sábado, 19 de fevereiro de 2011

REMORSO

     REMORSO
                      Olavo Bilac (1865-1918)
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei, calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que esperdicei na juventude,
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

(Do livro VIDA E POESIA DE OLAVO BILAC, página 284, de FERNANDO JORGE)

Um comentário:

Miguel Eduardo Gonçalves disse...

É descomplicado, quem quiser saber de poesia, basta vir ler tantas lições, que teu blog, Filemon, nos traz, de uma refinada seleção!
Abs., Miguel-