segunda-feira, 29 de agosto de 2016

TROVAS DE ELISA ALDERANI

TROVAS DE ELISA ALDERANI – RIBEIRÃO PRETO/SP.

A linha do trem recorda
o dia em que tu partiste.
E o meu coração acorda...
Pulsa a dor que produziste!

Amo ler, e bem escolho
no livro a mensagem certa.
O conteúdo, recolho
não deixo a mente deserta!

Boca de lobo entupida...
Só não jogam quem merece!
Sarjeta não tem saída,
vamos ver o que acontece...

Choveu forte na cidade,
Corre barro na sarjeta...
Sai do banco meu confrade,
cai... Suja toda a jaqueta...

Com linha branca costuro
o enxoval do meu menino.
Só Deus sabe seu futuro,
ao seu amor eu me inclino!


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 461, JOSÉ FELDMAN)

SÁBIO CONSELHO (MÁRIO RIBEIRO MARTINS)

SÁBIO CONSELHO
 Mário Ribeiro Martins

Se te procuram nesta vida humana
para as orgias que prazeres tem,
observa à tua frente a durindana
que produzir-te muitas dores vem.

Se de flores o mundo se engalana
e te promete tão incerto bem
-  é a miragem que da vida emana
e nunca traz venturas a ninguém.

Se queres descobrir toda a verdade
que se contém nos simples versos meus,
atenta para tal realidade:

Não imites jamais os saduceus,
hipócritas e cheios de maldade,
mas sê exemplo para os teus!

(ANTOLOGIA LETRAS ANAPOLINAS, PÁGINA 409)


sábado, 27 de agosto de 2016

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

A lua, em noite escampada,
na orquestra que Deus conduz,
seguindo a pauta da estrada,
é uma sonata de luz.

A luz do dia esmorece...
O amarelo perde a cor...
A Deus se eleva uma prece
dos lábios de cada flor.

A noite lança uma seta,
pois, caçadora, é o seu fado.
E a tarde cai, rubra e quieta,
qual pássaro ensanguentado.

A nossa vida é fugaz...
É bom partir sem revolta...
Quem vem ao mundo já traz
uma passagem de volta!

A prisão é desconforto,
ainda que em doce lar…
Se a família é mesmo um porto,
que ponha os barcos ao mar!


(ENCANTO DAS TROVAS, VOL. III, JOSÉ FELDMAN)

QUEM FOI EDÍZIO MENDONÇA?

QUEM FOI EDIZIO MENDONÇA?

Filemon F. Martins
                                                       


         EDIZIO RODRIGUES MENDONÇA é baiano e nasceu em Barra do Mendes, a 14 de agosto de 1938, filho de Ezequiel Rodrigues Mendonça e de Esteva Maria da Anunciação.
        Barra do Mendes é uma progressista cidade no alto Sertão, encravada na região Noroeste do Estado da Bahia, no circuito da Chapada Velha, fazendo fronteira com os municípios de Gentio do Ouro e Ibipeba, Seabra, Souto Soares, Barro Alto, Ipupiara e Brotas de Macaúbas, com uma população aproximada de 20.000 habitantes.
        Pena que até hoje (2011) não se conseguiu sensibilizar o governo do Estado da Bahia para construir uma boa estrada ligando Barra do Mendes à Ipupiara, (apenas 56 km). As promessas foram muitas, mas, porém, contudo, senão, todavia, entretanto... As duas cidades e outras da região muito ganhariam com o intercâmbio comercial, turístico e cultural.
        EDIZIO MENDONÇA, filho ilustre de Barra do Mendes, fez seus primeiros estudos em escola particular, com a professora Elvira Campos Mendonça e na escola Duque de Caxias, com o professor Lídio Armando Guedes, tendo concluído o curso Primário na Escola Pública Rio Branco, dirigida pela professora Vivaldina Lima Lessa, em sua terra natal.
        Deslocando-se para outros centros, fez cursos, entre outros, de Administração Municipal, Técnicas de Alfabetização, Fiscalização de Rendas e curso de Jornalismo. Casou-se, primeiro, com Cleonice Teixeira Mendonça, com quem teve os filhos: Eduardo (também poeta), Lilia, Eliana, Edizio Júnior, Ana Amália e Gleuda Simone Teixeira Mendonça. Viúvo casou-se depois com Maria Sodré Mendonça, com quem tem os filhos: Evandro, Edizia Maria, Edenizio, Edilma e Eniere Sodré Mendonça.
        Escritor, Jornalista, Cronista, Pesquisador, Historiador, Poeta e Trovador, Edízio Mendonça é também político local, além de funcionário municipal, tendo exercido vários cargos na Administração Pública de Barra do Mendes.
        Como político, foi Vereador (1971/1973) e Vice-Prefeito (1977/1983) e exerceu inúmeras vezes o cargo de Secretário de Administração, Cultura e Turismo do Município. (1965/1972), (1983/2001).
        Como Escritor, já publicou vários livros, entre os quais, “POEMAS PARA CLEONICE (1969), O CORONEL MILITÃO COELHO (1980), CAPITÃO JOÃO PEDRO (2002) e BARRA DO MENDES, UMA HISTÓRIA DE LUTAS (2003)”. Os dois últimos livros, eu os ganhei do autor, quando em companhia do Procurador de Justiça e Escritor Mário Ribeiro Martins, o visitamos em Barra do Mendes em 19/07/2005.
        Nesta visita, deu-nos o ensejo de conhecer alguns pontos da cidade, entre outros, o açude municipal Landulfo Alves, a casa em que morou o Cel. Militão Rodrigues Coelho, o Hospital Municipal Manoel Novaes, o Arquivo Público Municipal, a Prefeitura Municipal e o Prefeito de Barra do Mendes, Dr. Manoel Gabriel dos Santos (Dr. Néu).
        Edízio Rodrigues Mendonça é um homem de muitos talentos, eis que, atua como Diretor – Gerente da Rádio Barra do Mendes (RBM) e é Diretor do Jornal “Tribuna do Sertão”. Seu projeto é ambicioso e escreve incansavelmente, são 18 livros inéditos e mais 17 livros “em preparo”, entre poemas, trovas, crônicas, contos, história e cordel.
        Entre os livros inéditos, estão Cantigas do Alvorecer, Mãezinha do Coração, Mensagem de Natal, Pérolas do Amanhecer (Trovas), Pétalas de Saudades, Pétalas do Alvorecer (Poesias), O Coronel Artur Ribeiro (de Ipupiara) e Vultos do Meu Sertão, volumes 01 e 02.
         Entre os livros que está preparando, encontramos Coronéis da Chapada, Governadores da Bahia (1889-2001), Governadores de São Paulo (1889-2001), Manoel Novaes, o Gigante do São Francisco, Os Últimos Dias do Cel. Horácio de Matos, Poetas do Meu Sertão e Trovadores da Bahia.
         Detentor de inúmeras honrarias, tais como, nome de Rua, de Escola, de Biblioteca, de Grêmio Estudantil “Edízio Mendonça”, na cidade ou no Município de Barra do Mendes. Faz parte, como coautor, de várias Coletâneas e Antologias, entre as quais, “Coletânea de Contos, Crônicas e Poesias” – IV Festival de Inverno da Bahia – (1994), “Trovadores do Brasil” – 2º vol. Aparício Fernandes – RJ -(1967), “A Trova no Brasil” – Aparício Fernandes – RJ - (1972), “Poetas da Bahia”- Eduardo Cavalcante Silva – Salvador – (1966) e “Anuário Coletânea de Trovas Brasileiras” – Fernandes ViannaRecife – PE – (1977/1978).
         Membro de diversas entidades culturais e de classe, tais como, Academia Guanabarina de Trovas – RJ; Academia Itajubense de Letras – Itajubá – MG; Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras – Anápolis – GO; Academia Barramendense de Letras – Barra do Mendes – BA e Academia Goianense de Letras – Goiânia – GO, etc.
        Colaborador de Jornais e Revistas do País, eis algumas opiniões sobre o seu trabalho: “Tive a oportunidade de ler “Tribuna do Sertão” e passei a lhe admirar mais ainda.” Apolônio Alcântara Dias Coelho – Morro do Chapéu – Ba; “Edízio, um dia a história de Barra do Mendes lhe fará justiça, pelo grande homem que você é. E pelo trabalho que você tem feito por sua terra.” Rogério Rego – Brasília – DF; “Tribuna do Sertão” é um jornal que diz bem da capacidade jornalística do poeta Edízio Mendonça”. Eduardo Cavalcanti Silva – Camaçari – Ba.
        É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br
        Tomara que os livros do Poeta/Escritor, Edízio Mendonça, de Barra do Mendes, Bahia, venham à luz da publicidade para deleite dos seus leitores, entre os quais eu me incluo.
        Edízio Mendonça silenciou no dia 27/08/2016, às 5 horas, deixando imensas saudades. Barra do Mendes perdeu seu filho mais ilustre, tanto no campo político, como na literatura. Uma perda inconsolável.



RECONHECIMENTO

RECONHECIMENTO
(Ao acadêmico Edizio Mendonça*, exímio escritor, com o apreço e a admiração do autor)


Grande mestre e poeta da Bahia,
um verdadeiro e culto educador;
seus escritos são luz no dia a dia,
são prédicas da alma do escritor.

Seus livros pregam paz, cidadania
e a luta do político e o seu labor,
buscando solução e autonomia
para o povo que sofre o dissabor.

Para as crianças, jovens ou adultos
traz ensinos e exemplos que são cultos
do bem, da fé, do amor e da verdade...

Assim, seu nome a gente reconhece
e o povo da Bahia lhe oferece
o diploma imortal da Dignidade!

(IN MEMORIAM) – Hoje tomei conhecimento que o nosso amigo e grande escritor nos deixou. Uma perda irreparável. Uma perda inconsolável!
*Focalizado em meu livro FAGULHAS - 2013, páginas 122/124




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

TROVAS DE DÁGUIMA VERÔNICA

TROVAS DE DÁGUIMA VERÔNICA

Ao soltar pipa, a criança
desata as peias do sonho
e acende a luz da esperança
para um futuro risonho.

Coração duro, fechado,
prenhe de angústia e rancor,
constrói cárcere privado
com grades feitas de dor.

Coração, vê se te aquieta
não bebas desse pecado,
cuidado, que ele é poeta...
não fiques apaixonado!

Da minha terra encantada
eu guardo a estação mais bela,
o canto da passarada
e os meus sonhos de janela!

Deixaste sobre o deserto
pegadas de tua andança;
o vento virá, por certo,
dissipar qualquer lembrança.


(ENCANTO DAS TROVAS, VOL. III, JOSÉ FELDMAN)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A CAMINHADA

A CAMINHADA
Filemon F. Martins
                                     
                            Recordo, com prazer, a caminhada
                            e amigos que ganhei estrada afora.
                            Quantas vezes fiquei na encruzilhada
                            tentando achar a luz de nova aurora.

                            Passei manhãs ao som da passarada,
                            cavando a terra e pondo sem demora
                            a semente na terra abençoada,
                            enquanto a enxada tine a voz sonora.

                            Depois, parti. Tornei-me um peregrino
                            e a saudade marcou o meu destino
                            deixando-me profunda cicatriz...

                            Hoje, não deixo mágoas nem gemidos,
                            apenas flores  -  versos coloridos,
                            e a sensação de ser muito feliz!



terça-feira, 23 de agosto de 2016

TROVA DE ANTONIO CABRAL FILHO

Uma Trova de Jacarepaguá/RJ
Antonio Cabral Filho

Por serem bens muito raros,
de inestimável valor,
paz, amor, são temas caros
na vida do trovador.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 460, JOSÉ FELDMAN)

sábado, 20 de agosto de 2016

REVISITANDO A INFÂNCIA

REVISITANDO A INFÂNCIA
Filemon F. Martins

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...


sábado, 13 de agosto de 2016

MEU PAI

MEU PAI (IN MEMORIAM) 

À memória de meu pai, Adão Francisco Martins, 
cujo exemplo devo a minha formação e a quem 
trago presente a cada instante da minha vida, 
incrustado na ternura e na saudade do meu co- 
ração. 
Filemon F. Martins 

Ele era bom; amigo verdadeiro, 
a todos demonstrava o mesmo amor. 
Em vida foi exemplo brasileiro 
no sofrimento atroz, na própria dor. 

Amante do saber, humilde obreiro, 
da Esperança e do Bem foi pregador. 
Viveu para servir, foi companheiro 
e em tudo quanto fez, foi professor. 

Ele morreu; toda a cidade chora, 
não há mais alegria como outrora, 
só existe a tristeza e o dissabor... 

E o céu pra recebê-lo foi-se abrindo, 
porquanto ele morreu, morreu sorrindo, 
e sorrindo partiu para o Senhor! 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

AGOSTO VAI EM MEIO


H

AGOSTO VAI EM MEIO

Vicente de Carvalho (Santos-05/04/1866 – 22/04/1924)



Faz frio. Há bruma. Agosto vai em meio.
E eu ia jurar, bendito engano,
          Que a primavera veio
          Antes do tempo, este ano.

Vi-te. Sob o nublado céu de agosto
Nem os jardins começam a brotar,
          Mas há rosas no teu rosto
E azul, azul de céu, no teu olhar.

Que importa o frio? A bruma? Agosto em meio?
Juro, posso-o jurar, que não me engano:
          A primavera veio
          Antes do tempo, este ano.

Amo-te. E assim como senão houvesse
Inverno, a terra nua, a bruma no ar,
          O meu coração floresce
E há luz, há luz de sol, no meu olhar.

       Acervo de Hilda Persiani
    

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

MELANCOLIA

  MELANCOLIA
        Filemon F. Martins

A tarde começou chuvosa e triste,
no coração bateu uma saudade,
parece que a tristeza ainda insiste
em ditar moda após a mocidade.

A noite surge bela e não resiste
à luz da lua bailando na cidade,
meu coração é forte e não desiste
desse amor sensual que o peito invade.

Meu sonho já não é tão colorido,
por isso, às vezes, fico comovido
sentindo a dor de quem nunca viveu...

E vou levando a minha desventura
cantando um salmo alegre de ternura
para esquecer que a vida me esqueceu!



domingo, 7 de agosto de 2016

TROVAS DE IZO GOLDMAN LIVRO TERRA E CÉU)

TROVAS DE IZO GOLDMAN (LIVRO TERRA E CÉU – JOSÉ FELDMAN E IZO GOLDMAN)

Tem mais nobreza e valor
o triunfo conseguido,
quando, humilde, o vencedor
aperta a mão do vencido!

Todo “barbeiro” sustenta
que a “batida” foi assim:
- “Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!...”

Uma devota a rezar
é o que a rendeira parece,
faz da almofada um altar,

de cada renda, uma prece!

sábado, 6 de agosto de 2016

TROVAS DE JOSÉ FELDMAN (LIVRO TERRA E CÉU)

TROVAS DE JOSÉ FELDMAN
(LIVRO TERRA E CÉU – J. FELDMAN E IZO GOLDMAN)

Não posso te dar dinheiro,
pois minha casa é a ilusão
e os meus sonhos, um canteiro
onde está meu coração!

Não se sinta superior
por suas duras vitórias…
Quem lhe parece inferior
já teve dias de glórias.

Nas brincadeiras de criança,
a dança, o pique, a corrida...
Hoje danço em outra dança:

– Danço no circo da vida!...