sábado, 31 de agosto de 2013

BANDOLINS

BANDOLINS

MARIA JOSE ZANINI TAUIL

Choram os bandolins
no cair da noite
estrelas se entristecem
a lua espia
debruçada na janela,
repleta de melancolia
enquanto os sinos dobram
a ave-maria...

Choram os bandolins
com soluços graves
ferindo a alma
com seus lamentos
melancólicas visões
melodias amargas
dedos nervosos
que percorrem cordas
rasgando a noite
em mil pedaços
de solidão

E até dos olhos
da bailarina
correm lágrimas
silentes lágrimas
que se juntam
solidárias
ao sentido choro 
dos bandolins...


(Do site www.prefacio.net)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MAL SECRETO (Raimundo Correia)

Mal Secreto

Raimundo da Mota Azevedo Correia  (1859 a 1911)

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma e destrói cada ilusão que nasce;
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente talvez que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez, existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

NA PRAIA

NA PRAIA
Filemon F. Martins

 

Caminho, sem destino, pela praia,
- por que me fere a solidão assim?
Percebo que à distância o sol desmaia
talvez para esconder o amor de mim.

O mar, aos prantos, seu furor ensaia
mostrando seu poder quase sem-fim,
mas vou partindo sem que a noite caia
enquanto as ondas fazem seu motim.

Minhas marcas se perdem lá na areia,
porque depois com força a maré-cheia
vem e apaga as pegadas que deixei...

Também a minha sorte me maltrata
como a maré que passa, a vida ingrata
vai apagando tudo o que sonhei!

Caixa Postal 64
11740 – 970 – Itanhaém – SP.



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

NA CLÍNICA

NA CLÍNICA

Filemon F. Martins

                                             

     Cheguei ao Centro Clínico de Fisioterapia por volta das 09h50min. Como todos os dias, a sala de recepção estava lotada.   – “Bom dia” fui logo dizendo, enquanto alguns respondiam: bom dia.
Pouco tempo depois fui chamado a entrar na sala de fisioterapia, onde muitos pacientes já estavam fazendo seus exercícios. Eu tinha que fazer alguns exercícios, tendo em vista uma cirurgia a que me submeti no pé esquerdo. Enquanto o infravermelho era direcionado para o meu pé, fiquei a ler uma revista antiga.
     Mas, aos poucos, comecei a me interessar pelas histórias contadas pelos pacientes. Uns, estavam ali porque sentiam dores no pé, ou na perna; outros, após um infarto ou mesmo uma cirurgia; alguns sentiam dores nas costas, nos braços, no pescoço e uma senhora, a Dona Berta, porque sentia fortes dores na perna esquerda. Terminada a seção de exercícios, lá vinha o médico fazer uma avaliação, “e aí Dona Berta, como está? melhorou a dor?” – Um pouquinho só, doutor, disse Dona Berta e o médico, então, retrucou: - “É a idade, Dona Berta.” A Dona Berta ficou pensativa e em seguida, disse: “não sei não, doutor, minha perna direita tem a mesma idade, mas não está doendo”...
     E assim se foi mais um dia no Centro Clínico de Fisioterapia, mas amanhã tem mais...

(Do livro FAGULHAS, do autor, página 96)



terça-feira, 27 de agosto de 2013

ELOGIO AO AMOR

         ELOGIO AO AMOR
                    Filemon F. Martins


Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.

Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela...

O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?

Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e  nos leva ao delírio para amar!




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SALMOS DE DAVI RIMADOS (Geraldo Peres Generoso)

SALMOS DE DAVI RIMADOS (SALMO 23)

GERALDO PERES GENEROSO – IPAUSSU – SP.

SENHOR, que é o meu pastor e me sustenta,
plácido, em prados verdes faz deitar-me.
Conduz-me às águas que a alma dessedenta
e pelas vias retas me orienta.
Nem a sombra da morte me é alarme.

Não temo mal algum, estou Contigo,
seguro, me protege o teu cajado,
e até, se em meu encalço, o inimigo,
ameaçar-me com a vida em perigo,
ainda assim a ti estou confiado.

De júbilo meu cálice está pleno,
aprendi a beber Tuas alegrias.
E sob o Teu teto sinto-me sereno,
sob o qual habitarei por longos dias.


(Do livro SALMOS DE DAVI RIMADOS, VOLUME 1, GERALDO PERES GENEROSO, 1ª EDIÇÃO-2008, PÁGINA 29)      

domingo, 25 de agosto de 2013

O ALPINISTA

O ALPINISTA

Filemon F. Martins

Certo dia eu ouvi pela televisão
uma entrevista com alguns alpinistas
e vejam só:
- Uns querem escalar o Pico do Jaraguá,
em São Paulo.
Outros, o Pico das Bandeiras,
nas Minas Gerais.
Ou o Pico da Neblina no extremo Norte do Brasil.
Há outros valentes, corajosos:
- Querem escalar o íngreme, belo e misterioso
EVEREST nas Cordilheiras do Himalaia.

E a vida é assim na alegria e na dor:
- cada um tem seu sonho,
cada sonho, um segredo,
cada segredo, uma história
quase sempre de amor.

E eu, que sou um bom alpinista,
tenho também meus anseios,
mas prefiro escalar suavemente
e conquistar mansamente
as duas “montanhas” dos teus seios.




sábado, 24 de agosto de 2013

AS POMBAS

AS POMBAS

Raimundo da Mota Azevedo Correia (1859 a 1911)

Vai-se a primeira pomba despertada
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam
Fogem… mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

OS CISNES

                                    Os cisnes

Júlio Mário Salusse (1872-1948)


A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CONTRASTE

CONTRASTE

PADRE ANTONIO TOMAZ
(1868-1941)

Quando partimos, no vigor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres e ufanos,
Vamos marchando, descuidosamente...
Eis que chega a velhice de repente,
Desfazendo as ilusões, matando enganos.

Então, nos enxergamos claramente
Como a existência é rápida e fugaz,
E vemos que sucede exatamente

O contrário dos tempos de rapaz:
— Os desenganos vão conosco à frente,
E as esperanças vão ficando atrás!


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

IN EXTREMIS

In extremis
Olavo Bilac

Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! de um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...
E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...
E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! e este medo!
Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,
A arredar-me de ti, cada vez mais, a morte...
Eu, com o frio a crescer no coração, - tão cheio
De ti, até no horror do derradeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!
E eu morrendo! e eu morrendo
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! a delícia da vida!


terça-feira, 20 de agosto de 2013

VIRGENS MORTAS

Virgens mortas
Olavo Bilac

Quando uma virgem morre, uma estrela aparece,
Nova, no velo engaste azul do firmamento:
E a alma da que morreu, de momento em momento,
Na luz da que nasceu palpita e resplandece.

Ó vós, que, no silêncio e no recolhimento
Do campo, conversais a sós, quando anoitece,
Cuidado! – o que dizeis, como um rumor de prece,
Vai sussurrar no céu, levado pelo vento...

Namorados, que andais, com a boca transbordando
De beijos, perturbando o campo sossegado
E o casto coração das flores inflamando,

- Piedade! elas vêem tudo entre as moitas escuras...
Piedade! esse impudor ofende o olhar gelado

Das que viveram sós, das que morreram puras!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

COTIDIANO

COTIDIANO
 
(SOBRE A RUA SÃO BENTO)

Filemon F. Martins 


Amanheci em estado de graça. O dia estava claro, maravilhoso e convidativo. Queria sair por aí pensando a esmo. Mas tinha que ir trabalhar. Saí num corre-corre, como, aliás, faço todos os dias. Antes de chegar à Repartição, precisava quitar uma prestação num magazine da cidade. Rua São Bento, Centro de São Paulo. Dez horas da manhã. O burburinho era enorme. Gente que vai, gente que vem. Rostos alegres, tristes e estranhos se confundiam na multidão. Ando apressado. No bolso, uma pequena carteira com alguns trocados e fichas de telefone. Mesmo com pressa, observo o semblante das pessoas que passam: alguns preocupados, carrancudos e outros, leves e descontraídos. 
Meus pés me levam à frente. Os camelôs tomam conta do calçadão da rua com suas quinquilharias. As lojas oferecem seus produtos. Vitrinas enfeitadas deslumbram os clientes. Passo pelo magazine e pago a prestação. Estou de volta. Agora rumo ao trabalho. De repente, por trás de mim, sinto um empurrão e alguém enfia a mão no meu bolso. Num relâmpago rasga a minha calça e leva meus trocados. Vi apenas que era um garoto. E o larápio rapidamente desapareceu na multidão. Alguns papéis se espalharam pelo chão. 
Recuperei-me do susto e recolhi minhas anotações. E prossegui pensando naquele garoto. Na vida miserável que leva ali na rua. E continuei pensando nele. E quantos, como ele, estão assim perdidos? Abandonados pelos descaminhos da vida. Pela família. Pela sociedade. Pelo desgoverno do próprio governo. Mas o trabalho me espera. Por que será assim? Deixo minhas reflexões para depois. Esqueço, por alguns instantes, meus pensamentos. E chego ao Tribunal. Para mais um dia de trabalho. Rua São Francisco, onde o Precatório me espera, diga-se, com muito trabalho. 



Obs.: O Tribunal Regional Federal tem outro endereço: Av. Paulista, 1842, e eu sou funcionário aposentado do TRF – 3ª REGIÃO.

domingo, 18 de agosto de 2013

UM GRANDE AMOR

UM GRANDE AMOR

Filemon F. Martins

Acordo cedo e a saudação começa,
um pássaro cantando na ramada,
não para de pular, trinando à beça,
talvez para acordar a sua amada.

Emplumado a trinar, mesmo sem pressa,
ele quer conquistar a namorada.
Um grande amor em seu cantar confessa
sem demonstrar cansaço na empreitada.

Igual a mim, amigo passarinho,
que espero receber algum carinho
de quem o coração nunca esqueceu...

E igual a ti, também acordo cedo,
e professo em meus versos sem segredo,
o grande amor que a vida não me deu!


filemon.martins@uol.com.br
filemonmartins@bol.com.br
Caixa Postal 64

11740-970-Itanhaém-SP.

sábado, 17 de agosto de 2013

MENTIRAS

MENTIRAS
Ai quem me dera uma feliz mentira
que fosse uma verdade para mim!
J. DANTAS
FLORBELA ESPANCA

Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?

Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito...

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais

Que um desengano que nos custa tanto!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CONTO DE FADAS

CONTO DE FADAS
FLORBELA ESPANCA

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,

A Princesa do conto: “Era uma vez...”

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

COMPONDO VERSOS

COMPONDO VERSOS

Filemon F. Martins

Eu quisera compor uns lindos versos
que falassem do amor e da paixão,
destes sonhos antigos e dispersos
que ocuparam meu pobre coração.

Teus olhos cor de mar, (quase perversos),
pousaram sobre mim, que perdição,
e meus sonhos agora estão imersos
neste mar de beleza e solidão.

Por que partiste assim, sem dizer nada,
deixando apenas tua gargalhada
que em saudade se fez e em mim convive.

Peço para que voltes, doce amada,
porque sem luz não há mais alvorada,
sem teu amor meu coração não vive!

Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TROVAS DIVERSAS

TROVAS DIVERSAS


Poeta, a glória do dia
lhe seja bênção vibrante!
Busque em tudo a poesia
e faça o que sabe: cante!
Manuel Mª Ramirez de Anguita

Ficou tanta coisa ao léu,
mas a história hoje comprova
e, da beleza, o troféu,
entrega-se, agora, à trova.
Adélia Maria Woellner

Com garra de trovador,
 vou seguindo meus caminhos…
 Venturoso e com amor,
 num roseiral sem espinhos!
Apollo Taborda França

Quatro versos de beleza,
plenos de amor ou de humor,
com presteza e com destreza,
desenvolve um trovador.

Angela Andrade

TROVAS DIVERSAS

TROVAS DIVERSAS

Trovador a lapidar
o seu "achado" tesouro
faz o sonho se tornar
um legado duradouro!
Mª da Conceição Fagundes

Trovador tu dizes tanto
 e tão sinteticamente
que do mundo todo encanto
cabe no peito da gente.
Ubiratan Lustosa

Sou um velho trovador
que vive só por aí.
Canta a vida com amor
no canto do bem-te-vi.
Paulo Roberto Walbach

Trovador, canta o teu canto,
que sabes cantar tão bem,
porque se a vida traz pranto,
traz alegria também!
Janske Schlenker



terça-feira, 13 de agosto de 2013

ETERNA MÁGOA

ETERNA MÁGOA

 Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme

É essa mágoa que o acompanha ainda!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O GONDOLEIRO DO AMOR

O GONDOLEIRO DO AMOR
Barcarola
DAMA NEGRA 17

CASTRO ALVES

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora.
Que o horizonte enrubesceu,
— Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu;

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?

Teu amor na treva é — um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa — nas calmarias,
É abrigo — no tufão;

Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do gondoleiro do amor.