segunda-feira, 28 de novembro de 2016

TROVAS

TROVAS DO FILEMON

Perpassa uma brisa mansa
beijando as águas do mar,
enquanto a tarde descansa
e espera a noite chegar.

A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.

Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.

Vejo o mar azul e calmo,
ouço o sussurro do vento
que passa cantando um salmo
às nuvens no firmamento.

(DO LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO)


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

SEM FRONTEIRAS

                       SEM FRONTEIRAS
                                 FILEMON F. MARTINS


Viajo com as nuvens. Sou poeta.
Gosto de dar vazão ao pensamento.
Sou capaz de chegar ao firmamento
e voltar para a terra como atleta.

Na terra, pego a minha bicicleta,
vou pedalando mesmo contra o vento,
enquanto os versos nascem no acalento
de uma paixão suave e não secreta...

Não há fronteiras, pois o amor é brando,
poetas são assim, vivem sonhando
com um mundo feliz e mais humano.

Não importa se a vida é muito breve,
importa o amor que faz o peso leve,
quando o perdão se torna soberano.


domingo, 20 de novembro de 2016

O BEIJA-FLOR

O BEIJA-FLOR
Filemon F. Martins

Levanto cedo e veja quem me espera,
um lindo beija-flor beijando a rosa.
Não para de adejar, ai quem me dera
sugar também aquela flor mimosa.

Quantas flores o beija-flor paquera
e baila no ar buscando a flor ditosa
e se exibe num voo que acelera
à procura da flor, a mais viçosa.

De flor em flor consegue seu intento,
mesmo voando em luta contra o vento
para beijar, feliz, mais uma  flor...

Também o bardo – beija-flor certeiro,
de verso em verso vai buscar faceiro
dentro do peito uma canção de amor.



sábado, 19 de novembro de 2016

MORTE DA ÁRVORE
(Lendo o soneto ÁRVORE MORTA, do Padre Saturnino de Freitas)

Filemon F. Martins

      Árvore triste, que ontem foi bonita,
             não tens mais ramos, frutos e nem flores,  
      dos pássaros não és mais favorita
      e não abrigas mais tantos amores.

      Neste teu tronco já ninguém habita,
      sequer amantes loucos, sonhadores,
      que outrora segredavam na Mesquita
      de suas folhas vivas, multicores...

      Quantas vezes ouviste namorados
      em carinhos e beijos, descuidados,
      como se o tempo não fosse passar.

      Hoje, teus galhos secos, ressequidos,
      são lembranças de sonhos esquecidos,
      que nunca mais, na vida, vão voltar!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

CANTANDO O AMOR

CANTANDO O AMOR

Filemon F. Martins

É belo o amor sublime do meu sonho
que em minha vida já se fez real.
Não há razão para viver tristonho,
se estás comigo eu venço o vendaval.

O céu está mais lindo e mais risonho,
saudando a nossa paz transcendental.
O tempo passará, mas - pressuponho,
nosso amor subirá ao pedestal.

Viver este momento tão singelo
sempre foi meu desejo e meu anelo
sentindo o teu carinho e teu calor.

Querer-te assim numa expressão sincera,
Verão, Outono, Inverno ou Primavera,
hei de te amar com todo o meu amor.

Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

PENSAMENTOS

 PENSAMENTOS:

- Deus criou a noite para a vaidade das estrelas.
- Perdão é o galho mais robusto da árvore do amor.
- A lua é uma hóstia de esplendor no tabernáculo da noite.
- O alimento do bem só é encontrado nos mercados da       virtude.
- Uma pessoa que se vende não possui valor.
- Quem é puro de coração julga que toda a humanidade é formada de anjos.
                            HUMBERTO DEL MAESTRO

                            (Imortal da Academia Espírito-santense de Letras)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

SONETO DE ARVERS

SONETO DE ARVERS
Tradução de J. G. de Araújo Jorge

Tenho um segredo na alma, e um mistério na vida:
Um repentino amor que me empolga e devora;
Louca paixão que trago em minha alma escondida
E aquela que a inspirou, entretanto ignora…


Ai, de mim! Sigo só, mesmo a seu lado, embora
Levo no coração sua imagem querida
Até que venha a morte, e amanhã, como agora,
Nada possa esperar dessa paixão proibida…


E ela que a alma possui só de ternuras cheia
Seguirá seu caminho, indiferente, e alheia
Ao sussurro de amor que em vão a seguirá…


Presa a um nobre dever, a um tempo fiel e bela,
Dirá depois que ler meus versos cheios dela:
-“Que mulher será essa?…” E não compreenderá…


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

TROVAS DE SYMACO DA COSTA

TROVAS DE SYMACO DA COSTA (Canavieiras-Ba-1914-Queimados-RJ-1982)

Quanto mais o tempo corre,
mais corre o tempo da gente,
e quem ao tempo recorre
perde o tempo inutilmente.

Do inimigo aperte a mão,
com doçura, sem rancor.
Ao contato do perdão
toda pedra vira flor!...

Para o mal, eu tenho o bem;
para o ódio, o meu perdão.
Para o amor, tenho também
muito amor no coração.

Contar segredo à mulher
é falar ao mundo inteiro
aquilo que não se quer
que o mundo saiba primeiro.

Há tanto burro mandando
em homens de inteligência
que, às vezes, fico pensando
que a burrice é uma ciência.

(Do site FALANDO DE TROVA)


O AMOR II

O AMOR II

Filemon F. Martins


Como a planta que nasce no quintal, 
se bem cuidada cresce e fica linda. 
Também o amor que nasce natural 
pode crescer, viver, florir, ainda. 

É preciso, porém, que o amor normal 
seja cuidado com ternura infinda. 
O verdadeiro amor não tem rival, 
a beleza do corpo é que se finda. 

Quando o amor se revela por inteiro, 
o carinho renasce e vem primeiro 
ornando a vida e sobrepondo a dor. 

E juntos seguem pela vida afora 
vivendo intensamente a nova aurora, 
iluminados pela luz do amor. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

NOVA COBRANÇA

NOVA COBRANÇA 
(Filosofando)
Filemon F. Martins 

Se cobro alguma coisa desta vida, 
ela disfarça e vai me respondendo: 
“qualquer dia, meu caro, pago a dívida” 
e sem pensar, aceito e vou vivendo. 

O tempo vai passando e na corrida 
aquele amor, aos poucos, vai morrendo, 
já não sinto esperança na descida 
e o mundo, sem amor, está horrendo. 

A vida dissimula um falso encanto 
que acaba em choro, dor e desencanto 
sem cumprir a promessa que me fez. 

E tudo não passou de ledo engano, 
porque sem fé, sem luz, o ser humano 
carrega a cruz de sua insensatez.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

NA MÃO DE DEUS (ANTERO DE QUENTAL)

NA MÃO DE DEUS
Antero de Quental

Na mão de Deus, na sua mão direita,
descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
a ignorância infantil, despojo vão,
depus do Ideal e da Paixão
a forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
que a mãe leva ao colo agasalhada
e atravessa, sorrindo vagamente,

selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
dorme na mão de Deus eternamente!

(Livro GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA, PÁGINA 104)


domingo, 6 de novembro de 2016

AMOR E SAUDADE

AMOR E SAUDADE 

Filemon F. Martins 

Vou prosseguindo pelo meu caminho 
em busca do meu sonho mais dileto: 
- cantar feliz e amar qual passarinho, 
que no seu ninho sente-se completo. 

Correr ao vento, roupa em desalinho, 
plantando amor e paz no meu trajeto, 
para encontrar um pouco de carinho 
que me dê paz no mundo sem afeto. 

Vejo, porém, que continuo o mesmo, 
descrente e sem valor, vagando a esmo, 
sem encontrar a tal felicidade. 

E os sonhos que sonhei em minha vida 
vão acenando em triste despedida 
cravando, no meu peito, esta saudade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA, QUANDO MORAVA AINDA NA RUA MONSENHOR COSTA, 455 – XIQUE-XIQUE – BAHIA. (IN MEMORIAM)

Sertão do carro de boi
vai no passado ficando,
e de tudo o que já foi,
vai a saudade rodando...

Vejo a imagem refletida
de Deus, com fidelidade,
na manhã – dizendo vida,
no Ocaso – que diz saudade.

Ao pé do morro cravado,
qual o antigo Prometeu,
está o pequeno povoado
onde o poeta nasceu.

No velho sítio Olho d’Água,
onde as serras altas são,
chorei, e não foi de mágoa,
- foi nascendo no Sertão.