sábado, 21 de fevereiro de 2015

MUSA DO SILÊNCIO (DARIO VELLOZO)

Musa do Silêncio
Dario Vellozo (1869-1937)  

No silêncio da tarde que se esfolha,
Vaga e macia nos ocasos de ouro,
Fito, cismando, o teu semblante,
o louro Tom do cabelo que o pesar desfolha.

Segues, por entre os túmulos, sombria,
Na saudade pungente. Erma e discreta,
A Mansão do Silêncio a alma inquieta
Cinge-te, à luz nostálgica do dia.

És do Silêncio a Musa merencória,
Leio-te na alma angustiosa história,
Triste fadário que teu véu recata;

Leio-te na alma a solidão imensa,
Só mitigada por suave crença,
Prece que o olhar em lágrimas desata.


(FONTE: ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 373, JOSÉ FELDMAN) 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PARADOXO

PARADOXO 

Filemon F. Martins 

Quase sempre erramos 
porque queremos ser fortes e poderosos 
na jornada da vida. 
Esquecemos que é a brisa leve e suave 
que produz música ao balançar as folhas das árvores 
e não a tempestade que fere, mata e destrói. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

POESIA SEM NOME

POEMA SEM NOME

Filemon F. Martins

Fui buscar na memória da saudade
o arrulho da juriti, no pé da serra,
o canto do sabiá, nas mangueiras do pomar,
quando havia ainda floresta sobre a Terra.

Fui buscar na prece da tarde
a ternura do sol em pleno Ocaso.
Fui buscar o perfume da rosa
que, sorrindo no jardim,
torna a paisagem mais radiosa.
Busquei também nos passarinhos
que saltitam, em seus ninhos,
a canção dos amantes.

Busquei a luz no brilho das estrelas,
aquela mais brilhante e resplendente,
aquela luz dos teus olhos.
Busquei a fé, que renasce na alma do poeta,
quando sonha, quando ama, quando crê.

Busquei a plenitude da vida
nas vibrações do amor
quando o céu fica mais perto.
E, mesmo estando no deserto,
sinto que estou num prado tranquilo,
numa paisagem verde, deslumbrante,
onde ouço misteriosamente o som de um violino
e me reencontro enamorando o Mundo
em busca do meu sonho e do meu destino!






quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

BRISA BRANDA (MIGUEL RUSSOWSKY)

BRISA BRANDA
MIGUEL RUSSOWSKY

Começo a versejar... A brisa branda
vai furungando ao léu, sem disciplina.
De quando em quando as pontas da cortina,
se põem a balançar como em ciranda.

A tarde está dormindo na varanda,
como se fosse cortesã grã-fina.
O relógio, viciado na rotina,
parece concordar: Quase nem anda.

O sol fratura a luz em mil pedaços,
no jarro de cristal polido, antigo,
e a parede recolhe os estilhaços.

Escrever versos pode ser castigo?
Não seria pior cruzar os braços?
(Envelhecer me dói... mas eu nem ligo!)

(SONETOS BEM-SUCEDIDOS, PÁGINA 88)


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

REVISTA VEJA

REVISTA VEJA, DE 18/02/2015, ARTIGO “NA RUA, O PRÓ-FURTO”, DE J.R. GUZZO:

“Para botar os “movimentos populares” nas ruas, é preciso que haja populares nos movimentos, mas quem, com um pouco de atividade cerebral, (grifo meu) quer sair por aí em defesa de uma esquadra de delinquentes encarcerados sob a acusação de roubar o Erário”?

Depois do carnaval virá muita propaganda enganosa. Um prato cheio para os alienados ou para aqueles que querem ser enganados. Mas, os escândalos continuam e a lista é enorme, entre outros:

Caso Waldomiro Diniz
CPI dos Correios
Caso Francenildo
Irregularidades na transposição do rio São Francisco
Irregularidades nas obras do PAC
Irregularidades no Bolsa Família
Irregularidades no Minha Casa, Minha Vida
Vaquinhas para mensaleiros presos
Passividade na estatização da Petrobrás, na Bolívia, pelo companheiro Evo Morales
Mensalão
Petrolão.










TEM ADEUSES DEMAIS NA ESTRADA QUE ESCOLHI (MIGUEL RUSSOWSKY)

TEM ADEUSES DEMAIS NA ESTRADA QUE ESCOLHI

MIGUEL RUSSOWSKY

Hoje estou triste... Chove a chuva lentamente
molhando a solidão silenciosa e vazia.
Surge uma saudade azul na tarde fria,
que não sabe falar e chora simplesmente.

Agora um grande zero o meu porvir avia
e manda prosseguir sem tropeçar, em frente.
Hoje eu sei que estou triste, o amor, às vezes, mente,
expande uma esperança... e depois se atrofia.

Desaprendi sonhar. A realidade veio,
com a desilusão hostil por seu recheio.
Tem muito desamor morando por aqui.

A vida é sucessão de perdas. Envelheço
e a “Tristeza”, esta sim sabe o meu endereço.
Tem adeuses demais na estrada que escolhi.

(SONETOS BEM-SUCEDIDOS, PÁGINA 25)


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A MUSA ENFERMA (CHARLES BAUDELAIRE)

A musa enferma
Charles Baudelaire
1821 – 1867

A morte é que consola e que nos faz viver
É o alvo desta vida e a única esperança
Que, como um elixir, nos dá fé e confiança,
E forças para andar até o anoitecer.

Em meio à tempestade e à neve a se desfazer,
E a luz que em nosso lívido horizonte avança,
E a pousada que um livro diz como se alcança,
E onde se pode descansar e adormecer.

E um arcanjo que tem nos dedos imantados
O sono eterno e o dom dos sonhos extasiados,
E arruma o leito para os nus e os desvalidos;

E dos deuses a glória e o místico celeiro
E a sacola do pobre e o seu lar verdadeiro
O pórtico que se abre aos Céus desconhecidos!


(FONTE: ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 364, JOSÉ FELDMAN)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

FORTUNA CRÍTICA

FORTUNA CRÍTICA

Recebi da professora SIRLENE DOS SANTOS RODRIGUES, um texto que massageou meu ego. Sirlene é filha dos meus amigos Francisco Martins dos Santos e de Dª Celina Silva, residentes em Ipupiara, Bahia. A professora Sirlene, além de minha prima, é inteligente, culta, minha leitora fiel, sincera e, sobretudo, generosa: “Olá! Puxa que frio! Me sinto no Sul, sério. Gosto da luz do Sol brilhando, trazendo disposição sempre... Estações... Também... São Paulo poderia ter ficado mais lá em cima do mapa, rs
Desculpe-me por usar linguagem informal e facebookense. Você é tão culto, meu priminho! Fagulhas? Aiiiiii! O que dizer?
Não tenho propriedades linguísticas suficientes para comentar aquela linda e impecável obra. Parabéns!!!
Sabe que em questões políticas sou meio leiga, só mesmo o conhecimento necessário para uma visão social mais crítica de mundo, não é? Também, não sou como os que cita, dizendo que estas questões políticas, religiosas e esportivas, não sejam discutidas. Concordo que se fazem necessárias para a transformação do mundo. Admiro sua visão social, sou muuuuuito parecida. Nossaaa!!!!
Meu paizinho que é o bom conhecedor da família, bem politizado, diria. Os textos sobre diferentes autores, são excelentes, os causos... Amei. Fiquei curiosa em saber quem é o casal da zona Oeste, afinal, meus vizinhos, praticamente. No amor, realmente, não precisava de um prazo até o casamento muito longo. (Se bem que só 3 dias...) Ele ia crescendo com a admiração, conhecimento do outro... Embora, hoje em dia, seja diferente. Os jovens brigam por qualquer coisa. A paciência com o seu par é limitada, enfim... Exige-se demais do outro no relacionamento. Complexo discutir.
Já disse para você que eu, literalmente me entrego aos seus textos poéticos. Você fala com o coração. Te vejo em cada verso... Será que é porque te conheço? Como cabe tanto amor aí dentro, hem??? E inspiração???
Lembra que eu comentei que não havia necessidade nos slides da figura feminina? Pois só foi opinião pessoal. Ao ler, estou falando de mim, certo? Me coloco no lugar da mulher que se refere, acho que esta também é sua intenção como autor, concorda?
Se vejo uma foto de outra, fico lá olhando e pensando: Puxa! Que mulher privilegiada!
Queria que escrevessem assim para mim! Deixe que eu sonhe... É tão bom! Com 50 anos de vida, me sinto uma garota... Será a famosa idade da “LOBA”?
Desculpe-me se disse alguma besteira... E disse várias, rs
Obrigada pelo carinho de toda a vida. Te conheci assim... Gentil, humano, cavalheiro, doce, educadíssimo... Esta lembrança que guardo a vida toda de você, meu priminho.
Fui ao Orkut. Vi suas fotos, do Mário, de todos... Bacana. Tenho várias lá também. Um pouco antigas, mas confio mais no Orkut. No facebook, já nem tanto. Muita exposição.
Um dia abençoado para você! Felicidades!
Parabéns meu querido escritor. Beijos”.


Obs.: Já faz algum tempo que recebi este texto, que estava cuidadosamente guardado e não divulgado, em face dos muitos afazeres da vida. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

UM VAZIO (ÓGUI LOURENÇO MAURI)

Um Vazio
Ógui Lourenço Mauri

Um vazio põe além do horizonte
Um querer que à distância se lança,
Pois a ânsia que o barco desponte
Jacta o falso sabor da esperança.

Eu bem sei, não mudou a janela,
Mas o barco de longe não vem.
A saudade é bem mais do que "aquela"
E a vontade do beijo também!

É verdade que após as tormentas
O mar calmo se faz tão presente,
Como é certo que as nuvens cinzentas
Põem o Sol a brilhar novamente.

Por aqui, vejo a chuva caindo;
Logo mais, chega a luz desde o leste,
A mostrar todo o azul do céu lindo,
Um desenho de Deus, inconteste!

Pensamento vai longe, de vez!
Traz, enfim, esse barco; reitero!
Penso até que meu porto, talvez,
Não comporte o navio que eu espero.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, Nº 359, JOSÉ FELDMAN)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

TROVAS DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS

Vejamos algumas trovas dessa talentosa família Ribeiro Martins:

Levanto cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
FILEMON F. MARTINS

Vejo a prova fulgurante
de um Poder, que não tem fim,
numa estrela - bem distante,
na vida - dentro de mim.
CARLOS RIBEIRO ROCHA

Com os olhos fitos no chão,
você só vê a tristeza.
Levante a cabeça, irmão,
e contemple a natureza!
MÁRIO RIBEIRO MARTINS

Escolha um solo fecundo,
prepare-o com muito ardor,
e com fervor mais profundo
plante a semente do Amor!
JERRY FILHO

Não sei por que, ó saudade,
tu vens de tão longe assim,
roubar  a felicidade
que mora dentro de mim!
LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS



Nesta vida transitória,
nada vejo de valor,
pois, daqui, a falsa glória
murcha e finda como a flor!
JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS

Amigos, guardem de cor
e viverão satisfeitos:
nossa vitória maior
é vencer nossos defeitos.
SAMUEL PIRES RIBEIRO

Fragmento da publicação de Maria Thereza Cavalheiro, em sua coluna jornal O RADAR, de Apucarana-PR.

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Atenção para a mudança de endereço para remessa de correspondência para esta coluna: Caixa Postal nº 65019 - Agência Bela Vista - CEP 01318-970 -  São Paulo - SP.




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

TROVAS - CHUVAS DE VERSOS, 358

TROVAS CHUVAS DE VERSOS, 358

Nos mistérios deste outono,
as folhas caindo ao chão,
tecem colchas de abandono
que envolvem minha ilusão!
Sônia Maria Ditzel Martelo

Vejo em frente, ali na praça,
só lixo, trapos e panos;
e, para a minha desgraça,
no meio - seres humanos!
Selma Patti Spinelli

No grande palco da vida
os artistas, somos nós,
que depois de tanta lida
sempre ficamos a sós!
Sophia Irene Rodrigues Canalles
(1911 – 2004)
  
Escolha o lugar que ocupa,
pensando nesta lição:
- quem cavalga na garupa,
não tem as rédeas na mão!
Sebas Sundfeld

(FONTE:CHUVA DE VERSOS 358, JOSÉ FELDMAN)







terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TROVAS - CHUVAS DE VERSOS, 352

TROVAS – CHUVA DE VERSOS 352

Em nosso adeus, quando eu disse:
"não há dor que não se abrande",
nem pensava que existisse
uma saudade tão grande...
Otávio Venturelli

Silêncio, prova eloquente
de desdém, de desamor.
Quem ama faz-se presente
numa carta, numa flor...
Otoniel Beleza

Feliz quem parte da vida,
humilde, nada levando,
porém, em contrapartida,
muitas saudades deixando.
Onésio da Mota Cortez

(FONTE CHUVA DE VERSOS, 352-JOSÉ FELDMAN)








segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

COMO É BOM SER BOM (MARTINS FONTES)


Como é Bom Ser Bom
Martins Fontes
1884 – 1937

Tu, que vês tudo pelo coração,
Que perdoas e esqueces facilmente,
E és, para todos, sempre complacente,
Bendito sejas, venturoso irmão.

Possuis a graça como inspiração
Amas, divides, dás, vives contente,
E a bondade que espalhas, não se sente,
Tão natural é a tua compaixão.

Como o pássaro tem maviosidade,
Tua voz, a cantar, no mesmo tom,
Alivia, consola e persuade.

E assim, tal qual a flor contém o dom.
De concentrar no aroma a suavidade,
Da mesma forma, tu nasceste bom.

(CHUVA DE VERSOS, JOSÉ FELDMAN)