quarta-feira, 31 de julho de 2013

QUERER

QUERER

PAULO FRANCO

Queria aceitar
todo o perdão que ela me pedisse,
e me desculpar
pelo que eu disse e pelo que eu não disse.
Queria apagar
toda lembrança que lhe perturbasse,
e reavivar
momentos bons que ela não mais lembrasse.

Queria enxugar
todas as lágrimas que ela derramasse;
me penitenciar,
pagar por tudo o que ela me cobrasse.
Queria dar fim
a qualquer dor que ainda lhe torturasse,
tatuando em mim
as cicatrizes que o amor deixasse.

Queria poder
lhe dar o céu, se ela me pedisse,
ou então morrer
todas as vezes que não conseguisse.
Depois lhe apertar
num louco abraço e nos fundir num só,
pra nos desintegrar:
do pó nascidos, retornar ao pó.


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terça-feira, 30 de julho de 2013

AMOR SUPREMO

AMOR SUPREMO 

Filemon F. Martins 

Meu coração recorda, emocionado, 
o amor que norteou a minha vida, 
e continua presente e bem guardado 
na inspiração dos versos meus, querida. 

Envolto nas lembranças do passado 
preservo o que vivi, de fronte erguida. 
Vou galopando pelo verde prado 
onde a Esperança mora e faz guarida. 

E enquanto o coração bater sedento, 
vou prosseguir buscando o meu intento: 
- continuar feliz por onde eu for. 

Quero rever a Luz da madrugada 
e despertar ao som da passarada 
para viver, contrito, o nosso Amor!


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segunda-feira, 29 de julho de 2013

SOLILÓQUIO

SOLILÓQUIO
Aloysio Alfredo Silva

Anoitece.
O inverno fica mais frio
quando se adormece
com um grande amor,
mas se aquece,
apenas,
com o cobertor.


(ANTOLOGIA POÉTICA DEL´SECCHI, PÁGINA 21)

domingo, 28 de julho de 2013

VALEU A PENA?

VALEU A PENA? 

Filemon F. Martins 

Não posso acreditar que nosso amor 
tenha chegado ao fim desta maneira. 
Talvez eu tenha sido um sonhador 
quando te conheci na vez primeira. 

Amei, sonhei, vivi, fui sofredor, 
e quis chegar ao céu como a palmeira. 
Eu sempre fui poeta e trovador 
e versos te escrevi a vida inteira. 

Tem nosso amor a singular nobreza 
que canta forte a natural beleza 
de quem viveu e amou em profusão... 

Por isso, penso que valeu a pena 
viver, amar, participar da cena, 
na qual doei meu pobre coração! 


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sábado, 27 de julho de 2013

CAMÕES REDIVIVO ( Newton de Lucca)


CAMÕES REDIVIVO
            Newton de Lucca  (Hoje,  Presidente do Tribunal Regional Federal, 3ª Região)
 
Suportar o mundo
bem que seria possível
(se a tanto não me faltasse
o engenho e a arte...)
 
Mas como engolir a vida
com essa gente
- surda e endurecida –
cantando e espalhando
em toda parte?
 
(ANTOLOGIA POÉTICA – VOLUME IV, PÁGINA 132)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

DEUS

DEUS 
 
Filemon F. Martins


Contemplo a Natureza fascinante, 
e vejo um Deus de amor e de brandura. 
Um livro aberto, imenso, edificante, 
com lições de bondade e de ternura. 

Mesmo que a mágoa assalte o caminhante 
e o prostre sobre o chão em desventura, 
a Fé, que vem de dentro, é uma constante, 
um bálsamo na dor da criatura. 

Creio num Ser Supremo, um Ser bendito, 
um mundo de mistérios em que habito 
e me faz refletir os sonhos meus... 

Porque depois a vida continua 
na evolução da Fé que se cultua 
sob a regência do maestro, Deus.


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TROVAS DE VANDA F. QUEIROZ


TROVAS DE VANDA F. QUEIROZ

Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
amor será sempre Amor.

Ao voltar do burburinho
da rua – a humana agressão,
a meiguice de um cãozinho
vem receber-me ao portão.

O peso do tempo é brando,
se carrego este preceito:
Ao poente vou chegando,
mas tenho auroras no peito.

Em frente à porta fechada,
bate a criança carente,
flor murcha, a custo vingada
na safra dos quase-gente...

(Do livro MOTIVOS E MATIZES, PÁGINA 18)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

TROVAS DE SAUDADE (Autores diversos)

TROVAS DE SAUDADE (Autores diversos)

A brisa no campo-santo,
é um sussurrar diferente...
Lembra o soluço no pranto
da saudade ali presente.
         ALICE ALVES NUNES
A distância, na verdade,
não nos priva desse ardor...
Serve de ponte a saudade
para estreitar nosso amor.
         CARLOS CARDOSO
A saudade – indefinida,
que a gente sente e não vê,
é algo que consome a vida
de quem muito ama você!
         CELSO CALDAS
A saudade – mortifica,
se espalha por toda parte;
entre o que vai e o que fica,
igualmente se reparte.
         ANTÍDIO DE AZEVEDO

(Do livro MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE, PÁGINA 96)



quarta-feira, 24 de julho de 2013

TROVAS DE AMOR (Diversos autores)

TROVAS DE AMOR  (Autores diversos)

Amor não é simpatia,
nem é, tão pouco, amizade.
Amor é aquela agonia
de querer bem de verdade.
         PAULO CÉSAR
Ao ver-te, amor, todo dia,
à sombra do meu caminho,
eu bendigo esta alegria
que me vem do teu carinho.
         ANTONIO SIQUEIRA
Acordei,  hoje,  sonhando
que te abracei com fervor;
joguei bem longe, chorando,
meu travesseiro traidor.
         EVA REIS
Amamos... Fomos felizes,
mas veio o tédio, depois,
e lançou suas raízes
no coração de nós dois.
         QUINTILIANO JARDIM

(Do livro MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE, página 18)

terça-feira, 23 de julho de 2013

CARTA DE OUTUBRO, 1950

CARTA DE OUTUBRO, 1950
               Miguel Russowsky

Hoje estou triste... As mágoas andarilhas
estão de volta e batem na vidraça.
Pela varanda o Tempo, insosso, passa
arrastando sem som as sapatilhas.

Há promessas envoltas de fumaça...
(Coitadas! São princesas maltrapilhas
que se perderam por esconsas trilhas)
sangrando os pés descalços na desgraça.

Hoje estou triste... A carta que releio
(Outubro de cinquenta. Primavera!)
falava que viria, mas não veio.

O destino a levou... Em mim persiste
aquela jura acesa na quimera.
Envelheci. Meu Deus!... Hoje estou triste.


(Quinta Antologia Poética de A FIGUEIRA, página 117) 

sábado, 20 de julho de 2013

MEU AMOR

MEU AMOR

Filemon F. Martins


Quando surge, no céu, a luz da lua 
espalhando seus raios pelo chão, 
eu me transponho para aquela rua 
onde te dei, amor, meu coração. 

Desde então, minha vida te cultua 
no prazer de viver esta emoção, 
e espero que a rotina não destrua 
nosso ninho de amor, nossa paixão. 

À noite, o céu de estrelas se ilumina, 
um convite à ternura que domina 
e cresce o sentimento entre nós dois... 

E no leito de amor, onde deslizo, 
sinto o prazer que vem do paraíso, 
por que, então, adiar para depois? 

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

TROVAS DIVERSAS

                     TROVAS DIVERSAS                    

No sol que cedo desponta,
nas flores da primavera,
eu brinco de faz-de-conta –
torno a vida uma quimera.
DJALDA WINTER SANTOS
O sol, cumprida a rotina,
cerra o painel em que atua,
some por trás da colina
e abre o portão para a lua.
DOROTHY JANSSON MORETTI
A vida, no seu rateio,
deixou pouco para mim:
minutos de devaneio
e esta saudade sem fim!
MARIA THEREZA CAVALHEIRO
Sendo o fim de longa espera,
sabendo que sou teu dono,
voltou a ser primavera
em minha vida de outono...
GILVAN CARNEIRO DA SILVA


(REVISTA BALI, PÁGINA 19)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

VESPERAL

        VESPERAL

             Carlos de Faria Souto

Em púrpuras o sol tomba no poente!
Morre no espaço a luz: - a noite desce.
Invade a sombra e mansamente cresce;
Ângelus soa trêmulo e morrente.

Harmônica, a flutuar virginalmente,
Vagueia em pleno ocaso esquiva prece:
É o mundo de joelhos que adormece
Numa unção evangélica de crente!

Dilui-se a Terra num espasmo loiro;
Floca-se a Via Láctea de Astros d’oiro,
Numa metamorfose de crisálida!

E da raia triunfal dos flavos círios
Surge a lua, essa Monja dos Martírios,
Trêmula, e lívida... muito alva e pálida...

(Revista BALI, página 18)


quarta-feira, 17 de julho de 2013

SONHADOS GIRASSÓIS

SONHADOS GIRASSÓIS

JÔ TAUIL

Se a secura é de dar dó
Grande tempestade
Alimenta esperanças
De ver gerânios
Florescerem por fim

Mas...que nada!
Secaram as roseiras
Também as azaleias
Mas esperanças sobrevivem
A grandes estiagens

Violetas, não...
São frágeis, impulsivas
Logo, logo se entregam
Murcham...morrem

Sonhei girassóis
Como os do filme
Da Sofia Loren com Mastroiani
Mas contentei-me
Com pequeninas margaridas
Não posso me queixar
Tive uma vida florida

Não lamento o impossível
Tudo me acalma!
Porque aprendi a não andar
Sobre canteiros de vidros quebrados
Eles ferem os pés...
E, principalmente, a alma!


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terça-feira, 16 de julho de 2013

DESLUMBRAMENTO

DESLUMBRAMENTO

Filemon Martins

Não consigo entender porque te quero,
porque te venero, porque te adoro,
porque te amo!

Não consigo entender porque me fascinas,
se teu olhar ardente nunca me pertenceu.
Se tua voz suave nunca me falou de amor.
Se teu sorriso cativante jamais me procurou.
Se tuas mãos macias nunca me acariciaram.
Se teu corpo perfeito nunca me aqueceu.
Se teus lábios doces nunca me beijaram.

Não consigo entender porque esse encantamento
quando me falas, quando te encontro, quando te vejo...
Por que tanto fascínio exerces sobre mim?
Mas entendo que o amor
quando acontece na vida,
deve ser belo e forte,
e poderoso assim!

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

MISSÃO

MISSÃO

Gilda Baptista de Freitas

Vida: Caminho... Estrada a percorrer.
Algumas vezes clara, iluminada;
outras, escura qual o anoitecer.
É difícil a nossa caminhada!

Não devemos jamais esmorecer!
Apesar da existência atribulada
precisamos ter fé para vencer,
tornando a vida menos enublada.

Procuremos viver o dia-a-dia
tentando cultivar muita alegria,
bálsamo para o nosso coração.

Relembrando o passado assaz distante
poderemos com a alma confiante
dizer: - Cumprimos bem nossa missão!


(Coletânea LETRAS NO BRASIL, página 72)

sábado, 13 de julho de 2013

APRENDI A TE AMAR (Odir Milanez)

APRENDI A TE AMAR
Odir Milanez

Eu pensei sobre amor saber de tudo,
Quando um dia em teus olhos me perdi.
Então me vi do amor um surdo-mudo,
Que de nada entendia percebi!

Perdido nos teus olhos, hoje estudo
Do amor as nuances. Aprendi
A amar o amor, fazê-lo escudo
Contra os erros que outrora cometi.

Dou-me ao amor bem mais do que me dei.
Desisto de lhe ser ou dar adeus.
Desfaço-me das dores que guardei.

Aprendi a te amar, graças a Deus!
Sei, também, que não mais eu me encontrei
Depois que me perdi nos olhos teus!
(Da avbap) 


sexta-feira, 12 de julho de 2013

TROVAS DO SAUDOSO IZO GOLDMAN (12/07/2013)

Conheci o trovador IZO GOLDMAN, entre 1979 e 1982, quando frequentava as reuniões da UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES (UBT) – Seção de São Paulo. Izo era o presidente da UBT, São Paulo e além de ser magnífico trovador era o grande incentivador dos novos trovadores, como eu e outros que participavam daquelas reuniões. Hoje, recebi a triste notícia, o falecimento do Izo, aos 82 anos, em São Paulo, onde residia. O trovismo perde um dos maiores representantes de sua História.
A notícia e estas trovas me foram enviadas pelo trovador Pedro Ornellas, a quem agradeço. Filemon Martins.

Algumas de suas trovas memoráveis:

Há dois mil anos o brilho
de um grande amor sobressai:
– o sacrifício de Um Filho
pelos filhos de Seu Pai!

Quando tu dizes que és minha,
teu reino sofre um agravo:
- como pode uma Rainha
pertencer ao seu escravo?!...

Não foi minha nem foi tua,
foi nossa culpa somada,
que nos pôs na mesma rua
... cada qual numa calçada!

Eu e tu, duas metades
que a vida vai separando...
Eu e tu, duas saudades
na saudade se encontrando...

No abismo da solidão
onde o remorso se esconde,
há mil gritos de perdão
e um eco que não responde...

Tenho medo de mulher
com marido e, mesmo sem...
- da solteira, porque quer...
- da casada, porque tem...



quinta-feira, 11 de julho de 2013

A SAUDADE E O RIO...

 A SAUDADE E O RIO...

Theca Angel

Por onde andas querido rio de meus dias
Passas ligeiro, não mais me respondes.
Diga-me para que corres, para onde?
Não mais te importam minhas fantasias.

Deixaste de ser aquele acolhedor ouvinte
Companheiro dos entardeceres amenos
Hoje estou só, esperando de ti, que ao menos, 
As tuas águas banhem est´alma pedinte!

Olho teu curso, sentinela de nosso amor
Quando da lua tu escondias o terno pudor
de apaixonados buscando nossa felicidade!

Já não trago a ti, a alegria de idos tempos...
Já não me vês feliz a correr pelos campos...
 Velho amigo, te peço, afogues esta saudade!

(Da Avbap)




quarta-feira, 10 de julho de 2013

LUAL

LUAL
Miguel Eduardo Gonçalves


Através da palavra unicamente
Sente a vida, que afaga como beija...
E o poema gerando essa beleza
É entreaberta janela ao que não mente!

O silêncio analisa a natureza
Da ilusão segredada que a desvende
E inspirada em fazer-se confidente
Dispersando-se em letras como seja.

Dourado indisfarçável de um momento
Profundo em luz do céu mais imortal
Envolvendo a ternura do acalento...

Quando sinto esse enredo sem igual
Qual teatro que espreita o seu elenco
Lá no fundo me sinto num lual!








terça-feira, 9 de julho de 2013

PROFUNDIDADE

PROFUNDIDADE

Rodrigo Ladeira (Poeta de Itanhaém-SP)

A verdadeira
profundidade de um verso
não vem da palavra
vem do poder transformador
da proposta de mudança
pelo amor
que a poesia
tem.


(Do livro DESTA COISA & OUTRAS COISAS, página 17)