segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CONFISSÃO DE NATAL


Confissão de Natal

Israel Belo de Azevedo

 

Amo o Deus que em Jesus se prostra, inclinando-se para escutar quem não crê, para encontrar aquele que ainda não tem fé, por amar completamente -- eis a sua proposta.

Amo o Deus que em Jesus se mostra como aquilo que amorosamente, plenamente é: até para quem não queira se deixar por Ele escolher, para o vazio do seu coração, Ele é a única e completa resposta

Amo o Deus de braços pregados na cruz e cujas solenes palavras finais são longos gemidos de gracioso perdão para os que do seu sangue fizeram pus.

Amo o Deus de corpo cortado ao ritmo dos cravos batidos e cujo silêncio no túmulo não teve companheiros conhecidos até que a história, no terceiro dia, conhecesse a plenitude da sua luz.

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. SAMMIS REACHERS-RJ)

domingo, 30 de dezembro de 2012

MENSAGEM DO ANJO


Mensagem do Anjo

Gióia Júnior

 

Sim, aos pobres, ao povo... Do rebento

do Rei Davi nasceu, para a alegria

do pobre, das entranhas de Maria,

o Rei Jesus! No humílimo aposento

de uma pobre e festiva estrebaria

sem adornos, vereis, no encantamento

infantil, entre as palhas, “a poesia

que há de inundar o mundo num momento...”

De grande gozo é a nova que vos trago,

achareis o menino, sob o afago

de seus pais, em Belém... Cristo Jesus,

eis o seu nome... É o rei que as profecias

prometeram... Hosanas ao Messias!

“O povo em trevas viu a grande luz!!!”

Ressuscitai! Revivescei, pastores!

Desceu Jesus dos páramos divinos,

encha-se o campo de formosos hinos,

cubra-se o coração de lindas flores!

Regozijai-vos... Glória a Deus, pastores,

sejam homens, mulheres e meninos

que, no cântico ideal dos peregrinos,

façam chegar a Deus os seus louvores!

Jesus nasceu! Natal! Glória no espaço...

O amor de Deus foi revelado ao mundo,

Jeová cobriu a terra, num abraço...

A semente rolou da sua mão:

abra a terra o recôndito profundo

para que rompa a flor da salvação!!!

Ide ver o menino envolto em panos,

numa epopeia de simplicidade...

Coincide o fim dos vossos desenganos 111

 

com o princípio da felicidade!

“Mais do que a flor do lótus, que, em verdade,

vem ao mundo uma vez cada cem anos”,

brotou a flor dos ideais humanos,

que nasce uma só vez na eternidade.

Estrelas! Perfumai o céu profundo...

Flores! Brilhai pelos jardins do mundo...

Berço da vida é a Pátria dos Judeus...

Luz ante a qual as trevas se consomem:

Deus – que padece as dores como um homem!

Homem – que salva o mundo como um Deus!

Verdade – palavra dura,

espada de fundo corte,

segredo de sepultura,

onde a vida esconde a morte!

 

Do livro 25 Anos de Gióia Júnior (1976)

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. SAMMIS REACHERS-RJ)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

SÚPLICA DE NATAL


Súplica de Natal

Ivan Espíndola de Ávila

 

Jesus querido, menino meigo de Belém,

eu te invoco inquieto, nesta manhã de sol.

Eu te bendigo, neste dia diferente dos outros dias,

neste dia que é teu,

porque hoje é Natal...

Hoje é dia de festa, em muitos lugares,

dia de presente, de abraços e sorrisos,

dia de o homem ser feliz.

Mas Jesus, escuta, não é bem assim...

Há tanta gente soluçando, nos caminhos da vida.

Há mães chorando filhos, que o pecado tragou.

E o mundo é triste, Senhor, é muito triste.

Mundo de cárceres e de sombras,

onde se misturam inocentes e culpados,

esperando o amanhã, que demora tanto.

De corações cansados, Senhor, partem gemidos fundos,

em noites que não têm fim.

Olha, Jesus, para os pequeninos, nas cidades grandes,

dormindo entre jornais, debaixo dos viadutos.

Senhor, a juventude inquieta, procurando algo,

apodrece nas orgias da treva, detestando a luz.

Multidões já não sabem mais sorrir...

e... e hoje é Natal, Senhor, é Natal!

É por esses pobres e tristes que eu te suplico.

ó Menino de Belém!

Olha para as dores, e consola.

Olha para as saudades, e minora,

tem compaixão de quem te implora. 162

 

Escuta, Senhor, escuta!

E neste Natal de festas, vou sorrir...

E neste Natal de festas vou agradecer...

Porque o menino de Belém me ouviu,

eu vou cantar:

Viva o Natal!

Feliz Natal!

Hoje é Natal!

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. SAMMIS REACHERS-RJ)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

NATAL


Natal

Stela Câmara Dubois

 

A manjedoura, a estrela, alguns pastores,

O coro de anjos, rubra madrugada,

Era a glória há milênios desejada

Que faria um deserto abrir-se em flores.

 

De celestiais alentos e favores,

Rejubilam-se as almas na jornada.

E a certeza não pode ser negada

De que são fortaleza os dissabores.

 

Nada faz perecer tanta alegria!

Mesmo entre névoas sua primazia

Traz o vigor de dúlcida lembrança.

 

É que os céus estão perto, muito mais,

Pois o Natal acorda outros natais

De paz, de fé, de amor e de esperança!

 

In O Jornal Batista #52 – Dez 1959

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. SAMMIS REACHERS-RJ)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

POEMA DE NATAL


Poema de Natal

J.T. Parreira

 

No átrio do mundo

no fim do silêncio

uma casa em ruínas assomada do breu

Em corpos erguidos do sono

os pastores

tudo suspenso da clara resposta do Céu

ainda os magos no bojo

de um astro subiram

no silêncio da cor a rota dos céus

- demandavam no átrio do mundo

numa casa em ruínas

a Imagem-menina de Deus.

 

Do livro Este Rosto do Exílio (1973)

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. DE SAMMIS REACHERS-RJ)

domingo, 23 de dezembro de 2012

ANTE OS ASTROS


Ante os Astros

Gilberto Maia

 

No silêncio da noite enluarada

E estrelada,

Uma voz doce e meiga enchia os ares,

A convidar as almas aos cismares

Pela estrada.

A lua envolta em manto triste e baço

Um pedaço

Do véu que envolve os pobres “in extremis” –

Era um despetalar de rosas cremes,

Pelo espaço.

E esta voz toda feita de doçuras,

De branduras,

Assim dizia nos encantos seus:

“Pastores de Belém dai glória a Deus,

Nas alturas.”

Pois hoje vos nasceu o Salvador,

O Senhor,

Que há-de levar o povo de Israel,

Para a terra que mana leite e mel,

Bem e amor.”

“Ide a Belém humilde procurá-lo,

Contemplá-lo

No berço pobre de uma estrebaria;

Ide ante a luz dos olhos de Maria

Adorá-lo.”

 

Ouvida, então, a nova angelical,

Celestial,

Rumaram todos eles a Belém,

Afim de contemplar o Sumo Bem

Divinal.

A lua envolta em manto triste e baço

Um pedaço

Do véu que envolve os pobres “in extremis” –

Era um despetalar de rosas cremes

Pelo espaço.

Luar mimoso, estrela cintilante,

De diamante,

Luzi no céu e iluminai a estrada,

Que leva os homens a Belém situada

Lá distante.

 

Do livro O Natal de Cristo – Coletânea (1950)

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. DE SAMMIS REACHERS-RJ)

sábado, 22 de dezembro de 2012

SE EU PUDESSE FAZER O NATAL...


SE EU PUDESSE FAZER O NATAL...

 

Pastor José Britto Barros


 

 

Ah! Se eu pudesse hoje fazer o Natal!

Iria então mudar o que dele os homens fizeram...

Sim, porque o Natal que hoje é festejado

Nada tem do que por Deus ao mundo foi mostrado.

 

Natal é dom de Deus que mandou Jesus Cristo

A ser o Salvador como estava previsto!

E veio o prometido, o divino Senhor

Para ser dos mortais o eterno Salvador!

 

Não havia comércio a ninguém explorando,

Nem gritos infernais o ouvido perturbando.

Houve os anjos nos céus cantando melodias,

E outro anjo trazendo novas de alegrias...

 

Houve estrela de brilho, o esplendente fulgor

Os Magos conduzindo aos domínios do Amor!

Pastores foram ver o Cristo ora nascido

E os Magos foram dar-lhe o que haviam trazido...

 

Mas hoje o que nós temos é grito, é propaganda,

É barulho demais vibrando em toda banda...

Se eu pudesse fazer o Natal novamente

Seria algo melhor: a expressão d’alma crente.

 

Eu sei que isso seria algo muito, muito pobre,

Mas sei também seria algo sério e mui nobre!

Iria recolher das b e l e z a s do astral

Mil rastilhos de prata e fazer meu Natal.

 

Iria transcrever mil sons das cataratas

E assim executar as minhas serenatas,

Serenatas a fim de amostrar meu afeto

Ao Cristo que desceu do céu para o meu teto.

 

Iria copiar dos três Magos as suas atitudes

E ao Cristo oferecer riquezas das virtudes!

Iria acompanhar pastores de Belém

E ver na manjedoura Cristo, o Sumo Bem!

 

Nada de ter presépios, vaquinhas de brinquedo

Paradas sem dar leite e até causando medo...

Teria eu de usar jumentos no serviço

De levar mantimentos a quem precisa disso...

 

Iria qual Simeão tomar Jesus nos braços

E apertá-lo com amor e num milhão de abraços

Declarar que estou pronto a partir para o além

Onde irei conviver com o Cristo de Belém!

 

Ah! Quem dera eu pudesse fazer outro Natal

Em que os homens cristãos se afastassem do mal!

 

Ah! Quem dera eu pudesse outra festa fazer

Onde o Filho de Deus honrado fosse ser!

 

Mas se tal não consigo apenas eu me prostro

E contrito ofereço a Deus a minha prece,

Pois só Ele tal coisa de mim é que o merece.

 

Darei ao meu Senhor os dias que me restam

E meus símplices versos que louvores atestam.

 

Recebe, ó meu Jesus, o meu canto final:

A Ti os ofereço, ó Cristo magistral !

 

És luz, és esplendor, és beleza infinita,

És a Graça de Deus, essa Graça bendita!

 

És tudo que precisa este mundo global,

És o Deus feito homem, és Tu nosso Natal !

 

João Pessoa, dezembro de 2012





 

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CONFISSÃO DO NATAL


Confissão de Natal

Israel Belo de Azevedo

 

Amo o Deus que em Jesus se prostra, inclinando-se para escutar quem não crê, para encontrar aquele que ainda não tem fé, por amar completamente -- eis a sua proposta.

 

Amo o Deus que em Jesus se mostra como aquilo que amorosamente, plenamente é: até para quem não queira se deixar por Ele escolher, para o vazio do seu coração, Ele é a única e completa resposta.

 

Amo o Deus de braços pregados na cruz e cujas solenes palavras finais são longos gemidos de gracioso perdão para os que do seu sangue fizeram pus.

 

Amo o Deus de corpo cortado ao ritmo dos cravos batidos e cujo silêncio no túmulo não teve companheiros conhecidos até que a história, no terceiro dia, conhecesse a plenitude da sua luz.

 

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. DE SAMMIS REACHERS-RJ)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A ESTRELA DE BELÉM


A Estrela de Belém

Jonathas Braga

 

Na toalha divinal do céu da Palestina

fulgura um novo sol de brilho aurifulgente

que enche a noite de luz maravilhosa e fina,

e segue de Belém o rumo, suavemente.

 

Toda a terra desperta e logo se ilumina

e se enche de alegria estuante e transcendente.

Os anjos, na amplidão da celeste cortina,

estrugem num clangor mirífico e fremente!

 

E a estrela prodigiosa a todos deslumbrando,

prossegue lentamente o recanto buscando

onde a humildade é um poema enfeitado de luz

 

e onde, entre palhas vis, cumprindo a profecia,

sob a luz maternal dos olhos de Maria,

repousa docemente o divino Jesus!

 

in O Jornal Batista #53 – Dez 1948

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. DE SAMMIS REACHERS-RJ)

domingo, 16 de dezembro de 2012

O NATAL DE JESUS


O NATAL DE JESUS

Filemon F. Martins

Natal. Noite em Belém... A noite é bela...
O céu está tranquilo e deslumbrante.
Quase ninguém percebe a luz daquela
Estrela singular e fascinante.

Quanta beleza envolve aquela tela,
o menino nasceu e o povo errante
há de encontrar no filho que revela
uma história de amor edificante.

Grande exemplo naquela estrebaria
nos deu Jesus, o filho de Maria,
ao pecador que implora seu perdão.

Hoje, neste Natal, que a Humanidade
possa encontrar no amor, fraternidade,
a glória de ajudar o nosso irmão!


filemon.martins@uol.com.br
www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970 – Itanhaém – SP.

TROVAS DO NATAL
 







Natal! Com   fervor profundo,

minha prece ainda insiste:

- Senhor! Não haja no mundo

nenhuma criança triste!
  
Carolina Ramos

 
  

 

Quisera que meu presente

de Natal fosse a mudança:

deter o que vem pra frente

e voltar a ser criança.

 Ubiratan Lustosa

 

 
 





No Natal seja o presente

 a luz que vem do Menino;

 no Ano Novo toda a gente tenha na paz seu destino.
  
 José Marins

 

 

Neste Natal eu desejo,

noite de paz e magia,

e ao mundo eu ensejo

Fraternidade e alegria!

 Paulo Walbach