quarta-feira, 30 de abril de 2014

O NASCIMENTO DE UM SONETO

O NASCIMENTO DE UM SONETO
Filemon F. Martins 


Sábado à tarde, sopra forte o vento, 
o céu promete um belo temporal, 
concentro no papel o pensamento, 
quero escrever um verso original. 

Procuro em vão conciliar o tempo, 
a inspiração não vem, é mau sinal. 
- Onde andará a musa no momento? 
Mas a chuva é que vem torrencial. 

Busco a palavra e o verbo se evapora, 
faço rabiscos, leio e jogo fora, 
que a poesia fugiu e não voltou. 

As horas passam; vejo da janela 
que a lua surge radiante e bela, 
e agora meu soneto terminou!

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11740 – 970 – Itanhaém – SP. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

AMARGURA (J.G. DE ARAÚJO JORGE)

AMARGURA
J. G. DE ARAÚJO JORGE

Só podes me ofertar o silêncio e a amargura,
- meu pobre coração de ti só espera a indiferença...
Perdoa o meu amor... Perdoa-me a loucura
que quem tem, como eu tenho, um coração, não pensa...

Há muito pela vida eu seguia à procura
de alguém que viesse encher de luz minha descrença...
Foi então que te vi... E julguei que a ventura
pudesse ainda encontrar nesta jornada imensa...

E foi assim que um dia eu fui sentimental...
Acreditei no amor... E, talvez por castigo
fizeste-me sofrer – mas não te quero mal...

Quem amou, fui eu só... Eu nunca fui amado!...
Mereço a minha dor, e este sofrer bendigo
na amargura cruel de me julgar culpado!


(DO LIVRO MEU CÉU INTERIOR, SETEMBRO/1934)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

ELEGIA DO CAOS (ANTONIO CABRAL FILHO)

ELEGIA DO CAOS
ANTONIO CABRAL FILHO

O ritmo com que o vento
retorce arbustos
e sacode telhados de zinco
arrasta o lixo da urbis
ao longo das ruas
e deixa pessoas eufóricas
com tanta fúria
que fogem sem rumo
e na busca de refúgio
invadem lojas e lares
com súbitos saques e estupros.
...
Tudo feito em sincronia
com muita bala perdida
rumo ao alvo certo
acerto em hora incerta
sem o perigo da lei
e tudo tão repentino
que nenhum socorro
seria possível...
Mas vinda a paz
d,após a borrasca,
era noite.


(POSTAL CLUBE, ANTOLOGIA 15, PÁGINA 14)

domingo, 27 de abril de 2014

PARADOXO

PARADOXO 
FILEMON F. MARTINS

Quase sempre erramos
porque queremos ser fortes e poderosos
na jornada da vida.
Esquecemos que é a brisa leve e suave
que produz música ao balançar as folhas das árvores
e não a tempestade que fere, mata e destrói.





sábado, 26 de abril de 2014

ENCANTO (HUMBERTO DEL MAESTRO)

ENCANTO
HUMBERTO DEL MAESTRO

Luzeiros azuis de carícias e delicadezas
Teus olhos de luz derramam
Em noites de eterna magia.
Infinitos de rosas tuas mãos acalentam
Em momentos de púrpura e êxtases
De manhãs sem conta.
És um mundo de bênçãos, ilimitado e precioso,
Onde meus caprichos mesquinhos,
Infelizmente,
Jamais conseguirão adentrar.


(DO LIVRO QUADRAS E TERCETOS ESQUECIDOS, PÁGINA 121)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

Não permitas que a amargura
domine teu coração.
Canta um salmo de ventura,
busca a Deus em oração.

De manhã a Natureza
desperta cheia de cores.
Um colibri  - que beleza,
vem beijar todas as flores.

Pondo amor nas minhas trovas,
meu peito fica a cantar.
É que as minhas boas novas
sem asas, querem voar.

Minha vontade tão louca,
era somente um enleio:
dar um beijo em tua boca
e adormecer em teu seio.


(POSTAL CLUBE-ANTOLOGIA 15, PÁGINA 48)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

DESPEDIDA (ODIR MILANEZ)

DESPEDIDA

Odir Milanez 

Não nos resta mais nada a nos dizer.
 
O demais de nós dois seja mistério.
 
Se o feito foi desfeito, o que fazer
 
quando não coube a nós o desidério?
 

Nossos poucos espaços de prazer,
 
nossos muitos momentos de impropério,
 
mostraram sermos seres do não ser,
 
do infinito nos dando outro critério.
 

Seja sem voz a vida já vivida;
 
e os versos que versamos sobre nós,
 
sejam do tempo página perdida.
 

Mas quando a um verso meu cederes vida
 
ou quando em versos teus ouvir-te a voz,
 
não nos demos, de novo, à despedida...

(Transcrito da AVABP) 


quarta-feira, 23 de abril de 2014

CRISE DE REALIDADE (Jô Tauil)

CRISE DE REALIDADE (ensaio literário)
Maria José Zanini Tauil

Cortei em pedacinhos a fantasia, (isso é coisa de poeta) mas não tive
coragem de jogá-los fora. Um dia, acordamos e percebemos que aquela
roupa, (fantasia) já não nos serve, como se, num curto espaço de descanso,
a alma se dilatasse, sem caber no antigo espaço, onde tão bem se
acomodava. Estou nas palavras, mas ainda prefiro as entrelinhas. O que sei
dizer de mim é quase nada, perto do ser que em mim se oculta e que sangra
para dentro, como hemorragia interna.

Sinto-me cansada de assumir o que não quero. Ir embora é um processo que
acontece aos poucos; acho que já nasci partindo. Estou sofrida, por isso é
natural que palavras nasçam, jamais agressivas...indignadas somente.
Parece-me piegas descrever minhas angústias. Afetos desordenados são um
retrocesso, pois o amor não é inteligente. Refletir é o mesmo que erguer
casas, pois quanto mais conheço o vocabulário humano, percebo o quanto é
difícil chegar ao íntimo do outro sem pesar, sem ser incômodo.

Sinto-me também inadequada. Escrever é uma ventura perigosa, pois o
coração registra e se revela. Uma escrita nem sempre consegue alcançar,
veda espaços para que o sentimento não fuja ou se perca no caminho.

Ah! Palavra! Segura o significado do vivido, desafia o tempo, engana a
cronologia...mas a vida vivida, só encontra abrigo ali: na casa da palavra.
Se mal edificada, o outro intui, pressupõe conforme sua conveniência. Ela,
(a palavra) pode ser motivo de alargar distâncias, no mergulho do mistério
dos significados.

Só que a minha palavra é pedido de socorro, minha edificação literária é
torta e nela descanso minhas inquietações, hospedo minhas tristezas. Essa
edificação tem teto, que protege minha nudez e é onde escondo minhas
indigências. Mostro mais naquilo que oculto do que naquilo que revelo, pois
no avesso da minha negação, está a minha afirmação.

Não sou terapeuta e você não é paciente. Confidencio pressas e ansiedades,
tempos idos de minhas procuras, quando o coração desejava, mas não
saboreava desejos. Sofrer de juventude é destino e de senilidade também, se
a alcançamos. Lamentar perdas faz parte da vida e a realidade pode ser
cruel, pois o diamante brilha bem mais na vitrine.

Num mundo de especulações, não quero mais o cansaço do argumento,
discussões improdutivas, buscar inutilmente o lustre que o ego carece, pois
as intenções humanas nem sempre conseguem ser decifradas e isso não se
aprende com escolaridade.

Sinto o vento da simplicidade soprar em mim e ele me pede calma,
serenidade. Resolvi obedecer. Sonhos juvenis perdem o viço, o que causava
gozo, deixa de causar. A viagem de retorno pode ser fascinante...e ao mesmo
tempo, dolorosa. Felicidade não é lógica, quebrar regras, que nem sempre
conhecemos, pode gerar a dor que só o amor pode causar e isso ainda me
assombra, pois as teorias todas chegam às minhas páginas reais. Mergulho na
questão e concluo que a desilusão amorosa só tem razão de existir onde
houver uma história de amor.

Para mim, você foi a pessoa mais linda que no meu caminho cruzou. Parecia
personagem de literatura universal: inteligência, sensibilidade, luz
derramada nas minhas sombras; claridade que ainda me envolve e me arrebata.

Se nascemos um para o outro? Isso me parecia parte do nosso destino final,
mas eis a realidade: a estrutura do edifício está ruindo; o amor
fragmentou-se. Levarei, porém, até o último suspiro, essa minha
indagação: seria necessário o amor machucar tanto?

20/04/14 Domingo de Páscoa Campos do Jordão SP MJZTauil


CONFISSÃO DE AMOR

CONFISSÃO DE AMOR

Filemon F. Martins

MOTE

Vou confessar-te, querida,
porque tu és minha flor,
por ti eu dou minha vida,
por ti eu morro de amor.

GLOSA

Vou confessar-te, querida,
que não tenho outro desejo,
só quero ver-te esculpida
na moldura do meu beijo.

Quero sentir teu carinho
porque tu és minha flor
perfumando o meu caminho
sem mágoas por onde eu for.

Não sei se és prometida
- nem quero dizer adeus,
por ti eu dou minha vida
olhando nos olhos teus.

Quero viver tão somente
longe da mágoa e da dor,
se a vida for exigente,
por ti eu morro de amor.


filemon.martins@uol.com.br
www.filemon-martins.blogspot.com
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11740-970-Itanhaém – SP.


terça-feira, 22 de abril de 2014

EXALTAÇÃO À PÁSCOA

EXALTAÇÃO À PÁSCOA
Filemon F. Martins

Vibrai, ó povos do Oriente,
Cantai, ó povos do Ocidente,
Como canta o coro dos remidos!
Uni-vos todos do Planeta Terra,
Porque o Cristo de Belém,
Depois de palmilhar caminhos da Judeia
E pregar a mensagem de amor por toda a Galileia
Doutrinando apóstolos, fazendo milagres,
Curando enfermos, ressuscitando mortos,
Está vivo!
Ele ressuscitou!

Chorai, Jerusalém, chorai,
Porque matastes profetas,
Porque fostes palco da traição de Judas,
Culminando na morte de um inocente!

Contemplai a paisagem deslumbrante,
Roseirais e lírios dos vales de Cedrom,
Perfumai todos os jardins por onde passou
O suave Rabi da Galileia!

Palmeiras dos campos verdejantes,
Prados perfumados e floridos,
Oliveiras da bela cidade de Jerusalém,
Dos hortos e dos montes de Sião,
Rosas brancas, azuis, amarelas e vermelhas
Que perfumam as margens do Jordão
Todo colorido e em festa,
Porque venceu o escárnio e a zombaria,
Porque ressurgiu da morte
O excelso, magistral e sublime
JESUS DE NAZARÉ!

Esta é a canção de amor, de fé e de esperança
Que se espalha pela Terra.
A contrição dos remidos, a música celeste
Que ecoa nos céus trazendo para o povo a vida!
Vida plena, vida de fé, vida de amor, transformação,
Libertação, porque Cristo vive e reina!
JESUS RESSUSCITOU! ALELUIA! ALELUIA!

(Atendendo pedido do amigo William Almeida Bernardes)    


segunda-feira, 21 de abril de 2014

INSISTENTEMENTE (CERES MARYLISE)

INSISTENTEMENTE
Ceres Marylise


Mesmo vivendo sem ti, vivo contigo,
e te levo numa lágrima constante.
Se pretendo fugir por um instante,
recordo e sem querer, eu te persigo.

Estar longe de ti, esse é o castigo
ao ver-te renascer a cada instante,
pois sinto que estando mais distante,
aumenta o amor que trago aqui comigo.

Já sei que nos consome essa distância,
que só faz aumentar a mesma ânsia,
que a mim te algema e me acorrenta a ti!

É muito triste amar-te assim ausente
e se procuro te afastar da mente,
mais me iludo a supor que estás aqui!

(Transcrito da AVBAP) 




domingo, 20 de abril de 2014

PARA VOCÊ

PARA VOCÊ
Filemon F. Martins

Para você que sabe compreender
tudo o que penso, tudo o que sinto;
você, portadora de paz e de ventura,
meu eviterno amor.

Para você que me faz feliz,
porque a Felicidade para mim
não consiste na glória ou na riqueza,
mas está dentro de nós:
no amor que sentimos,
no perdão que damos,
na sinceridade e na compreensão,
que podem superar nossos problemas
e transformá-los em poemas,
por isso eu sou feliz, muito feliz!

Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O ANDARILHO

O ANDARILHO
Filemon F. Martins

“Não me fale de amor,” alguém me disse,
“o amor morreu, já não existe mais”.
E eu retruquei que aquilo era tolice,
- será pecado alguém amar demais?

Ficou parado ali, talvez me ouvisse
que o amor perdoa e espera, sem jamais
querer em troca o favo da meiguice
que perpetua a vida entre os casais.

O tempo foi passando e pela rua
eu vi aquele vulto olhando a lua
perambulando como um peregrino.

E percebi, então, que aquele rosto
marcado pela dor, pelo desgosto,
nunca teve um Amor em seu destino!

Caixa Postal 64

11740 – 970- Itanhaém – SP.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

JUDAS MODERNO

JUDAS MODERNO 
Filemon F. Martins 


Tu que habitas palácios decantados, 
amante da aparência e do dinheiro. 
Os teus castelos ricos, chumaçados, 
nada serão no instante... Derradeiro. 

Tens riquezas e carros importados, 
- contas bancárias pelo mundo inteiro, 
- trabalhadores pobres, explorados, 
tudo para chegares em primeiro... 

Esqueceste do exemplo verdadeiro, 
quando morreu o pobre carpinteiro, 
pregado ao lenho de uma rude cruz. 

Queres poder, és Judas do presente 
vendendo o que aparece pela frente, 
traindo, uma vez mais, Cristo Jesus!


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11740 – 970 – Itanhaém – SP. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

GARIMPANDO A FELICIDADE

GARIMPANDO A FELICIDADE
Filemon F. Martins

Vou garimpando pela vida afora
A lição da humildade que conforta
E traz ao coração a Luz da aurora,
Mesmo que a crença já pareça morta.

De solo em solo, busco sem demora
O cascalho do Amor que aduba a horta.
Busco a pedra da fé, que revigora
E prepara o caminho abrindo a porta.

Não quero, meu amigo, andar a esmo,
Minha sorte depende de mim mesmo,
Que a vida pode ser melhor assim.

E se meus passos forem tão errantes,
Buscando jóias, pedras, diamantes,
- não haverá felicidade em mim!


(Do livro Anseios do Coração, página 62)

domingo, 13 de abril de 2014

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

No teu sorriso, criança,
vejo o mais belo perfil,
porque tu és a esperança
do futuro do Brasil!

Nenhum poema é mais belo
e inspira tanta esperança,
do que um sorriso singelo
no rosto de uma criança.

“Sorriria de feliz”
e o mundo teria paz,
se o coração que maldiz
soubesse perdoar mais.

Monumento de cultura
que o mundo já conheceu:
é Portugal que fulgura,

porque Camões não morreu.

sábado, 12 de abril de 2014

PERSISTÊNCIA

PERSISTÊNCIA
Filemon F. Martins

Sou persistente como o garimpeiro
Que busca a jóia rara e deslumbrante,
Cavando a terra, construindo aceiro,
Para encontrar, altivo, o diamante.

Sou incansável pelo tempo inteiro,
Busco a palavra e o brilho fascinante
Do verso ardente, puro e verdadeiro
Que brilha como o sol, inebriante.

Ninguém me deterá neste garimpo,
Irei, se for preciso até o Olimpo
Buscar minha divina inspiração.

E nestes versos pobres, mas floridos
Meus sonhos ficarão mais coloridos,
Oriundos do Amor, do coração!


(do livro anseios do coração, página 48)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

DESABAFO

DESABAFO
Filemon F. Martins

Não reclamo da vida turbulenta e triste
que a predestinação me faz levar, talvez,
nem quero levantar a voz ou o dedo em riste
para acusar alguém de tanta insensatez.

A consciência cruel por certo não resiste
fazer o bem, amar, viver com honradez.
É próprio do invejoso que na falta insiste
muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.

O calvário de Cristo nos mostrou o quanto
a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,
a ponto de matar um verdadeiro santo...

E desde então as coisas só se complicaram,
o aumento dos Pilatos se tornou visível
e os Judas, com certeza, se multiplicaram!


(DO LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO, PÁGINA 83)

MAR BRAVIO (JÔ TAUIL)

MAR BRAVIO
JÔ TAUIL

Meu barco cavalga
Em ondas bravias
No mar do desengano
Apresso-me no encontro
Acaricio seus cabelos 
Ponho em suas mãos
O coração que não foi meu
Levo comigo somente saudade
E a dor que me invade
Atinge o torpedo
De todos os medos
Enquanto o mar
Atropela o rochedo
Velas ao vento
Sentimentos também
E sigo sozinha
Aproximo-me da orla
Edifícios cambaleiam
Nas águas que desintegram
Os meus devaneios.


(Transcrito do site www.prefacio.net)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

“ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA,
desembargador (Belo Horizonte, MG)”.

A Folha de SP, hoje, publica carta minha, onde ironizo os “baluartes” dos direitos humanos. 
Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais “engajados” escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. 
São como urubus, não podem ver uma carniça.
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. 
Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. 
Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). 
Exigiam que eu liberasse os menores. 
Neguei. 
Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. 
Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução. 
Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e ... os menores ficaram presos.
É assim que funciona a “esquerda caviar”.
Abs.
“ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG)”.

Folha de São Paulo, 10 de janeiro de 2014, Painel do Leitor

“Direitos humanos
“Tenho uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Janio de Freitas, à ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso". 
Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. 
Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do país. 
Sem desconto no Imposto de Renda.
“ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador 
(Belo Horizonte, MG)”.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

TROVAS DE BELMIRO BRAGA

TROVAS DE BELMIRO BRAGA

As almas de muita gente
são como o rio profundo:
- a face tão transparente,
e quanto lodo no fundo!...

Fiz na vida o meu escudo
desta verdade sagrada:
- o nada com Deus é tudo
e tudo sem Deus é nada.

Em ti, minha mãe, se encerra
todo o meu maior troféu:
- guardas num corpo de terra
uma alma feita de céu.

Quem, mesmo nas alegrias,
de lastimar não se furta
de ver tão longos dias,

para uma vida tão curta?...

terça-feira, 8 de abril de 2014

CURVA DO CAMINHO

CURVA DO CAMINHO
Filemon F. Martins


Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.

Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante” sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...


No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...


... E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!

(DO LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO, PÁGINA 110)