quinta-feira, 31 de maio de 2012

SANDÁLIAS


         SANDÁLIAS



                   Ricardo Alfaya



Queria cantar

Já era tarde

Movia-se a noite para longe

Logo viria o dia?

Arrastava as sandálias pela sala

o ruído

antes que acontecesse

já ouvia e ria

pensando em dálias.

Que as palavras nele tinham por hábito

produzir esse efeito de evocação

Dália

flor que nunca vira

às vezes demente

poderia ficar horas se quisesse observando-a

a esmo

mesmo que não existisse

a vida passava

deixando marcas no carpete.



(ANTOLOGIA VMD INTERNACIONAL, PÁGINA 133)

terça-feira, 29 de maio de 2012

TROVAS


        TROVAS

        Filemon F. Martins



Chega a Maíse, lourinha,

com a beleza da flor:

- da mamãe, a ternurinha,

- do papai, bondade e amor.



“Um ser divino na terra”

criança – futuro em flor:

pequenina, mas encerra

um tesouro de valor.



Na subida, companheiro,

observe esta lição:

quanto mais cresce o coqueiro,

mais longe fica do chão.



No livro da Natureza

as lições são sem iguais.

Tenho, por isto, certeza

que é onde se aprende mais.



Vejo o céu – lua crescente

bailando maravilhosa...

Penso em você, sorridente,

neste meu céu cor-de-rosa.




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segunda-feira, 28 de maio de 2012

RECORDAÇÕES


        RECORDAÇÕES



                COURA NETO



Eu recordo da capela amarela,

Onde fiz a primeira comunhão.

De todas construções era a mais bela,

Cantada com amor no meu rincão.



Que saudades do padre bonachão,

A ensinar o evangelho à luz de vela,

Dos cochilos no banco da capela,

Dos te-déuns e da santa confissão.



De balandrau acompanhando a santinha,

Eu seguia a procissão lá na pracinha,

Tudo era fé, fervor, fraternidade.



Tornei-me homem... e a infância tão garrida,

Se evolou na cidade mui querida,

Só restando a dor acre da saudade.



(QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA, PÁGINA 40)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

RECORDAÇÃO


   

Recebi, do amigo Antônio Monteiro, de São Paulo, correspondência com o seguinte bilhete:

“Filé, com a ajuda da excelente memória que Deus me deu, transcrevi para este papel, também escrito à máquina de escrever, estes lindos versos em forma de TROVAS, que você tão humildemente me enviou, por volta dos idos de 1968, ainda em Morpará (Ba), há 44 anos atrás. É para o amigo ver, olhar, apreciar, lembrar, relembrar e recordar os versos de sua própria autoria.” Abraços, Antônio Monteiro



Eis os versos:


        RECORDAÇÃO

                 Filemon F. Martins



Relembro aqueles tempos de criança,

aquelas tardes que não voltam mais,

quando corria cheio de esperança

em busca dos meus sonhos e ideais.



Relembro aquela quadra venturosa,

os versos que escrevia no Sertão,

quando vivia em busca de uma rosa

que me amasse de todo o coração.



Hoje, recordo com saudade imensa

aqueles campos, flores naturais;

mas não tenho consolo ou recompensa,

pois esse tempo não me volta mais.



Relembro e em sonho vejo aquela serra (*)

que às vezes contemplava comovido,

admirando a beleza que se encerra

nos matagais do meu torrão querido.



Recordo o meu estudo de criança

e com saudades lembro os ideais,

e aqueles dias cheios de esperança

cheios de flores, sonhos irreais.



Por isso eu vivo a recordar os sonhos

e aqueles tempos de venturas tais,

tempos que para mim foram risonhos,

mas que na vida não desfruto mais.



(*) – SERRA DO CARRANCA



Nota do autor: eu tinha 18 anos quando escrevi este poema, que, graças ao amigo Antônio Monteiro, não se perdeu no tempo. Minha gratidão, amigo.   




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quinta-feira, 10 de maio de 2012

MÃE, A MULHER IMORTAL


MÃE, A MULHER IMORTAL (FRAGMENTOS)



        José Britto Barros



Salve, tu, ó mãe, mulher maravilhosa!

És digna de receber os prêmios da imortalidade!



Não há beleza maior do que a tua,

Pois és um quadro vivo de amor e de ternura!



Não há arte maior do que a tua,

Pois tens que apresentar no palco da vida

Um viver impoluto para servir de exemplo

Aos teus filhos mui caros.



Não há mestra mais eficiente do que o és,

Pois tens que ensinar os caminhos do bem e da virtude

Àqueles a quem deste a existência!



Por tudo isso, e muito mais

Que não podemos expressar,

Tu és, ó mãe,

A mulher imortal!



Assenta-te no trono

Como a Rainha de todas as mulheres,

Para onde és conduzida pelos arautos do amor,

Pois é o amor a motivação máxima do teu nobre viver!



Recebe também o cetro da harmonia.



Pois é assim que diriges o reino do lar,

Onde sempre decretas a paz e a tranquilidade.

Deixa ainda que coloquemos sobre a tua cabeça,

Ó doce mãe querida, o diadema real

Da suprema e excelsa nobreza a que fazes jús

Por seres tu quem és:

MÃE, A MULHER IMORTAL!!!



(Do livro “DOCE MÃE, QUERIDA MÃE, IMORTAL!!!, páginas 9/11)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

À MINHA MÃE


À MINHA MÃE
(Homenagem às mães que já partiram)

Quanta falta me faz
o teu colo, mamãe.
Às vezes me pego sonhando
e confabulando sobre assuntos diversos.
Um relicário de saudade!

Quantas vezes ouvi tua voz severa e dura,
mas cheia de ternura e de carinho
ao falar comigo, quando ia visitar-te.
Quantas vezes choraste em silêncio
com a ausência de teus filhos?

Como pode a dor pesar tanto no meu peito?
A saudade toma conta do meu coração.
Meu sonho bonito e risonho foi desfeito.
Se me viste nascer, crescer e viver,
por que partiste sem dizer adeus?

Meu coração soluça de saudade,
que tortura é sofrer e chorar?
A dor de ficar na orfandade
nunca vai acabar.

Estes versos escrevo chorando,

lamentos de um coração,
- por que não te vi partir?
Lágrimas vou derramando
mergulhado no desgosto e na saudade
de nunca mais te ver.

Mas eu te bendigo, mãe, onde estiveres
com todo amor e minha inspiração,
meus versos são teus, eu os deponho
porque aqui, de joelhos, eu te entrego

meu amor, minha luz, meu coração.




Caixa Postal 64

11740-970-Itanhaém – SP.

terça-feira, 8 de maio de 2012

CARTA DE OUTUBRO, 1950.


         CARTA DE OUTUBRO, 1950.



                   Miguel Russowsky



Hoje estou triste... As mágoas andarilhas

estão de volta e batem na vidraça.

Pela varanda o Tempo, insosso, passa

arrastando sem som as sapatilhas.



Há promessas envoltas de fumaça...

(Coitadas! São princesas maltrapilhas

que se perderam por esconsas trilhas)

sangrando os pés descalços na desgraça.



Hoje estou triste... A carta que releio

(Outubro de cinquenta. Primavera!)

falava que viria... Mas não veio.



O destino a levou... Em mim persiste

aquela jura acesa na quimera.

Envelheci. Meu Deus!... Hoje estou triste.



(QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA, página 117)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

SER MÃE


         SER MÃE



                   ADALBERTO BOANERGES VIEIRA



Ser mãe é dar a vida em prol de uma outra vida;

Ser mãe é prolongar a obra da criação;

Ser mãe é aumentar a sua imensa lida;

Ser mãe é realizar a mais nobre missão.



Ser mãe é ser amada e ser sempre querida;

Ser mãe é ter no peito um santo coração;

Ser mãe é já viver alegre e entristecida;

Ser mãe é ser real e viver na ilusão.



Ser mãe é espargir da bondade uma luz...

Ser mãe é ter a ideia da Mãe de Jesus;

Ser mãe é ser eterna e viver entre amores...



Ser mãe é possuir uma benção dos céus;

Ser mãe é cooperar na grande obra de Deus;

Ser mãe é já viver entre espinhos e flores...



(Do livro “POESIAS EVANGÉLICAS”, página 15)






domingo, 6 de maio de 2012

UMA MURALHA DE DEUS CHAMADA MULHER


UMA MURALHA DE DEUS

   CHAMADA MULHER



         José Britto Barros



Um dia Deus criou uma muralha

A fim de proteger muitas pessoas...

E aí ela está, quase não falha,

Fazendo sempre muitas coisas boas.



Como escrava ela fez cesta de palha

Para salvar Moisés! Ganhou coroas...

Disse a Cristo também: Dá-me a migalha

Pois minha filha só Tu abençoas!



A muralha de Deus por este mundo,

Em toda parte e com amor profundo

Realiza o melhor onde estiver...



Tem gestos de bondade e sentimento,

Está pronta a servir qualquer momento.

Deus, quando a fez, chamou-a de MULHER!





(Do livro “Doce mãe, Querida mãe, Imortal!!!”, página 49)

sábado, 5 de maio de 2012

MÃE


                   MÃE



                      Mário Barreto França



Quando eu vejo um berço onde se inclina

a mais santa mulher que o filho agrada,

lamento a minha sorte, a minha sina

que me fez te perder na infância amada.



De então, pela existência peregrina,

falta-me tudo, mãe! Não tenho nada

que me dispense a graça pequenina

duma amizade desinteressada.



Ai quem me dera te tornar à vida

para inda ouvir a tua voz querida

e em teus braços maternos repousar,



Porque somente o que tem mãe no mundo,

pode encontrar no seu amor profundo,

a fé e o alento para crer e amar!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

TROVAS


            TROVAS



Eu peço a Deus permitir

que nunca me falte o pão

para sempre o dividir

com o pobre – meu irmão.

        BRAZ APARECIDO



Não pode a pedra ter culpa

do mal que possa causar.

Mas não merece desculpa

a mão que a pedra atirar.

        GERALDO OLIVEIRA



O sorriso da criança

tem tanta força envolvente,

que a gente crê na esperança,

mesmo descrendo da gente!

        CAROLINA RAMOS



Se queres na tua estrada

um quadro que te conforte,

vê na semente plantada

a vida vindo da morte.

        CARLOS RIBEIRO ROCHA



(Do livro “ESCRÍNIO”- 1981-SELEÇÃO ANUAL DE TROVAS)

quinta-feira, 3 de maio de 2012


SAUDADES DE ÓRFÃO



        Mário Barreto França



Diante do teu retrato, mãe querida,

Ao ver-te assim tão bela e tão serena,

Penso: se foras viva, a minha vida

Seria mais feliz e mais amena.



Creio que esse pesar que me envenena,

Nessa desilusão incompreendida,

Mudaria em minha alma a triste cena

No quadro da alegria conseguida...



E eu cantaria um hino de vitória,

Comporia um poema em tua glória,

Para que a alma modesta da orfandade,



Ao repetir os versos que eu fizesse,

Elevasse a Jesus a humilde prece

Da gratidão, do amor e da bondade.



(Do livro “O LOUVOR DOS HUMILDES”, página 19)