sexta-feira, 30 de novembro de 2012

TROVAS DE NATAL


    TROVAS DE NATAL

            Filemon F. Martins

É Natal! Nossa Esperança

de ser bom, fazer o bem,

nasce com aquela criança

na manjedoura em Belém.

 

Neste Natal, bom Jesus,

de tantas incompreensões,

quisera que a tua luz

brilhasse nos corações.

 

Brilha uma estrela... É Natal...

A noite é silente e calma,

e a alegria vem, afinal,

morar feliz em minha alma.

 

Chega dezembro, senhores,

e há tantas promessas novas,

que eu desejo aos Trovadores:

- Boas Festas – Boas Trovas.

           

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

NATAL


            NATAL

 

                  Luiz de Carvalho Rabello

 

Em Belém da Judéia. Uma harmonia

dulcíssima e divina, fere o ambiente.

Calmas, brandas, à luz da lua fria,

alvas ovelhas balem mansamente.

 

É que em plácida e pobre estrebaria,

num século medonho e impenitente,

em que sofrem, refertos de agonia,

os filhos de Israel, humildemente,

 

acaba de nascer – momento augusto!

o Deus-Menino, o Redentor, o Justo,

há tantos longos anos esperado;

 

o bom Pastor que ao mundo, à gente ignara

traz o perdão, sorvendo a taça amara

da ingratidão dos homens no pecado...

(I Concurso Norte-Fluminense de Sonetos, página 32)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

NATAL


           NATAL

                   Célio Grünewald

Nasce em Belém, em pobre estrebaria,

outra criança, assim, como as demais

e essa criança teve, então, Maria

e o bom José, como sublimes Pais.

 

Cumpriu-se, assim, a Santa Profecia

no mundo conturbado de mil ais

e em pleno céu surgiu a Estrela Guia

que neste mundo voltará jamais.

 

E de Herodes, embora, os rudes atos,

embora o julgamento de Pilatos,

embora o sacrifício numa cruz,

 

Esse menino de saber profundo,

filho de Deus, transfigurou o mundo

e é o Rei dos Reis e chama-se Jesus!...

 

(I Concurso Norte-Fluminense de Sonetos, página 34)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

NASCE JESUS


            NASCE JESUS

 

                                Assis Cabral

 

Nos céus surge um clarão. Nos céus da Palestina

com miríades de sóis e estrelas aos milhares

brilhando sobre a terra, enchendo os puros ares,

de um fulgor que se esparge ao vale e na campina.

 

Ao redor de Belém, eis tudo se ilumina.

Belém toda silêncio. Há repouso nos lares.

A gleba de Davi, entregue aos seus cismares,

vê descer sobre si a excelência divina.

 

Os anjos cantam glória a Deus lá nas alturas,

proclamam paz no mundo. As Santas Escrituras

cumprem-se com rigor. Aos homens raia a luz.

 

O arcanjo celestial, numa expressão tão bela,

conta o fato real. Pois, na gruta singela,

a História muda o curso – É nascido Jesus.

(I Concurso Norte-Fluminense de Sonetos, página 26)

domingo, 25 de novembro de 2012

NATAL VAZIO


         NATAL VAZIO

               EVANDRO MOREIRA

 

Eu quisera escrever um poema diferente,

como não se escreveu nunca, em nenhum Natal,

que falasse da noite estrelada e silente

numa voz mais sentida e também desigual.

 

Que falasse dos Reis e da Estrela candente

que trouxe ao berço humilde o Filho divinal,

falasse de um pastor, de uma ovelha indolente,

ouvindo uma canção de perfume oriental.

 

Quisera – qual menino alegre, esperançoso,

à espera de um presente, oferta do bondoso

velhinho – hoje escrever uma canção ao Céu.

 

Mas, chegando ao final do poema, vejo triste,

que nele de bonito ou de novo nada existe,

se em meus sonhos morreu o meu Papai Noel!

 

(I Concurso Norte-Fluminense de Sonetos, página 36)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

TROVAS


TROVAS   

                         

   Filemon F. Martins

 

A distância é que nos mata

porque vem logo a saudade;

saudade – presença ingrata

da antiga felicidade.

 

Céu azul, todo estrelado,

sorrindo, ao clarão da lua,

e o meu peito, apaixonado,

a chorar a ausência tua.

 

Minha Bahia formosa,

que contraste, vejam bem:

- Deu ao Brasil, Rui Barbosa,

mas deu João Alves*, também.

 

Se queres ter um amigo,

não o abandones na estante,

que o Livro estará contigo

cada dia, cada instante!

 

“ Sorriria de feliz "

e o mundo teria paz,

se o coração que maldiz

soubesse perdoar mais.

 

Segue uma estrada florida

quem, na verdade, tiver

a glória de ter, na vida,

um coração de MULHER.

 

Monumento de Cultura

que o mundo já conheceu:

É PORTUGAL que fulgura,

porque CAMÕES não morreu.

 

 

Obs.:* Após ter citado João Alves, como baiano, um escritor Alagoano me informou que, a bem da verdade, o João Alves nasceu em Alagoas, tendo, posteriormente se transferido para a Bahia. Optei, porém, em conservar a trova da forma em que foi escrita.

 

 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TROVAS


       TROVAS

             Sara Kanter (São Paulo-SP)

 

Tua ausência “bate o ponto”

no cartão de minha vida.

E, dentro do peito eu conto

quanto dói cada batida.

 

Na galera da esperança

entre barquinhos risonhos,

sou marinheiro-criança

buscando a ilha dos sonhos.

 

Na solidão do meu peito

- velho jardim sem amor –

a saudade tem um jeito

de renúncia que deu flor.

 

Na voz triste da criança

que nos implora: - “um trocado...”

o amanhã sem esperança

de um hoje desesperado.

 

Não há saldos no balanço

do que fui, sonhei ou quis,

mas, nos débitos eu lanço

remorsos do que não fiz...

 

(Anuário-Coletânea de Trovas Brasileiras-1979, página 55)

      

terça-feira, 20 de novembro de 2012

TROVAS DO FILEMON


TROVAS

Filemon F. Martins

 

Brilha uma estrela... É Natal...

A noite é silente e calma,

e a alegria vem, afinal,

morar feliz em minha alma.

 

“É um prazer bem diferente”

que o meu coração conhece,

quando você, sorridente,

em meu caminho aparece.

 

Tenho certeza que a trova

- poema feito de amor,

é um sonho que se renova

na vida do Trovador.

 

Justiça, Paz e Igualdade,

o povo sente, afinal,

que esse amor à Liberdade

é próprio de Portugal.

 

Chega dezembro, Senhores,

e há tantas promessas novas,

que eu desejo aos Trovadores:

- boas festas – boas trovas!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O TEMPO NÃO PASSA


O TEMPO NÃO PASSA

         Thereza Freire Vieira

O tempo não passa,

Não corre, não anda.

Não consigo apressá-lo

Nem tampouco pará-lo.

Nem mesmo sei

Se quero que pare,

Se quero que corra.

O tempo correndo,

Passando apressado,

Traria de volta,

O que me deixa saudade?

Não importa que corra

Ou que fique parado.

O tempo não sabe

De meus sentimentos.

E se ele parasse?

A saudade cansada

De tanto esperar,

Me deixaria sozinha

Sem saudade,

Sem dor?

Viver sem saudade

É viver sem esperança

Da felicidade voltar...

 

(Postal Clube, O JORNALZINHO, página 3)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A CARTA INTERROMPIDA


A CARTA INTERROMPIDA

COLOMBINA (1882/1963)

 

É preciso escrevê-la. O coração, cansado

de sofrer e chorar, adormeceu, - eu creio.

Se acordar não me deixa escrever, o coitado

não vê como é absurdo e inútil meu anseio.

 

Só do meu sangue escuto o grito revoltado

e no orgulho ferido o meu rancor esteio,

começando a escrever: “Está tudo acabado:

não me procures mais. Eu te detesto e odeio.”

 

No papel, ruído algum a pena faz. No entanto,

o coração acorda e, trêmulo de espanto,

imobiliza a mão que essa carta escrevia.

 

E freme e exulta e vibra em meu peito ferido,

e torna a soluçar... após ter conseguido

que ainda uma vez vencesse a sua covardia...

 

(O FANAL, agosto de 2002)

domingo, 11 de novembro de 2012

HOMENAGEM A D. ZÊNIA


 

HOMENAGEM A D. ZÊNIA

JOSÉ BRITTO BARROS
 

RASTILHOS DE TUA LUZ AURIFULGENTES
BRILHAM DIZENDO QUE TU FOSTE EMBORA
DESSE FULGIR FICAMOS NÓS CARENTES
E PARA TI COMEÇA A NOVA AURORA!

DEIXASTE-NOS EXEMPLOS EXCELENTES
DE UM VIVER LINDO; E ESTÁS NO CÉU AGORA...
TEU MUNDO VIU AS FORMAS DIFERENTES
DO TEU AGIR E TUA PARTIDA CHORA.

TODA A ESPERANÇA QUE MANTINHAS VIVA
PERMANECEU VIBRANTE, FORTE E ATIVA
E A TUA FÉ FOI FIRME ATÉ O FINAL!

HOJE PARTISTE PARA O ETERNO ABRIGO
A VIVER JUNTO AO TEU MAIOR AMIGO,
E ASSIM TEU GALARDÃO É MAGISTRAL!

João Pessoa, 9 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

TROVAS


        TROVAS

        Filemon F. Martins

 Chega a Maíse, lourinha,

com a beleza da flor:

- da mamãe, a ternurinha,

- do papai, bondade e amor.

 

“Um ser divino na terra”

criança – futuro em flor:

pequenina, mas encerra

um tesouro de valor.

 

Na subida, companheiro,

observe esta lição:

quanto mais cresce o coqueiro,

mais longe fica do chão.

 

No livro da Natureza

as lições são sem iguais.

Tenho, por isto, certeza

que é onde se aprende mais.

 

Vejo o céu – lua crescente

bailando maravilhosa...

Penso em você, sorridente,

neste meu céu cor-de-rosa.

 


Caixa Postal 64

11740-970-Itanhaém – SP.

 

sábado, 3 de novembro de 2012

TROVAS DO FILEMON


TROVAS DE FILEMON MARTINS

 


Pela terra e pelos mares

eu me afasto dos ateus,

e sinto que em meus cantares,

fico mais perto de Deus.

 

Teu amor é um lenço branco,

que, de longe, acena ao cais.

E eu fico naquele banco

em vão procurando a paz.

 

Meu pensamento flutua

ao som das águas do mar,

quando vem, bate e recua,

para, de novo, avançar.

 

A inspiração peregrina

que mora dentro de mim,

vem com ternura e ilumina

minha poesia sem fim.