terça-feira, 30 de setembro de 2014

DIVAGAÇÃO

DIVAGAÇÃO
Filemon F. Martins

O sol se põe
e a tarde morre lentamente.
O céu está azul,
manchado de vermelho
como se fosse um espelho
a refletir minhas mágoas.

E absorto neste quadro lindo
com tanta luz e poesia,
eu me vejo assim:
- Pensando no teu silêncio...
... E como dói o teu silêncio em mim.

filemon.martins@uol.com.br



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O GRITO DO POETA

         O GRITO DO POETA

        Filemon F. Martins      

No meu viver de cidadão, proscrito,
carrego a dor imensa do Universo.
Meu canto desolado traz, aflito,
as tristezas do mundo controverso.

De desespero clamo, sofro e grito,
tudo em vão, pois o povo está imerso
na inépcia política do mito,
- não compreende mais o que é perverso.

A Esperança se esvai a cada aurora,
o poder corrompido se agiganta,
parece não haver outra saída...

Meu protesto, em verdade, não tem hora,
minha voz de poeta ainda espanta
os vendilhões da Pátria adormecida!
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domingo, 28 de setembro de 2014

BENDITA SEJAS

BENDITA SEJAS
                    Filemon F. Martins
                   
                     Bendita sejas tu, musa divina
 porque vens inspirar este poeta,
 a tua voz suave me fascina
 e chega ao fim a minha dor secreta.

 Bendita sejas tu, que me ilumina
 e nos meus versos tua luz projeta
 além da fé, do amor que me domina
 trazendo inspiração à minha meta.

 Chegas tranquila, calma e de mansinho
 pondo flores em todo o meu caminho,
 vens perfumando o meu viver tristonho.

 Que seja sempre assim, poesia amada,
 amiga e companheira de jornada
 buscando a paz nas regiões do sonho!

(Do livro ANSEIOS DO CORAÇÃO, página 96)



sábado, 27 de setembro de 2014

SONETO DE AMOR

SONETO DE AMOR
Filemon F. Martins

Minha vida sem ti não tem porvir
qual noite sem estrelas, sem luar.
Um barco sem destino a sucumbir
à espera de socorro em alto mar.

Meu coração não sabe mais sorrir,
se não vislumbro a luz do teu olhar,
se o teu aroma não vem me seduzir
e se o teu sol não vem me iluminar.

Se não estás aqui, fico inquieto,
vejo-me só, magoado e sem afeto,
a vida fica amarga e sem sentido...

Mas se tu voltas, meu amor, sorrindo,
o mundo se transforma e fica lindo
e até o meu jardim fica florido!



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

TROVADORES DO PARANÁ (BOLETIM DA UBT-PR)

TROVADORES DO PARANÁ (BOLETIM DA UBT-PR)

Dormi ...e sonhei contigo
na praia, com lua cheia.
Foi delírio, hoje prossigo
te procurando na areia!
Vânia de Souza Ennes

Curitiba chão amado,
com muito encanto e ornamento,
e o pinheiro desgarrado
resiste ao sopro do vento!
Wanda Rossi de Carvalho

Tanto, tanto ela falou
na última temporada,
que da praia ela voltou
com a língua bronzeada!
Roza de Oliveira

Em frente à porta fechada,
bate a criança carente:
-flor murcha, à custa vingada
na safra dos quase gente...

Vanda Fagundes Queiroz

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

JAMAIS (JOSÉ BRITTO BARROS - 2ª PARTE)

JAMAIS

José Britto Barros (2ª parte – Corrente – PI – maio de 1957)

Que é dos prazeres que em meu ser havia?
Que é da alegria?
Não mais...
Foram-se os cantos que vibrei outrora,
cantar agora?
Jamais...

Que é da casinha branca do passado,
meu lar amado,
meus pais?
Já não existe este pequeno teto,
gozar afeto?
Jamais...

Que é de um amor que tanto esperancei?
Sofri, chorei,
que mais?
Nada me resta e a dor inda maltrata...
Ver essa ingrata?
Jamais...

Riscarei de minha alma esta lembrança
linda criança,
sem ais...
Mas apagar do peito esta saudade?
Como? Quem há de?
Jamais...



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

JAMAIS (José Britto Barros)

JAMAIS

José Britto Barros

Diz a mangueira à folha que se solta:
quando é tua volta?
Já vais?
E a folha chora ao ver que vai descendo
e diz gemendo:
jamais...

A noite fala ao vento sussurrante:
como és errante!
Quem mais?
E a ventania a soluçar responde:
parar? Aonde?
Jamais...

Se descorola a flor linda e cheirosa,
era uma rosa,
que ais!
Mas vindo alguém dizer que se reponha
fala tristonha:
jamais...

Nalma inditosa de um menino triste
gemido existe,
que mais?
Já não tem lar, nem pais, sofre tortura,
gozar ventura?
Jamais...


(1ª parte – Corrente – PI – maio de 1957)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

VEM, PRIMAVERA!

VEM, PRIMAVERA! 

Filemon F. Martins

Vem, primavera de cores 
encher a terra de flores, 
de beleza e perfeição. 
Flores azuis, amarelas, 
vermelhas, brancas, singelas 
que dão vida ao coração. 

Vem, alegre primavera 
enfeitar nossa tapera, 
vem povoar nossos sonhos, 
vem dizer NÃO a guerra 
vem trazer à nossa terra 
dias felizes, risonhos. 

Vem, primavera – vida, 
seja a nossa prometida, 
nossa crença e nossa fé. 
Teu colorido, teu encanto 
enxuga até nosso pranto 
e nos coloca de pé. 

Cada pessoa, no mundo, 
sente um amor profundo 
na mais alegre estação. 
Por uma de nossas flores, 
as mulheres, meus senhores, 
têm minha predileção.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

PRIMAVERA

PRIMAVERA 

Filemon F. Martins

É Setembro! É primavera! 
Ressurreição das flores, 
espalhando várias cores 
pelos caminhos da terra. 

O campo se torna verde, 
flores roxas, amarelas, 
azuis, brancas, vermelhas. 
É um festival de cores, 
jardins mais acolhedores 
perfumando o coração. 

Os passarinhos contentes 
pulam, cantam estridentes 
fazendo festas nos ninhos, 
- são poetas cantadores 
abençoados por Deus. 

Qual um cantor peregrino 
que canta a dor do destino, 
sou um cantor passarinho. 
Quanto mais aperta a dor, 
mais aumenta o meu amor, 
cresce mais o meu carinho. 

A primavera é mocidade 
de sonhos e deixa saudade 
morando no coração. 
Mas se renascem as flores, 
também nossos sonhos de amores 
um dia renascerão. 

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TROVAS

TROVAS

Há gente que muito corre,
sempre em constante vaivém,
mas não percebe que morre,
porque não vive também!
        Maria Thereza Cavalheiro

Essa que afasta os abrolhos
de minha existência louca,
carrega a noite nos olhos
e a madrugada na boca.
        Alceu Wamosy

Quem ama parece louco,
leva uma vida enganosa,
é como eu, que inda há pouco,
disse – Bom dia! A uma rosa.
        Martins Fontes

Para matar as saudades,
fui ver-te em ânsias, correndo...
- E eu, que fui matar saudades,
vim de saudades morrendo!
        Adelmar Tavares


(Do livro TROVAS PARA REFLETIR, MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

ÚLTIMO VESTÍGIO (J. G. DE ARAÚJO JORGE)

ÚLTIMO VESTÍGIO

J. G. DE ARAÚJO JORGE

Tu deves te lembrar: aquela casa antiga
entre o verde bambual e a frondosa mangueira,
- a varanda, a esconder-se sob a trepadeira,
e o riacho a marulhar sua velha cantiga...

As flores... o jardim... a estrada, uma alva esteira
onde nós a sonhar andamos sem fadiga
olhando para o céu, - tudo isto, minha amiga,
mudou... A nossa vida é mesmo passageira...

As paisagens de outrora, estranhos transformaram:
- o jardim... o bambual... a estrada, e até nem sei
se as águas do regato os anos não pararam...

Uma cousa, porém, existe, eu vi depois:
- é aquele coração com os nomes que eu gravei
no tronco da mangueira a relembrar nós dois!...

(Livro OS MAIS BELOS POEMAS QUE O AMOR INSPIROU, VOL. 1, PÁGINA 46)


terça-feira, 16 de setembro de 2014

PAI NOSSO (Maria José Zanini Tauil)

PAI NOSSO

         Maria José Zanini Tauil

Pai...
Tu estás no céu?
Mas que céu
Pode conter-te?
Tu és maior que tudo!
Teu abrigo preferido
É o coração
Da tua criação.

E é aqui
No meu interior
Que te sinto...

Sabes do que preciso
Conheces meus anseios
Olhas com misericórdia
Para minhas imperfeições

E... quando te peço
Que minha vontade
Seja satisfeita... quero, na verdade,
Que me tornes capaz
Da realização...


(Do livro REFÚGIO E FORTALEZA – ORAÇÕES, PÁGINA 60)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

FUGA (J.G. de Araújo Jorge)

FUGA

J. G. de Araújo Jorge

Amo um lugar assim, amo os lugares
onde há montanhas, selvas, passarinhos...
- onde o giz alvacento dos luares,
à noite, faz rabiscos de caminhos...

Que bom ficarmos, sempre assim, sozinhos...
Quanta coisa depois, para lembrares!
- Esta calma varanda... os meus carinhos...
Um silêncio... que é música, nos ares...

A porteira lá embaixo... A estrada, o fim...
Ah! Se pudéssemos nos esquecer
para onde segue aquela estrada assim...

Ah! Se pudéssemos pensar que aquela
estrada, ali adiante vai morrer...
- Como a vida, meu Deus, seria bela!


(Do livro OS MAIS BELOS POEMAS QUE O AMOR INSPIROU, 1973 - página 24)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

EU E A VIDA (EUNICE BARBOSA)

EU E A VIDA

Eunice Barbosa

Eu gosto de conversar com a vida
olhando o céu, da minha janela.
Nós conversamos sem esquecer os itens
dos compromissos entre mim e ela.

Vem de tão longe a nossa caminhada
que nem lembramos quando começou.
Só sei que juntas pela mesma estrada
vivenciamos o que Deus plantou.

Nós nos amamos tão intensamente
que conseguimos suplantar as dores,
de mãos dadas a plantar sementes
na espera linda de colher as flores.

Quem sabe além dessa jornada nossa
exista um ponto pra recomeçar,
e a gente, recomeçando, possa
esquecer tudo que nos fez chorar.


(Do livro HERANÇA, Eunice Barbosa, página 90)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

LIVRO "HERANÇA"

LIVRO

Filemon F. Martins

Por instrumentalidade do Dr. Luiz A. Martino (excelente médico que me acompanha há anos no tratamento de saúde), recebi o livro HERANÇA, de EUNICE BARBOSA. Um livro com 160 páginas, de boa e pura poesia. O livro foi editado pelo Grupo Editorial Scortecci, de São Paulo, em 2013 e vale a pena ser lido. Revisão do Professor Almiro Dottori Filho, prefácio do Padre Antonio Maria. Mas, quem é EUNICE BARBOSA (Eunice Barbosa da Silva)? Uma senhora com 94 anos, nascida em 30/08/1919, no bairro de Lagoinha, Belo Horizonte, Minas Gerais. “De origem humilde, mas rica em experiências, graças a suas andanças ligadas ao seu estilo de vida itinerante”. Eunice não teve condições de estudar, mas sua alma de poetisa inspirada é marcante. Seus poemas reunidos em seu livro HERANÇA atestam com fidelidade “uma vida de cenários diversos, de muitas buscas e cheia de desafios”. A mulher Eunice Barbosa teve 09 filhos, sendo 8 do 2º casamento. Seus filhos são: Adolfina Imaculada, Carlos José, Maria Lúcia, Maria Célia, Mário Lúcio, Marco Antonio, Maria Evangelina e Maria Ângela, e o saudoso cantor e compositor Antonio Marcos.
A poetisa e compositora Eunice Barbosa possui várias músicas gravadas nas vozes de Roberto Carlos, Antonio Marcos (seu filho), Jessé, Gilliardi, Fábio Júnior, Roberto Leal, Leonardo, entre outros. Conforme sua biografia, “hoje, aos 94 anos, muito tímida e extremamente emotiva, ela deseja levar ao mundo seu recado no silêncio das páginas de HERANÇA”.
Eis o poema Resgate, página 72:
Hoje eu me peguei chorando.
Senti saudades de mim
fazendo coisas diversas,
correndo daqui pra ali.
Pensamento assediado
por problemas desiguais,
e o coração machucado
por coisas tão naturais!
De quando em quando, a vida
me deixa com dor no peito.
É tanto tempo sofrido
que até me deixa sem jeito!
Uma pausa pra pensar:
- Devo ter dívidas em algum
lugar do passado.
E agora estou resgatando
o que preciso acertar.

Assim é a poesia de nossa grande poetisa, Eunice Barbosa, sempre inspirada e perene como a água que desliza mansamente pelos lagos.  Parabéns! E nós somos privilegiados com leitura tão cativante, tão bela e doce, que só nos resta agradecer: obrigado, Poetisa, por nos conceder tão inebriante prazer.

Caixa Postal 64

11740-970- Itanhaém – SP.

domingo, 7 de setembro de 2014

O AMOR

O AMOR
Filemon F. Martins

É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer num atropelo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER!


filemon.martins@uol.com.br

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DESPEDIDA (Belmiro Ferreira)

DESPEDIDA

Belmiro Ferreira

Tímidos, a tremer, nos despedimos,
Um pesar n'alma nossa sufocando.
Teus olhos negros vi quase chorando...
E mudos, tal dois cegos, persistimos.

Horas mortais se aproximando vimos,
À despedida lúgubre levando
Nossos seres de dor agonizando,
Neste mundo esquecidos, sem arrimos.

Um aperto de mão, e te ausentas...
Olhos mortos, e flébil', e calada...
A senda do desterro só enfrentas.

Com a vista de lágrimas banhada,
Vejo-te ir-te, em passadas muito lentas,
E dobrar, sem adeus, a curva da estrada.


(JORNAL LITERARTE, AGOSTO/2014, EDITADO POR ARLINDO NÓBREGA)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

LE COSE DELL´AMORE

LE COSE DELL´AMORE
        (TRADUÇÃO EDIZIONI UNIVERSUM, ITÁLIA)
                        Filemon F. Martins

È ancora notte. La luna splende,
per gli amanti dela passeggiata lungo la strada,
mentre io sono qui tutto solo a sognare
- Mi fa male il cuore per la tua assenza.

Vorrei che questa notte fossi amato
in tranquillità contemplando la luce dela luna
e insieme continuiamo a cercare
nuovi sogni, affinché la vita continui...

Il mio cuore, però, sospetta
Sembra rivivere il nostro passato,
- Non crede più in questa emozione.

Anche se la vita non ha perso il suo fascino
di questo sogno d´amore, di questo momento

- Le cose d´amore non hanno spiegazione.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SUPLÍCIO (VARIAÇÕES DOS SONETOS UM GRANDE AMOR E APAIXONADO, DO MESMO AUTOR)

SUPLÍCIO  (Variação dos sonetos UM GRANDE AMOR e APAIXONADO, do mesmo autor) 

Filemon F. Martins


É madrugada... E o canto já começa: 
um pássaro nas flores do jardim, 
não para de cantar, trinando à beça, 
e a cantoria parece não ter fim. 

Persistente, ele canta sem ter pressa, 
quer conquistar a amada e está afim, 
um grande amor, feliz, ele confessa 
não importa o cansaço em seu motim. 

Ao contrário de ti, meu passarinho, 
nos meus versos imploro algum carinho 
de quem o coração amou e quis... 

Mas o tempo passou e só me trouxe 
esta mágoa indizível, agridoce: 
- ela não leu os versos que lhe fiz! 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

TROVAS

TROVAS

Escolha um solo fecundo,
prepare-o com muito ardor,
e com fervor mais profundo
plante a semente do amor!
JERRY FILHO
Vejo a prova fulgurante
de um Poder que não tem fim,
numa estrela – bem distante,
na vida – dentro de mim.
CARLOS RIBEIRO ROCHA
Aquele que quer na vida
pensar somente em ter sorte...
Não lembra, com tanta lida,
que tudo acaba com a morte.
LAURENTINA MARTINS DOS SANTOS
Com olhos fitos no chão,
você só vê a tristeza.
Levante a cabeça, irmão,
e contemple a natureza!
MÁRIO R. MARTINS

(Jornal O RADAR, coluna TROVAS, de Maria Thereza Cavalheiro, abril/99)