segunda-feira, 30 de setembro de 2013

TROVAS (Diversos Autores)

        TROVAS (Diversos Autores)

A Deus pergunta o descrente
qual o Seu melhor trabalho,
sem notar à sua frente
uma gotinha de orvalho.
        LANNOY DORIN
Seguindo-as pelo infinito
e sem poder entendê-las,
nosso olhar passeia aflito,
mas se encontra nas estrelas...
        MARIA THEREZA CAVALHEIRO
No mundo do desamor,
ao poeta, nada importa,
se na saudade ou na dor
a inspiração o conforta.
        FILEMON F. MARTINS
Por um capricho da sorte,
por uma estranha tortura,
o amor que me leva à morte
é o que me dá mais ventura!
        ELISABETH SOUSA CRUZ


(Coluna de Maria Thereza Cavalheiro, BALI, página 14)

domingo, 29 de setembro de 2013

TROVAS (Autores diversos)

TROVAS (AUTORES DIVERSOS)


ESTENDENDO AS NOSSAS MÃOS,
mesmo aos nossos inimigos,                 
será o mundo de irmãos,     
sem guerra e outros perigos.
        José Miranda Jordão
        Rio de Janeiro – RJ

“Sem guerra e outros perigos”
seria o mundo uma flor,
sem maldades, sem castigos,    
só de amor, de muito amor.
        Kideniro F. Teixeira
        Fortaleza – CE

“Só de amor, de muito amor”
e de sonho mais profundo,      
se eu pudesse, sonhador,       
viveria nesse mundo!
   Daniel de Carvalho
   Nova Friburgo – RJ

“Viveria nesse mundo”
sempre com muita alegria,      
se o amor fraterno e profundo  
existisse todo dia.
   Inocêncio Candelária
   Mogi das Cruzes - SP


sábado, 28 de setembro de 2013

AMOR

AMOR 
Filemon F. Martins
 
MOTE 
Vou confessar-te, querida, 
porque tu és minha flor: 
por ti eu dou minha vida, 
por ti eu morro de amor. 
GLOSA

 
VOU CONFESSAR-TE, QUERIDA, 
já não tenho outro desejo. 
Só quero ver-te esculpida 
na moldura do meu beijo. 

Quero sentir teu carinho, 
PORQUE TU ÉS MINHA FLOR 
perfumando o meu caminho 
sem mágoas e sem rancor. 

Quero a Terra Prometida 
que vejo nos olhos teus, 
POR TI EU DOU MINHA VIDA 
sem nunca dizer adeus. 

E vivendo intensamente 
zombando da própria dor, 
posso jurar docemente: 
POR TI EU MORRO DE AMOR. 

filemon.martins@uol.com.br 

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11740-970 – Itanhaém – SP. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

SONETO DO AMOR COMO UM RIO (Mário Quintana)

SONETO DO AMOR COMO UM RIO
         MÁRIO QUINTANA (Poeta gaúcho, 1906-1994)

ESTE INFINITO AMOR DE UM RIO FAZ
QUE É MAIOR DO QUE O TEMPO E DO QUE TUDO
ESTE AMOR QUE É REAL, E QUE, CONTUDO
EU JÁ NÃO CRIA QUE EXISTISSE MAIS.

ESTE AMOR QUE SURGIU INSUSPEITADO
E QUE DENTRO DO DRAMA FEZ-SE EM PAZ
ESTE AMOR QUE É O TÚMULO ONDE JAZ
MEU CORPO PARA SEMPRE SEPULTADO.

ESTE AMOR MEU É COMO UM RIO; UM RIO
NOTURNO, INTERMINÁVEL E TARDIO
A DESLIZAR MACIO PELO ERMO...

E QUE EM SEU CURSO SIDERAL ME LEVA
ILUMINADO DE PAIXÕES NA TREVA

PARA O ESPAÇO SEM FIM DE UM MAR SEM TERMO.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A VERDADE E A ILUSÃO (Angela F. P. Lima)

A VERDADE E A ILUSÃO

Angela Faria de Paula Lima

A verdade é uma só, mas tem desdobramentos
E dou-lhe três razões que guiem seu destino:
1-Não se prenda demais com as coisas do passado
Aceite os motivos da ausência no momento...

2-Existem duas razões que mudam sua vida
E qualquer delas vêm só para acrescentar.
Ou você muda porque já aprendeu demais
Ou já sofreu bastante para se transformar...

3-E a terceira que é talvez mais importante:
Não dependa de ninguém em sua existência
Pois da sua história só você tem a ciência....

Lembre-se que só Deus não se mantém distante
E que até mesmo a sua sombra é ilusão
Pois o abandona quando vem a escuridão!.....

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SONETO VIII (Mário Quintana)

Soneto VIII
Mário Quintana  (Poeta gaúcho, 1906-1994)


Recordo ainda... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada fora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... Acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

VELHO CHICO

VELHO CHICO 

Filemon F. Martins 

Desde menino, 
em Morpará, 
aprendi com o Sertanejo 
que o Velho Chico 
nasce na Serra da Canastra, 
em Minas Gerais. 
Aprendi também que o nosso rio 
era conhecido como o “Nilo Brasileiro”, 
ou ainda “Opará” pelos indígenas. 

Com mais de 2800 km de extensão 
percorre Minas, Bahia, 
Pernambuco, Sergipe e Alagoas, 
desembocando no Oceano Atlântico. 

Hoje, 
assoreado, poluído e maltratado, 
precisa de revitalização. 
Suas matas ciliares foram, 
aos poucos, destruídas, em nome do progresso. 

Mas, agem ao contrário, 
querem mudar seu curso. 
Querem mudar seu destino. 
Dizem, cinicamente, que trará benefícios, 
mas não informam aos bolsos de quem. 

Ah, São Francisco de Assis, 
se o Velho Chico falasse, 
certamente falaria: 
Quero correr entre as árvores, 
frutificando pomares, perfumando jardins, 
irrigando aquelas terras 
do já tão seco Sertão. 
Quero seguir meu curso 
como quis meu Criador, 
alimentando pescadores, 
pobres e esquecidos 
que vivem perto de mim. 
Quero que todos saibam, 
estou morrendo de dor. 

filemon.martins@uol.com.br 

Caixa Postal 64 
11740-970 – Itanhaém – SP. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SEMEADURA

         SEMEADURA
                        Abel B. Pereira
Sou livre para ouvir canções de amor;
a vida é dura!...
Brota a planta, semente vira flor;
semeadura!
És planta, és flor, árvore de fruto
em minha vida!...
És sal, és sol, és solo que eu desfruto;
redimida!
Joguei valor temido e destemido
de teus braços!...
Que eu lanço porta afora, deprimido,
pelo espaço!
No crescente a cada gozo apreciar
a fantasia!...
No estertor, a explosão de tanto amar
me extasia!
Eu quero o teu crescer de um ser vivente
dentro de mim!...
Para que eu seja eterno, qual semente,
até o fim!


(Coletânea LETRAS NO BRASIL, página 58)

domingo, 22 de setembro de 2013

VELHAS ÁRVORES

Velhas árvores

Olavo Bilac

Estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

 O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

 Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

 Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!


sábado, 21 de setembro de 2013

A ÁRVORE

A ÁRVORE
Filemon F. Martins

Árvore amiga – símbolo sagrado,
- presente do bom Deus à criatura,
portadora de paz ao que, cansado,
vai procurar descanso da amargura.

Com sua sombra acolhe o desprezado
que passa pela estrada sem ventura
e o protege feliz, reconfortado,
para viver, lutar, sempre à procura

do seu destino – eterno caminheiro
em busca de um amor hospitaleiro,
onde a Felicidade tem guarida...

Pois desprezo a ganância do insensato
que põe abaixo as árvores e, ingrato,
não percebe que mata a própria vida!

filemon.martins.blog.uol.com.br


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

COISAS DE AMOR

COISAS DE AMOR

Filemon F. Martins      
         
É noite calma. A lua está brilhando,
namorados passeiam pela rua,
enquanto aqui a sós fico sonhando,
- como dói no meu peito a ausência tua.

Quisera, nesta noite, estar amando
tranquilo a contemplar a luz da lua
e seguirmos, unidos, procurando
novos sonhos, que a vida continua...

Meu coração, porém, desconfiado,
parece reviver triste passado,
- não acredita mais nesta emoção.

Se a vida não perdeu o encantamento
desse sonho de amor, desse momento,
- coisas de amor não têm explicação.

Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

SONETO V

SONETO V
Paulo Bonfim – Sonetos - 1959


Alquimia do verbo. Em minha mente
Recriam-se palavras na hora vária,
A poesia se torna necessária
E as flores rememoram a semente.

É preciso que exista novamente
A aventura distante e temerária
De em ouro transformar a dor precária
E em nós deixar correr a lava ardente.

Que emoção profunda e mineral
Corra nos veios desta carne astral
E encontre em mim aquilo que procura.

Na paisagem que for, já sou nascido:
Nas formas criarei o elo perdido,
E, em lucidez, serei minha loucura.

(http://texturadasletras.blogspot.com.br/2009/04/soneto-v-paulo-bonfim.html- Nancy T - )






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O BRASIL DE LUTO

O BRASIL DE LUTO
                                      Filemon F. Martins (Itanhaém-SP)

Ao votar a favor dos chamados embargos infringentes, o ministro CELSO DE MELLO, do Supremo Tribunal Federal deixou o Brasil de luto. Segundo ele, o “STF NÃO PODE SUBMETER-SE À VONTADE DE MAIORIAS CONTINGENTES”.
Mas, queira ou não, pode submeter-se aos caprichos do poderio econômico dos políticos do PT. Pobre Brasil! Até o Judiciário Federal dobra-se aos mandos e desmandos dos que governam o país. Parece que o povo brasileiro ainda tem que protestar muito para fazer do Brasil, um país decente, porque não há dúvida, para os políticos brasileiros, o crime compensa e muito.
Ao escrever estas linhas, o coração aperta, quase sem forças, sem esperança no futuro para nossos filhos, filhas e netos e eu me lembro do poema A IMPLOSÃO DA MENTIRA, do Poeta AFFONSO ROMANO DE SANT’ANA, cujo 1º fragmento transcrevo:                A IMPLOSÃO DA MENTIRA
Affonso Romano de Sant'Anna

       Fragmento 1

               Mentiram-me. Mentiram-me ontem
               e hoje mentem novamente. Mentem
               de corpo e alma, completamente.
               E mentem de maneira tão pungente
               que acho que mentem sinceramente.

               Mentem, sobretudo, impune/mente.
               Não mentem tristes. Alegremente
               mentem. Mentem tão nacional/mente
               que acham que mentindo história afora
               vão enganar a morte eterna/mente.

               Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
               falam. E desfilam de tal modo nuas
               que mesmo um cego pode ver
               a verdade em trapos pelas ruas.

               Sei que a verdade é difícil
               e para alguns é cara e escura.
               Mas não se chega à verdade
               pela mentira, nem à democracia
               pela ditadura.