terça-feira, 20 de outubro de 2015

SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO

SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO
Paulo Bomfim (Poeta paulista)

Deito-me em ti com ramos e folhagem
E pássaros e orquídeas de loucura;
Do musgo do meu gesto nasce a imagem
Que atiro em teus caminhos de procura.

Em meus braços aflitos a paisagem
Transforma-se no vento que murmura,
E os raios iluminam a mensagem
Fogo que morre sobre a fonte pura.

Debruço em ti a sombra e a cor das mágoas;
Sou passado e futuro na tormenta,
Raízes marcham sob um chão que é cego...

Afogo-me no espelho destas águas:
Guarda de mim a vida que se ausenta,
E estes frutos eternos que te entrego.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 432, JOSÉ FELDMAN) 

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