segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A JANGADA

   A JANGADA
                Filemon F. Martins
Ei-la singrando a imensidão dos mares
tão frágil, tão veloz e independente,
deixando  a praia, busca  outros lugares
sem medo, sem temor, inconseqüente...

Lançada ao mar...as ondas pelos ares...
vai conquistando o mar  azul, fremente,
não há tristezas, dores, nem pesares...
só a jangada deslizando à frente.

As ondas vêm e vão...e chega a tarde,
aflora um sentimento de saudade
e ela retorna cheia de emoções.       

Quantos sonhos viajam na jangada,
mas ao raiar da fresca madrugada
vai para o mar repleta de ilusões.

filemon.martins@uol.com.br
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11740-970- Itanhaém – SP.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

LOUVADA SEJA ADÉLIA

LOUVADA SEJA ADÉLIA
         Beatriz Dutra
Sigo pela contramão,
por não saber ser correnteza...

Escrevi no poema.

Tempos depois,
descobri-me
muitíssimo bem acompanhada.

Estar na contramão,
é andar no sentido contrário do rio
para descobrir sua fonte.
Todos os poetas fazem assim.

Consolaram-me
as simples e sábias palavras
de Adélia Prado.

(Postal Clube-Antologia 12, página 24)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

NUANCES

NUANCES
Miguel Eduardo

Momento único
O gosto prova
Degustar mais úmido
Que arrepia o ver
No cristalino olhar
Raiar sucessivamente
Certeza tímida
E silêncio virgem
...
Salgada seja a cadência
Que a pele entoe
Sensualmente
Na viagem em ti

(Do site www.prefacio.net)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LIBERTA-ME

LIBERTA-ME...
M. Lurdés Souza (LY)

Ah! Saudade
Que mora
Dentro
Sem dó
Destrói
O presente
Suplico
Sai de mim
Lembrança
E Jaz ausente
Neste ser carente
Dissipa a tristeza
Que sei
Ainda
Por hora
Pulsa
....Veemente.

(Do site www.prefacio.net)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PONTO DE ENCONTRO

PONTO DE ENCONTRO.
                        Baroneto

Há quem diga... Poeta escreva!
Há quem diga... Poeta rime!
Há quem diga... Poeta silencia!
Há quem diga... Poeta desenhe!

Silencio na alma que rima.
Silencio na alma que sonha.
Silencio na alma que outrora...
Foi o hino das andorinhas, cantando...
Em verões de perfumadas primaveras.

Deixai cair no manto da noite...
O cintilar de formosas estrelas!
Enquanto as nuvens escondidas...
Espalham-se na infinita luz de fina prata.

Aqui em meu cantinho solitário...
Vou curtindo com saudade...
A beleza de uma sinfonia no coaxar
Dos sapos namorando a lua...
Que garbosa mostra-se toda beleza...
Como se fora a dama da noite apenas nua!
(Do site www.prefacio.net)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

MILAGRE

MILAGRE
                Araci Barreto
A memória me mostra
a solidão em que me perdi
porque mal te conheci,
mas te guardei nos sentidos.
Pouco percebo de mim,
mas isso é bom porque
teus olhos brilham
eternificando-me.
E, se morro, logo ressuscito
pelo milagre do teu sopro
e a suave essência que
emana do teu corpo.

(Postal Clube-Antologia 11, página 19)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PARADOXO

PARADOXO

Filemon F. Martins

Quase sempre erramos
porque queremos ser fortes e poderosos
na jornada da vida.
Esquecemos que é a brisa leve e suave
que produz música ao balançar as folhas das árvores
e não a tempestade que fere, mata e destrói.

filemon.martins@uol.com.br

www.filemon-martins.blogspot.com
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11740-970- Itanhaém – SP.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SE PUDESSE

SE PUDESSE
              Théo Drummond
Pudesse dar-te a estrela que aparece
- antes da noite vir – tão branca e pura,
e que no céu, sozinha, permanece
depois que a noite vem, soturna e escura.

Também dar-te-ia a lua, se pudesse,
e o sol, e as nuvens cheias de brancura,
e o vento, as flores, tudo mais que houvesse
para provar-te o amor que não tem cura.

Na verdade, são sonhos que comigo
carrego na certeza de que não
poderei alcançar o que persigo.

Mergulhado em tremenda frustração
por perceber que nada mais consigo,
eu só posso te dar meu coração.

(Do livro PORTA DO CORAÇÃO, página 52)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

MEU AMOR

MEU AMOR      
                Filemon F. Martins
Quando surge, no céu, a luz da lua
espalhando seus raios pelo chão,
eu me transponho para aquela rua
onde te dei amor, meu coração.

Desde então, minha vida te cultua
no prazer de viver esta emoção,
e espero que a rotina não destrua
nosso ninho de amor, nossa paixão.

À noite, o céu de estrelas se ilumina,
um convite à ternura que domina
e cresce o sentimento entre nós dois...

E no leito de amor, onde deslizo,
sinto o prazer que vem do paraíso,
por que, então, adiar para depois?

Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém – SP.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

REMORSO

     REMORSO
                      Olavo Bilac (1865-1918)
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei, calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que esperdicei na juventude,
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

(Do livro VIDA E POESIA DE OLAVO BILAC, página 284, de FERNANDO JORGE)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PRECE

        PRECE
                Carla Ceres Oliveira Capeleti (Piracicaba-SP)
Feliz, sou portador de dom bem raro:
Sei ver, onde estiver, amor e encanto.
Sorrindo das tristezas vãs, reparo
Que a dor (mesmo a maior) não dura tanto.

Deus deu à própria noite um tom mais claro.
Com brilhos siderais, teceu-lhe o manto.
Por nós, fez a esperança que comparo
A estrelas indicando um rumo santo.

A fonte da alegria é permanente.
A dor goteja às vezes, de outra fonte,
Qual lágrima que cessa de repente.

Que eu possa, usando risos como ponte,
Fugir de toda dor que me atormente,
Dar graças pelas luzes do horizonte!

(Do livro VII Prêmio Escriba de Poesia, página 24)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

AFINAÇÃO...

Afinação...
Miguel Eduardo (Poeta paulista)

É num tempo vibrando
Incisivo e suave
Como flores ao vento
Sorrindo

Que soam tambores
No céu já tinto
De sangue
Pintado

E à lembrança se vai
Sem horizonte ou cor
De porta em porta
A sonhar

Pelo clima sedutor
Algo assim grave
Que flui à flor da pele
Alvo cetim

E embora o rigor
E o jeito calmo e terno
É mesmo o que se quer
Sem demora
(Do site www.prefacio.net)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SER MULHER

SER MULHER
Catharina Dirce Arcoverde
Ser mulher
No seu interior
Está a energia do amor
A força do amor
Amar a si mesmo
A mulher ama de verdade
Cultiva o amor
Cultiva carinho amizade
Sentir intenso dento de si
Um aroma que vai por inteiro
Na suave cortesia do amor
Sente soprar o vento
Com o olhar do amor
Sente ... pressente
No profundo d´alma
A arte de amar
Amor é suave pleno
O amor é arte de amar
Encontrar-se consigo mesmo
Por amor à arte
Amar sempre
O amor
Ser feliz assim...
A mulher e o amor!
(Do site www.prefacio.net)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ESSA QUE EU HEI DE AMAR...

ESSA QUE EU HEI DE AMAR...
                Guilherme de Almeida (Campinas-SP)
Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a esta alma escura e fria.

E, quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela...
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz... Tudo isso eu me dizia,

Quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste...

E falou-me de longe: “Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!”

(Do livro MEUS VERSOS MAIS QUERIDOS, páginas 29/30)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

GENTE HUMILDE

GENTE HUMILDE...

Tancredo Alves

Gente humilde traz no olhar
O brilho das estrelas
Nos lábios um sorriso largo
Na alma os raios sol
E um coração repleto de bondade.
A estas pessoas quero dizer
Tem uma coisa que de simplicidade.

Ao lado de gente simples é sempre assim
Aquele bom dia, boa tarde e boa noite
São palavras que falam
Sentimos abraçados por elas
São palavras de verdadeiras
Imantadas com conforto
Espelhando a luz da sabedoria
Trazendo consigo a humildade.

Ao lado de gente simples e humilde
Sentimos importantes
Essas gentes nos fazem sentir gigantes
Porque são feitas de essência do Criador.

(Do site www.prefacio.net)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PLENA

P L E N A
Veronica de Nazareth-Noic@

Do sentido
à sensação,
lembrança
e fio
conexão.
Calor,
arrepio intenso
mão-saudade,
toque
de amor.
Viagem
no tempo,
fronteira vencida
em desejo
ausência e lamento.
Instante,
vontade serena
no toque
da volúpia,
entrega à
carícia plena...

(Do site www.prefacio.net)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

VOAR...

Voar...
         Enar Britos de Souza

Na imensidão azul do céu,
um pássaro voa...
voa...
quanta paz...
nessa liberdade
de voar...
às vezes sinto vontade
de ser um pássaro
para poder voar
sobre todo o mal
voar para longe de tudo
que me deixa triste
voar numa viagem sem fim...
voar numa viagem impossível
voar...
para longe de mim...

(Do site www.prefacio.net)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

NOSSO AMOR

                          NOSSO AMOR
                                        Filemon F. Martins  
                    Nosso amor floresceu entre os espinhos
                   e junto a eles, talvez, há de crescer.
                   Mas crescerão, também, nossos carinhos,
                   pois sem eles jamais vamos viver.
                   Nem devemos ficar desanimados
                   por termos que sofrer separação,
                   mas sejamos fiéis e consagrados
                   a esse amor que nasceu no coração.
                   Não devemos, assim, viver chorando
                   por sermos perseguidos pela dor.
                   Antes, tenhamos fé sempre cantando
                   e bendizendo a Deus por nosso amor.
                   Se tivermos a fé que vence o mundo,
-         os espinhos em flores se farão,
porquanto unidos nesse amor profundo
havemos de vencer a solidão.
E se formos, um dia, desprezados,
nosso amor vencerá, cremos em Deus:
-         Nossos sonhos serão realizados
se confiarmos nos conselhos Seus.
Então, vamos viver num paraíso,
um lar de paz, amor, compreensão,
onde você feliz, com seu sorriso,
será do meu viver toda a razão!


Caixa Postal 64
11740-970 – Itanhaém – SP.


                           

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A JANGADA

A JANGADA
                   P.J. Tomaz
De vela solta, ao vento desdobrada,
Cortando as ondas, vai deixando a praia,
Deixando longe a terra da jangada,
Pequena, afoita, intrépida, a jangada.

Ei-la  tão frágil sobre o mar lançada!...
Abrem-se as vagas, ruge o mar e ensaia
Cortar-lhe a marcha, quando longe raia
Clara, tranquila, fresca, a madrugada.

E a vela avança... Rasgo de bravura
De uma raça de heróis!... o mar murmura...
É mais uma epopéia, um feito novo!...

E aberta, panda, cheia de ansiedade,
A vela corta o azul da imensidade,
Levando longe a intrepidez de um povo.

(Composições Escolares, página 17)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

APENAS SÓ...

Apenas só*
Karinna

Pudesse adivinhar-te
Entre silêncios e palavras
Em conjecturas escarlates
Pintadas nas pseudo vidraças...
Pudesse vislumbrar-te
Entre os cinzas que me tomam
Sufocando todos os meus sons
Dissonantes tentativas...
Desgarradas dos meus vãos.
É somente meu esse abandono
Íntima confissão cabisbaixa
Ecoando em rubras clausuras
Sufocando-me de tuas ausências,
Desafinadas de ternuras...
Nesse segundo sou apenas solidão
E meus olhos desbotados são telas
Boreais, das minhas inúteis quimeras.

Sou apenas só...
Karinna*      
(Do site www.prefacio.net)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

TROVAS

TROVAS

Vendo os sonhos em pedaços,
faço-me, ainda, de forte,
e rio, como os palhaços,
da minha falta de sorte!
       Maria Thereza Cavalheiro
Na minha vida pacata
que levo desde menino,
tenho sido um acrobata
no circo do meu destino.
       Filemon F. Martins
Por detrás de sua farsa,
quantas lágrimas contidas!
Mas o palhaço disfarça
a tristeza de outras vidas.
       Amaryllis Schloenbach
A criança, rica ou pobre,
na plateia, em meio ao povo,
no circo vibra e descobre
um mundo deveras novo!
       Hermoclydes Siqueira Franco

(Jornal Radar, Apucarana, PR - coluna TROVAS, de Maria Thereza Cavalheiro, página 18, dezembro/2010)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ETERNIDADE...

E T E R N I D A D E...

            Veronica de Nazareth-Noic@

Amanhece.
Na esquina dos sonhos,
o aceno do tempo.
Parado...
Meditativo, revê a vida.
Puxa a ponta do fio
e o nó se desfaz.
Agora,
é linha única,
uma reta que
foi tão sinuosa,
cheia de curvas.
Não há mais mistério.
Somente luz e brilho,
para tanta paz
e todas as certezas.
O mais profundo olhar
sobre os sentires todos,
que esvanecem.
E nem foi só a travessia,
apenas um ponto-parada,
onde
um instante
é a
Eternidade...


(Do site
www.prefacio.net)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A LUZ QUE ILUMINA O NOSSO AMOR

A LUZ QUE ILUMINA O NOSSO AMOR
                    Zany Lopes
Esta luz que agora emana livre
É como a minha alma
Que liberta
Vai ao encontro da tua...

Esta luz leva consigo
A vontade de liberdade
A sensação de paz
A esperança de uma vivência feliz...

Esta luz brilhante
Que inunda o espaço
Trás junto um aroma de mato
Uma leveza de espírito...

Esta luz reluzente
Como a luz de uma aura de anjo
Me dá a certeza de que viveremos felizes
Nos amando e nos respeitando para sempre!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OS VERSOS QUE TE DOU

Os versos que te dou
J. G. de Araújo Jorge
Ouve estes versos que te dou, eu os fiz
 hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...
E hei de faze-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei  depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...
Estes versos repletos de ternura
são versos meus, mas que são teus, também...
                        Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém              
que possa perturbar vossa ventura...
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revive-los
nas lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido
e outros versos quiseres, teu pedido
deixa ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores,
pois são os versos de amor que ainda te dou.

(Do livro "Meu Céu Interior" – 1934)