sábado, 31 de outubro de 2015

TROVAS DE APARÍCIO FERNANDES

TROVAS DE APARÍCIO FERNANDES

O rancor inolvidável
cede ao impacto do perdão:
- Não há nada tão moldável
como o próprio coração!

Há paz nos céus estrelados,
vive o amor no azul profundo!
Na Terra – há punhos cerrados
e o ódio avassala o mundo...

Crê que é dono do Destino,
tem poder de vida ou morte.
Mas não passa de um cretino,
escravo da própria sorte...


(ANUÁRIO POETAS DO BRASIL, 1980, 1º VOLUME, PÁGINA 55)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

SER (JOSÉ FELDMAN-MARINGÁ-PR)

Um Poema de Maringá/PR
José Feldman
SER

Feche os olhos
Acredite no impossível
Sonhe um infinito de sonhos
Galgue os mistérios do passado
Não procure saídas
Mas... apenas entradas.
Por mais impossíveis que possam ser
Não faça perguntas,
Não quebre o instante de encanto,
Não evite as tempestades violentas.
Deixe-se apenas levar...
Fantasias incontroláveis.
Procure o segredo nas profundezas do ser
E descubra em cada momento
Um novo gosto de vida,
Um definitivo gosto de prazer.
Emerja do mergulho do medo
Destrua os mitos
Siga sempre em frente.
Onde acaba a ilusão
Comece a procura de outras verdades
Pois o momento está por um fio,
Entre a tempestade e a calmaria,
E este fio é que comanda nossos sonhos…


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 434, JOSÉ FELDMAN)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

REMINISCÊNCIA

REMINISCÊNCIA
Filemon F. Martins

Nos meus dias repletos de poesia,
naqueles tempos cheios de emoção,
batia, no meu peito, o coração
em busca dessa paz tão fugidia.

Recordo aqueles versos que escrevia,
brincando nas Chapadas do Sertão,
quando os sonhos na vida muitos são
e a Esperança no Amor é uma alegria.

Mas as portas da vida se fecharam,
e tudo não passou de um breve sonho,
só ilusões na vida me sobraram...

Hoje! Esperanças – folhas destruídas...
Da vida – flores, rosas, pressuponho
só restam amarguras recolhidas!...




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Celulose renascida,
o livro vem da floresta;
como árvore da vida,
vibra, reclama, protesta!

Pode o livro ser tesouro
que alguém garimpou por nós;
é o amigo imorredouro,
que não fala, mas tem voz!

O livro é um amigo mudo,
que nos pode compreender.
Revela em silêncio tudo
que precisamos saber.

O livro confere a chave
que abre a porta da Ciência.
é um sábio, sereno e grave,
que nos amolda a existência.


(DO LIVRO TROVAS PARA REFLETIR, PÁGINA 38)

domingo, 25 de outubro de 2015

SENTADO À BEIRA DO CAMINHO (ROBERTO CARLOS/ERASMO CARLOS)

Recordando a canção:

Sentado À Beira do Caminho
Roberto Carlos & Erasmo Carlos



Eu não posso mais ficar aqui a esperar!
Que um dia de repente
Você volte para mim...

Vejo caminhões
E carros apressados
A passar por mim
Estou sentado à beira
De um caminho
Que não tem mais fim...

Meu olhar se perde na poeira
Dessa estrada triste
Onde a tristeza
E a saudade de você ainda existe...

Esse sol que queima no meu rosto
Um resto de esperança
De ao menos ver de perto o seu olhar
Que eu trago na lembrança...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Vem a chuva, molha o meu rosto
E então eu choro tanto
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
Se confundem com o meu pranto...

Olho prá mim mesmo e procuro
E não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança
À beira de uma estrada...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Carros, caminhões, poeira
Estrada, tudo, tudo, tudo
Se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha e vê que eu
Estou morrendo lentamente...

Só você não vê que eu
Não posso mais
Ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira por você
Sentado à beira do caminho...

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Larará Larará Lararará!
Larará Larará Lararará!

(EXTRAIDO DE AVBAP)


sábado, 24 de outubro de 2015

TRANSFIGURAÇÃO I (PAULO BOMFIM)

Um Soneto de São Paulo/SP
Paulo Bomfim
TRANSFIGURAÇÃO, I

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha

Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 432/JOSÉ FELDMAN)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A CHUVA CHOVE... (CECÍLIA MEIRELES)

A CHUVA CHOVE...
Cecília Meireles

A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranquilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono...

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais...

(GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA, PÁGINA 174)



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

À IMORTALIDADE DO SONETO (J.G.DE ARAÚJO JORGE)

Não tem jeito, apesar da modernidade, o soneto continua imbatível:

À IMORTALIDADE DO SONETO

J. G. DE ARAÚJO JORGE

Soneto: como a fênix renascida
- mitológico pássaro da lenda –
no coração do poeta, a morte e a vida
ressurges em onírica legenda.

A tua forma ideal foi concebida
para servir de preito ou de oferenda;
- flor de graça e mistério, recolhida
em que “jardins suspensos”? – canto e prenda.

Permaneces de pé, imorredouro,
como uma fênix, mas de penas de ouro
que num milagre eterno se recria,

sempre cantando, sempre renascendo,
queimada, - mas os séculos vencendo –
para a glória do amor e da poesia!


(OS MAIS BELOS SONETOS QUE O AMOR INSPIROU)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO

SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO
Paulo Bomfim (Poeta paulista)

Deito-me em ti com ramos e folhagem
E pássaros e orquídeas de loucura;
Do musgo do meu gesto nasce a imagem
Que atiro em teus caminhos de procura.

Em meus braços aflitos a paisagem
Transforma-se no vento que murmura,
E os raios iluminam a mensagem
Fogo que morre sobre a fonte pura.

Debruço em ti a sombra e a cor das mágoas;
Sou passado e futuro na tormenta,
Raízes marcham sob um chão que é cego...

Afogo-me no espelho destas águas:
Guarda de mim a vida que se ausenta,
E estes frutos eternos que te entrego.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 432, JOSÉ FELDMAN) 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

TROVAS DE CAROLINA RAMOS


TROVAS DE CAROLINA RAMOS – SANTOS, SP.

Como é fútil e tamanha
a soberba dos ateus...
Seixos ao pé da montanha,
negando a montanha – Deus!


Guarda sempre esta mensagem
da própria vida que diz:
- é feliz, quem tem coragem
de acreditar que é feliz!

Sempre acolho de mãos postas
e, humilde, tento aceitar
o silêncio das respostas
que a vida não sabe dar!

Se amigo é o que escuta a queixa,
seca o pranto e ajuda a rir,
mais amigo é o que não deixa
sequer o pranto cair!

sábado, 17 de outubro de 2015

CORRI (PEDRO APARECIDO PAULO)

Um Poema de Maringá/PR
Pedro Aparecido de Paulo
CORRI

Corri, Corri. Passei tão rapidamente pela vida
que mal notei que vivi, e que era gente.
Amanhã ouvirão apenas falar de minha existência.
Amei correndo, ouvi correndo, sofri mais lentamente, pois a minha carreira não deixou defender-me do sofrimento.
Senti o amor, e o mandei de volta tão rapidamente,
que você amor não percebeu que era tão puro.
Corri, Corri e não cheguei... apenas corri.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 431, JOSÉ FELDMAN)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

SONETO DE CAMÕES

Um Soneto de Lisboa/Portugal
Luis de Camões

Alegres campos, verdes arvoredos,
claras e frescas águas de cristal,
que em vós os debuxais ao natural,
discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos,
compostos em concerto desigual,
sabei que, sem licença de meu mal,
já não podeis fazer meus olhos ledos.

E, pois me já não vedes como vistes,
não me alegrem verduras deleitosas,
nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
regando-vos com lágrimas saudosas,
e nascerão saudades de meu bem.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 428/JOSÉ FELDMAN)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

NÃO ME PERGUNTES


NÃO ME PERGUNTES
Filemon F. Martins

Não me perguntes mais... estou cansado...
Não quero recordar o meu passado
e ter, em troca, mais desilusão,
pois, distante de ti, vivo tristonho...
Se te procuro, ó meu amor, meu sonho,
condenas quem te quer à solidão!



terça-feira, 13 de outubro de 2015

TROVAS DE JOSÉ FELDMAN (MARINGÁ/PR)

TROVAS DE JOSÉ FELDMAN (Maringá/PR)

Perdi, como por encanto,
quem amava de paixão,
aos pingos, cai o meu pranto
e encharca o meu coração.

Foi um beijo apaixonado,
que te dei na despedida...
Hoje... triste, abandonado,
eu choro a sua partida.

Pingos de chuva que escorrem
no vidro do coração
deixam marcas que não morrem...
e um mar de desilusão!

Saudade... quanta tristeza
em meu coração cativo!
Resta um pingo da pureza
do nosso amor fugitivo.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS NºS 427/428/429 E 430, JOSÉ FELDMAN)






sábado, 10 de outubro de 2015

TROVAS

TROVAS

São luzes, decerto, os sonhos,
cheios de graça infinita,
a iluminar-nos, risonhos,
na escuridão da desdita!
Clério José Borges-Serra-ES

Minha existência sofrida
e esta amargura sem fim,
foi ter partilhado a vida
com quem não gosta de mim.
Adalto M. Machado-Cantagalo-RJ

A vida é tênue fumaça,
é uma linha de retrós...
Dizem que é o tempo que passa,
mas quem passa somos nós!
Maria Thereza Cavalheiro-São Paulo

A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.

Filemon F. Martins-Itanhaém-SP

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

GRINALDA DE TROVAS

GRINALDA DE TROVAS
Filemon F. Martins

Quero seguir meu destino
com minha cabeça erguida,
quem ama o bem, imagino,
SEGUE UMA ESTRADA FLORIDA.

Segue uma estrada florida,
quem é da paz e requer
a esperança protegida,
QUEM, NA VERDADE, TIVER.

Quem, na verdade, tiver
uma paixão desmedida,
felicidade é mister
A GLÓRIA DE TER, NA VIDA.

A glória de ter, na vida,
esse amor minha alma quer,
numa paixão incontida
UM CORAÇÃO DE MULHER.

SEGUE UMA ESTRADA FLORIDA
QUEM, NA VERDADE, TIVER
A GLÓRIA DE TER, NA VIDA,
UM CORAÇÃO DE MULHER!


domingo, 4 de outubro de 2015

CONTRASTE

CONTRASTE

Filemon F. Martins (soneto da mocidade) 



Tu és feliz, a vida é um paraíso 
onde há paz, ventura em profusão, 
e a graça singular do teu sorriso, 
- símbolo da Beleza e Perfeição! 

Mas eu sou infeliz, pois já diviso 
na luz do teu olhar, ingratidão, 
e sem querer eu sinto que preciso 
esquecer-te e viver na solidão. 

Julgara que tu fosses, ó querida, 
meu segredo, meu sonho, minha vida, 
minha eviterna e santa inspiração... 

Mas tu és assassina do meu sonho, 
vives feliz e eu vivo tão tristonho, 
sentindo que esta vida é uma ilusão! 

sábado, 3 de outubro de 2015

ESCRAVIDÃO

ESCRAVIDÃO
Filemon F. Martins

 

O povo está opresso e escravizado, 
não por aquela escravidão de cor, 
mas a que o pobre está subjugado 
à margem do saber, na própria dor. 

Pelos grandes e ricos, explorado 
no campo e na cidade, aonde for 
paga o povo infeliz o seu pecado, 
- nascer pobre não tem nenhum valor. 

Mas se os grilhões aqui forem quebrados 
e pela educação forem guiados 
com certeza o Brasil há de mudar. 

Então, o nosso povo brasileiro 
há de viver feliz e prazenteiro, 
que a miséria, por fim, há de acabar! 

EVANGELHO

EVANGELHO
Filemon F. Martins

Amo tudo que existe de sublime
no Universo de Deus, o Criador,
cujo poder a Natureza exprime
quando surge a alvorada multicor.

Amo de Cristo o sangue que redime
e a rude cruz, o símbolo da dor,
onde deponho a mágoa que me oprime
em troca do Perdão, consolador...

Então, eu sinto paz, sinto alegria
do Evangelho do Filho de Maria
que me traz eviterna inspiração;

e quando sou, no mundo, desprezado,
como outrora foi Jó abandonado,
Ele vem consolar-me o coração.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A ÁRVORE

A ÁRVORE
Filemon F. Martins
 

Árvore amiga – símbolo sagrado,
- presente do bom Deus à criatura,
portadora de Paz ao que, cansado
vai procurar descanso da amargura.

Com sua sombra acolhe o desprezado
que passa pela estrada, sem ventura,
e o protege feliz, reconfortado,
para viver, lutar, sempre à procura

do seu destino – eterno caminheiro
em busca de um amor hospitaleiro,
onde a Felicidade fez guarida...

Pois desprezo a ganância do insensato
que põe abaixo as árvores e, ingrato,
- não percebe que mata a própria vida.