terça-feira, 30 de novembro de 2010

EU

                                           EU
                                               Filemon F. Martins

                            Sou os raios de sol que te aquecem.
                            Sou os raios de luar
                            que iluminam teu mundo.
                            Sou a água que escorre
                            leve e suave pelo teu corpo
                            na hora do banho.
                            Sou a brisa que sopra
                            e te traz o perfume das flores.

                            Sou as ondas do mar
                            num vaivém constante
                            acariciando o teu corpo.
                            Sou a árvore copada
                            amiga e companheira
                            que te acolhe e te alimenta,
                            quando estás cansada,
                            quando estás com fome.

                            Sou a voz da POESIA,
-         numa tarde chuvosa e fria,
que enternece tua alma.
Sou o Amor, sou a Saudade,
sou a própria Felicidade
perto de ti, meu amor!

filemon.martins@uol.com.br
www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém - SP
        

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

DITOSO MUNDO

DITOSO MUNDO
                   Miguel J. Malty (Brasília-DF)
Olha essas nuvens plácidas, libertas,
vestidas de brancura e de grandeza,
rasgando o etéreo espaço, asas abertas,
bandeiras da encantada Natureza.

Em romarias ermas, vagam certas
dum destino supremo de pureza;
paramentos, oblatas são ofertas
no altar aurifulgente da Beleza.

Esse pálio fulgente que se estende
e se alarga em cetim no campo alvar,
agasalha um sentir doce, profundo...

Mistérios dormem que ninguém entende,
mas que é mister ao homem ponderar
como vestígio dum ditoso Mundo.

(Do ESTRO, n° 124-página 01)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SAUDADE

SAUDADE
                   c.a.Beiral * (poeta carioca)
Dos sentimentos mais cantados, creio
seja a saudade o tema preferido,
e quanto mais a seu respeito eu leio,
menos me considero esclarecido.

Emoção rediviva, sem que o meio
se justifique pelo pretendido,
eu quero crer, e digo sem receio,
que nem me consolar tem conseguido!

Tem mais de sádica que de indulgente,
porque não deixa adormecer na gente,
o que esquecer seria um grande bem...

Mas como pode ter definição,
quando está tão acima da razão,
se não diz quando vai nem quando vem?

*Custódio de Azevedo Beiral

(Do livro “PENÚLTIMAS CANTIGAS”, página 38)
Leia mais sobre o autor em

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

IPUPIARA

IPUPIARA (Chapada Diamantina, Bahia)
         (Retratada no livro “Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas,” de Mário Ribeiro Martins)
                   Filemon F. Martins
Cravada no Sertão, jardim de flores,
nasceu uma cidade hospitaleira.
Seus campos coloridos, sedutores,
tornam a vida bela e corriqueira.

Berço de heróis, poetas, escritores,
produzem versos na cidade ordeira.
O clima é quente, bom e aviva as cores
da alegria que é sempre verdadeira.

Ipupiara é flor cheia de encanto,
cuja beleza inspira o bem, porquanto
as alegrias são puras e completas.

Há de brilhar no céu, mesmo à distância,
esta Terra de amor e de elegância,
pois tu és a cidade dos poetas!

www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970 - Itanhaém – SP.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DITOSO MUNDO

DITOSO MUNDO
                   Miguel J. Malty (Brasília-DF)
Olha essas nuvens plácidas, libertas,
vestidas de brancura e de grandeza,
rasgando o etéreo espaço, asas abertas,
bandeiras da encantada Natureza.

Em romarias ermas, vagam certas
dum destino supremo de pureza;
paramentos, oblatas são ofertas
no altar aurifulgente da Beleza.

Esse pálio fulgente que se estende
e se alarga em cetim no campo alvar,
agasalha um sentir doce, profundo...

Mistérios dormem que ninguém entende,
mas que é mister ao homem ponderar
como vestígio dum ditoso Mundo.

(Do ESTRO, n° 124-página 01)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

TROVAS

TROVAS
      AMARYLLIS SCHLOENBACH (São Paulo)

Canta, canta, passarinho,
pois chegou a primavera,
e aquela flor junto ao ninho
já não é mais uma espera.

Atenção: Não corras tanto
em teu meio de transporte.
Não deixes ninguém em pranto,
não busques a própria morte!

Longe, perdidos na bruma,
vão meus sonhos a vagar...
Sem dó, no rastro da espuma,
lancei-os todos ao mar!

Amar é o melhor da vida,
mas, bem difícil é achar
amor que em dois se divida
para, depois, se juntar.

(Do BALI – Letras Itaocarenses-página 14, Mil Trovas de Amor e Saudade-UBT-página 16)

domingo, 21 de novembro de 2010

TROVAS

TROVAS
             IZO GOLDMAN (São Paulo – SP.)

No abismo da solidão
onde o remorso se esconde,
há mil gritos de perdão
e um eco que não responde...

Tenho medo de mulher
com marido e, mesmo sem...
- da solteira, porque quer...
- da casada, porque tem...

No livro da nossa vida
por culpa do teu ciúme,
a estória foi dividida
e eu fiquei noutro volume.

A vida vai prometendo,
não cumprindo e, muito esperta,
quando eu cobro, vai dizendo:
- “qualquer dia a gente acerta...”

(Anuário – Coletânea de Trovas Brasileiras-1979-página 54-organização Fernandes Vianna-Recife-PE)

sábado, 20 de novembro de 2010

SENZALA

SENZALA
   Miguel Eduardo Gonçalves*

Se teus olhares seguem em segredo
Aonde alcance o mar o proibido
Espelhos entrevistos que são medo
Afligem tua insânia amor contido.

Cenário que conduz a engano ledo
Nas cores do desejo remoído
Em que o mistério cede à voz mais cedo
Aquela voz mais forte e sem sentido.

O meu querer é outro, é previsto
No foro expresso d’alma se regala
E se distrai enquanto o resto é quisto.

Inúmeras quimeras de uma escala
Acordes dissonantes do imprevisto
Um coração quiçá como em senzala.

·        Leia mais sobre o exímio poeta paulista nos sites:





sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AQUELA QUE EU DESEJO

    AQUELA QUE EU DESEJO
         Eno Theodoro Wanke
Desejo uma mulher bem feminina,
que tenha uns lábios doces de cereja,
que seja carinhosa, bela, e seja
pequena, de figura esbelta e fina...

E tenha uma alma pura de menina,
simpática, agradável, benfazeja,
e seja toda minha... (O que deseja
minha alma é uma mulher quase divina!)

- Que saiba conversar sem ser fingida,
que seja inteligente e seja boa,
que torne em doce o amargo desta vida...

Desejo alguém assim... – E fico triste
pois sei – tenho certeza – tal pessoa,
aquela que eu desejo, não existe!

(Do livro “À SOMBRA DOS VERSOS EM FLOR”, página 30, poesia completa/vol. 1-Eno Theodoro Wanke)
Leia mais sobre este autor:

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

TROVAS

TROVAS
ALICE BUENO DE OLIVEIRA, consagrada trovadora paulista com estas belíssimas trovas:

Os sonhos tecem cirandas
pelo passado perdido;
e o vento pelas varandas
é um trovador esquecido...

Há no outono a nostalgia
de minha ilusão perdida;
a embalar a fantasia,
de tua ausência sentida...

A trova é ternura, é salmo,
é nuvem, castelo, pluma;
festival de vento calmo
após vendaval de bruma...

Meu barco feito de sonhos,
navega pelos remansos;
dos meus momentos tristonhos,
trovando teus versos mansos.

(Anuário-Coletânea de Trovas Brasileiras-Recife-PE-pág. 88)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MODORRONDO... VOU DE CARONA...

MODORRANDO... VOU DE CARONA...
                   Miguel Russowsky (1923 – 2009), poeta nascido em Santa Maria – RS, tendo residido em Joaçaba –SC.

Verão. Domingo. A brisa morna e branda
vai furungando ao léu, sem disciplina.
De vez em quando, as franjas da cortina
agitam-se em meneios de ciranda.

A tarde está dormindo na varanda
com seu perfil de cortezã grã-fina.
O relógio, viciado na rotina,
parece concordar... Quase não anda.

A preguiça – senhora muito obesa –
cansada, se estatela no sofá,
boceja, devagar... Só quer moleza!...

A vida muitas vezes estaciona...
Mas, se quiser seguir... Deixo que vá!
Eu não posso impedir... Vou de carona!...

(Do BALI – LETRAS ITAOCARENSES – Dezembro/2009-página 12)
Leia mais sobre este autor:



terça-feira, 16 de novembro de 2010

TROVAS

TROVAS, do consagrado trovador Aloisio Alves da Costa, de NOVA FRIBURGO:

Mesmo nos dias tristonhos
cheios de angústias e anseios,
eu busco à luz dos meus sonhos
dar vida aos sonhos alheios.

O remorso no presente,
das minhas culpas de outrora,
faz de mim – homem valente –
uma criança que chora!

Os meus dias são pedaços
de tempo na eternidade,
que a vida embala nos braços
misturados de saudade.

Ao ver o leito das águas
e tanta gente sem leito,
transborda o rio das mágoas,
que enche de mágoas meu peito.

(Anuário – Coletânea de Trovas Brasileiras – Recife – PE - 1979)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SONETO I

Paulo Bonfim, poeta paulista, exímio sonetista:
SONETO I
Paulo Bonfim
No ramo a flor será sempre segredo
moldando realidades no vazio,
caminho de perfume, rosa e estio,
crescendo além dos roseirais do medo.

História das raízes sem enredo...
Rolam frases de terra pelo rio,
as consoantes de luz tremem de frio
e as vogais orvalhadas morrem cedo.

No ramo a flor será sempre futuro,
haste e corola nos confins do sonho,
marcando de infinito a cor do muro...

Sempre a cor sobre a senda debruçada,
e o perfume crescendo onde reponho
o sentido da flor despetalada.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CONTRASTE

Padre Antonio Tomás com este belíssimo soneto:

CONTRASTE

PADRE ANTONIO TOMÁS - Ceará (1868-1941)
 
Quando partimos, no verdor dos anos,
da vida pela estrada florescente,
as esperanças vão conosco à frente,
e vão ficando atrás os desenganos.
 
Rindo e cantando, céleres e ufanos,
vamos marchando descuidosamente...
Eis que chega a velhice, de repente,
desfazendo ilusões, matando enganos.
 
Então, nós enxergamos, claramente,
como a existência é rápida e falaz,
e vemos que sucede exatamente
 
o contrário dos tempos de rapaz:
- Os desenganos vão conosco à frente
e as esperanças vão ficando atrás.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES é um soneto antológico e traz uma advertência bastante atual:


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
 
JORGE DE LIMA - Alagoas (1895-1953)
 
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Esse mesmo que vem, invariavelmente,
parodiar o sol e associar-se à lua,
quando a sombra da noite enegrece o poente.
 
Um, dois, três lampiões acende e continua
outros mais a acender, imperturbavelmente,
à medida que a noite, aos poucos, se acentua
e a palidez da lua apenas se pressente.
 
Triste ironia atroz que o senso humano irrita!
Ele, que doura a noite e ilumina a cidade,
talvez não tenha luz na choupana em que habita.
 
Tanta gente também nos outros insinua 
crenças, religião, amor, felicidade, 
como esse acendedor de lampiões da rua!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TROVAS

Trovas de Maria Thereza Cavalheiro, escritora, poetisa e trovadora paulista:

Pode o livro ser tesouro
que alguém garimpou por nós;
 é o amigo imorredouro,
que não fala, mas tem voz!

Quem vive só de futuro
e esquece a vida que passa,
descobre claro no escuro
que fez projetos de graça.

Riqueza não vale a pena
se vem e nos leva a paz...
No prado, a bela açucena
com a luz do sol se compraz!

Cabelos soltos ao vento...
Pés de leve sobre a grama...
A vida toda é um momento
no coração de quem ama!

Existe amor arredio
que, se vem, não quer ficar,
pois é como o inquieto rio,
que o destino tem no mar!


Mais informações sobre a autora nos sites www.prefacio.net