
MÁRIO RIBEIRO MARTINS

Lembro-me bem. Faz hoje um ano apenas...
Ela tocava... Tinha a cor de opala...
Às vezes parecia as açucenas
Exalando perfume em grande escala.

Inolvidáveis mãos... Leves quais penas...
O som do seu piano inda me abala...
Notas suaves... Notas bem serenas
Eram toda a beleza lá na sala.

Hoje! Não sei... Talvez mais forte e linda,
Toque melhor e muito mais ainda,
Toque a mesma canção, mas não me alcança...

Lar... Jovem... O piano recostado...
Sala... Beleza... Foram sonho alado,
Pois apenas ficaram na lembrança!

(LETRAS ANAPOLINAS, POESIA E PROSA, PÁGINA 400)


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

PARADOXO

PARADOXO 

 FILEMON F. MARTINS

Quase sempre erramos
porque queremos ser fortes e poderosos
na jornada da vida.
Esquecemos que é a brisa leve e suave
que produz música ao balançar as folhas das árvores
e não a tempestade que fere, mata e destrói.