sábado, 30 de abril de 2016

ESCADA DE TROVAS

ESCADA DE TROVAS - 2 

Filemon F. Martins 

SUBINDO: 

“MORRI NA NOITE DO ADEUS” 
quando de casa, saíste, 
meu sofrimento, só Deus 
sabe que ainda persiste. 

“VIVI NA TARDE DO SONHO” 
quando entraste em minha vida, 
tornei-me um homem risonho, 
mas chorei na despedida. 

“POUSASTE OS OLHOS NOS MEUS” 
dando-me paz e esperança, 
quase fui um semideus 
e sorri como criança. 

“NAQUELE DIA, TRISTONHO” 
como doeu, ao saber, 
que foste embora, suponho, 
por deixar de me querer. 

NO TOPO: 

“NAQUELE DIA, TRISTONHO, 
POUSASTE OS OLHOS NOS MEUS: 
- VIVI NA TARDE DO SONHO, 
MORRI NA NOITE DO ADEUS!” 

Maria Thereza Cavalheiro 
São Paulo 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O PERDÃO

O PERDÃO 
MOTE 
Soubesse perdoar mais, 
um gesto nobre e cristão, 
um mundo cheio de paz 
nasceria do Perdão. 
GLOSA 
SOUBESSE PERDOAR MAIS 
melhor a vida seria, 
que só o amor é capaz 
de nos trazer alegria. 

Enquanto houver neste mundo 
UM GESTO NOBRE E CRISTÃO, 
o amor duradouro e fundo 
fará bem ao coração. 

Bondade nunca é demais 
quando se vive em amor, 
UM MUNDO CHEIO DE PAZ 
longe da guerra e da dor. 

Seria o mundo decente 
vivendo sem ambição, 
a nossa paz, certamente, 
NASCERIA DO PERDÃO.

Filemon F. Martins

filemon.martins@uol.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2016

QUANDO A NOITE...

QUANDO A NOITE...

Filemon F. Martins  



Quando a noite chegar, a mesma lua 
há de brilhar, serena, em meu semblante 
e, andando, solitário, pela rua 
hei de lembrar do meu passado errante. 

E no meu peito uma saudade tua 
há de apertar meu coração amante 
e ficarás a sós na noite nua, 
se de mim continuares tão distante. 

Se quiseres que eu vá, estou partindo, 
melhor sofrer do que viver fingindo, 
que o nosso amor é apenas brincadeira. 

E quando a lua brilhar mais uma vez, 
não sofrerei de amor, porque talvez, 
- uma paixão não dure a vida inteira!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

BILHETINHO DO CÉU (ANTONIO CARLOS)

Bilhetinho do céu
RECEBIDO DO AMIGO ANTONIO CARLOS

Falava da paz no tempo do desalento...
Amarelado bilhete, do passado, a pétala,
Contava, de outrora, a maviosa formosura,
Gentil acalanto que até hoje me embala...
Entre ressecadas folhas ao vento,
Sem, de onde, saber real destino,
Caiu do céu lembrança de menino,
Esquecidas, santas horas de minha ventura.
Bem longe, das águas, cantar da ribeira,
Ah! Encontraste-me na vida que se encerra!
“Digas, então, que trazes, queira ou não queira”.
Sou como rubra flor que, triste, perdeu a terra...
De quem ama, escrita pelas mãos trêmulas,
Incensa com doce aroma da flor d’açucena ,
Sei, não nego, da saudade, o canto, diria, apenas,
Esquecido bilhete no passado, o alado poema...



segunda-feira, 11 de abril de 2016

NOITE E VERSOS

NOITE E VERSOS
Filemon F. Martins

Vai alta a noite. A madrugada é fria,
a insônia chega, fica e me namora.
Levanto-me à procura da poesia,
mas ela, impaciente, vai embora.

Percorro o céu do amor, da fantasia,
fico em vigília e vejo a luz da aurora:
- que paz a humanidade alcançaria,
se o amor reinasse pelo mundo afora.

Ouço, distante, o farfalhar do vento,
e por que minha voz não tem alento,
- se o dia vai nascer como criança?

Surge, então, o cantar da passarada
e outros versos virão, na madrugada,

talvez mais coloridos de esperança!

sábado, 9 de abril de 2016

OPINIÃO

OPINIÃO:


EM QUE PESE TODO RESPEITO PELO ATOR FANTÁSTICO QUE É, FOI MUITO INFELIZ A DECLARAÇÃO DO BAIANO WAGNER MOURA, NASCIDO EM SALVADOR E CRIADO EM RODELAS, INTERIOR DA BAHIA, EM ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO: “ESTÁ EM ANDAMENTO NO BRASIL HOJE UMA TENTATIVA REVANCHISTA DE ANTECIPAR 2018 E DERRUBAR, NA MARRA, VIA JUDICIÁRIO POLITIZADO, UM GOVERNO ELEITO POR 54 MILHÕES DE VOTOS. UM GOLPE CLÁSSICO.” O QUE TEMOS ASSISTIDO ATÉ AQUI É QUE UMA QUADRILHA ASSUMIU O PODER PARA ROUBAR DESCARADAMENTE O DINHEIRO DO POVO. REVEJA, MEU CARO MOURA, A PROPAGANDA ELEITORAL ANTES DAS ELEIÇÕES. UM VERDADEIRO GOLPE, ISTO SIM. UM CINISMO DE QUEM PENSA QUE OS BRASILEIROS SÃO OTÁRIOS E PODEM SER ENGANADOS O TEMPO TODO.  PARECE QUE PARA ALGUNS NÃO IMPORTA A CONDIÇÃO EM QUE VIVE O OUTRO. SE SOU AMIGO DO REI, QUE SE DANE OS OUTROS. O CAPITÃO NASCIMENTO ESTARIA ENVERGONHADO DIANTE DE TANTAS EVIDÊNCIAS.
                                         FILEMON F. MARTINS



 [P1]

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O SOL E A VIDA (JOSÉ LUCAS DE BARROS)

O SOL E A VIDA
JOSÉ LUCAS DE BARROS

Toda manhã, desponta no oriente
o Sol, bonito e cheio de esplendor;
banha o mar, rompe a neve, acorda a flor,
a astuta fera e o pássaro inocente.

Nosso planeta, sem o seu calor,
não teria, por certo, um só vivente,
e sem o seu farol resplandecente,
cairia eterna noite (que pavor!).

Quando, no poente, o fim da tarde ocorre,
no ocaso o Sol parece até que morre,
mas, do outro lado, já ilumina a lua.

Com o Sol, nossa existência é parecida:
– a morte apaga a vela desta vida,
mas, do outro lado, a vida continua.

(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 448, JOSÉ FELDMAN)


quinta-feira, 7 de abril de 2016

MAL SECRETO (RAIMUNDO CORREIA)

O SONETO MAL SECRETO, DE RAIMUNDO CORREIA, APESAR DO TEMPO, CONTINUA ATUALÍSSIMO.


MAL SECRETO
RAIMUNDO CORREIA  (1859/1911)

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!



sábado, 2 de abril de 2016

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA, QUANDO MORAVA AINDA NA RUA MONSENHOR COSTA, 455 – XIQUE-XIQUE – BAHIA.

Sertão do carro de boi
vai no passado ficando,
e de tudo o que já foi,
vai a saudade rodando...

Vejo a imagem refletida
de Deus, com fidelidade,
na manhã – dizendo vida,
no Ocaso – que diz saudade.

Ao pé do morro cravado,
qual o antigo Prometeu,
está o pequeno povoado
onde o poeta nasceu.

No velho sítio Olho d’Água,
onde as serras altas são,
chorei, e não foi de mágoa,
- foi nascendo no Sertão.