segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ATENÇÃO, METRÔ!

ATENÇÃO, METRÔ!

O metrô de São Paulo precisa fazer uma campanha de esclarecimento: a ala de embarque e desembarque preferencial destina-se aos idosos com mais de 60 anos, gestantes, pessoas com deficiência e pessoas com criança de colo. Ocorre que uma turma cara de pau passa pelo agente do metrô e se posta à frente para embarque. Você olha, olha e não vê 60 anos, ninguém está grávida ou grávido, não há nenhuma deficiência e muito menos criança de colo. O que há, de fato, são pessoas que adotam a antiga lei de Gerson: “levar vantagem em tudo”, em detrimento de pessoas que têm necessidades especiais. Hoje, dia 31/08/2015, embarquei-me no metrô em Vila Matilde passando pela baldeação na Sé, com destino ao Hospital São Paulo, lá na rua Borges Lagoa (Santa Cruz) e pude sentir o problema na pele. Eu sempre digo que pessoas assim (infelizmente) só aprendem com severa repreensão.

Filemon F. Martins 

NOVA AURORA

NOVA AURORA
Filemon F. Martins

Eu me tornei um pobre vagabundo
quando partiste pela vida afora,
talvez sonhaste conquistar o mundo
deixando aqui um coração que chora.

De luz, amor e inspiração me inundo
e vislumbro o romper de nova aurora,
acredito no amor puro e profundo
que mitiga a tristeza que apavora.

Creio no amor intenso, verdadeiro,
sempre perdoa, espera e crê primeiro
sem julgamento, ofensa ou coisa assim.

Quero colher a paz em farta messe,
sentir a graça singular da prece
para buscar o amor dentro de mim!


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ILUSÕES DA VIDA (FRANCISCO OTAVIANO)

ILUSÕES DA VIDA
FRANCISCO OTAVIANO
(1825/1889)

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu...
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida, não viveu.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ÚLTIMO DESEJO

ÚLTIMO DESEJO
Filemon F. Martins

Que eu possa te amar intensamente,
sem nada pedir em troca.
Possa eu te servir sempre,
sem nunca ser servido.
Possa eu te sentir amiga,
e, como amigo, nada te cobrar.
Possa eu passear pelas Estrelas
ANTARES, CANOPUS E TOLIMAN
ou pelas Constelações
SCORPIO, CARINA E CENTAURUS,
- poeira cósmica da imensidão,
em busca do meu sonho Austral
pensando em ti.

Possa eu sentir tua presença,
onde quer que estejas, não importa,
no meu impenetrável coração.
E quando, por fim,
a vida aqui na TERRA
impossível se fizer,
meu eterno e último desejo,
antes de partir, é ouvir tua voz
fascinante de MULHER!





TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON


“É um prazer bem diferente”
que sinto nos braços teus,
quando sorris, docemente,
dando vida aos sonhos meus.
      
Da vida não quero a glória
que tanto engana e seduz.
Prefiro não ter história
a renunciar minha cruz.
      
“É um prazer bem diferente”
que o meu coração conhece,
quando você, sorridente,
em meu caminho aparece.
      
Não julgue pela aparência,
não condene sem saber;
às vezes com paciência
algo bom temos de ver.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

ÁRBITROS DE FUTEBOL

ÁRBITROS DE FUTEBOL
                                         Filemon F. Martins

Não sou do ramo de futebol, mas sou torcedor do Santos do tempo de Pelé e Coutinho. E, como todo brasileiro, assisto aos jogos de futebol pela televisão. A cada jogo, fico impressionado e muito mais irritado com tantos erros cometidos pelos árbitros. Neste domingo, por exemplo, assistia ao jogo do Palmeiras contra o Atlético Mineiro, arbitrado por Sandro Meira Ricci e de repente, o árbitro enxerga e marca um pênalti contra o Palmeiras. Ora, como ele viu esta falta, se ela sequer existiu? Anteriormente, havia visto o São Paulo perder para o Flamengo, como vi também, no mínimo dois pênaltis para o São Paulo, que o árbitro deixou de marcar. Não me lembro do nome do apitador. Estes dois casos ocorreram na rodada de fim de semana, mas existem inúmeros outros, incontáveis até. Acho que está passando da hora de a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) proporcionar cursos de aperfeiçoamento para os árbitros de futebol. Como todo trabalhador, o árbitro precisa atualizar seus conhecimentos, precisa se reciclar. Ele precisa rever o jogo, seus erros e explicar porque errou. O jogador já não pode reclamar com o árbitro porque toma cartão amarelo e o cidadão, despreparado ou incapaz, não consegue apitar corretamente o jogo. Assim, fica difícil permanecer calado diante de tantos erros cometidos pelos árbitros e o torcedor comum tem uma vontade danada de pular televisão a dentro e perguntar para o semideus do jogo se ele está cego ou se é má-fé mesmo? Nestes tempos de pixulecos, tudo é possível. Cabe a CBF investigar! Pronto, desabafei!

Caixa Postal 64
11740 – 970 – Itanhaém – SP.    



RENOVAÇÃO (EUNICE BARBOSA-MÃE DO SAUDOSO CANTOR ANTONIO MARCOS)

RENOVAÇÃO
Eunice Barbosa (mãe do saudoso cantor ANTONIO MARCOS)

Procura teu pouso no colo do vento!
Descansa teus olhos no azul do infinito!
Deixa teus sonhos nas asas do tempo!
Esquece tuas dores e solta teu grito!

Relaxa teus nervos! Repousa tua mente!
Nos braços da vida, liberta teus ais!
Refaz a pintura! Replanta a semente!
Revira essa terra que é velha demais!

Respira profundo!... Remove teus dias!
Fica tranquilo! Não penses em fracassos!
Preenche de paz tuas horas vazias!
Remarca teu chão com a voz dos teus passos!


(DO LIVRO HERANÇA, PÁGINA 110)

domingo, 23 de agosto de 2015

TROVAS DOS JERRY (JERRY SANTOS E JERRY FILHO)

TROVAS DO JERRY (O PAI – 1926/1999)

Vendo a beleza concreta
que me apresenta uma flor,
eu penso: não sou Poeta,
Poeta é Nosso Senhor!

Nesta vida transitória,
nada vejo de valor,
pois, da terra a falsa glória,
murcha e finda como a flor.
TROVAS DO JERRY (O FILHO – IN MEMORIAM)

Chega a noite de mansinho
traz sereno, o orvalho, a lua...
E o meu leito, em desalinho,
me reclama a ausência tua.

Cada trovinha que escrevo,
muito feliz, qual um bravo,
- de quatro folhas – é trevo,
- de amores – é lindo cravo!


(A FIGUEIRA, PÁGINA 3)

sábado, 22 de agosto de 2015

ALVORECER

ALVORECER
Filemon F. Martins

Num festival de luz, a madrugada
vem surgindo no céu, risonhamente:
a Estrela d’Alva brilha alcandorada
sobre a Terra, que a fita, resplendente!

A Natureza, então, qual namorada,
de flores se engalana, sorridente,
cigarras cantam, canta a passarada
agradecendo a Deus esse presente.

E a estrela que brilhava, já sombria
desaparece...  e o mundo que dormia,
desperta, alegre, em meio dessa festa...

Não há beleza que se iguale a esta,
quando luzente o sol se manifesta
no começo feliz de um novo dia!...



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

QUESTÃO DE SORTE (MÁRIO BARRETO FRANÇA)

QUESTÃO DE SORTE
MÁRIO BARRETO FRANÇA

De onde vem a ventura dos felizes?
O gozo desta vida em que consiste?
Se na alma do feliz há cicatrizes...
Se na ânsia da fartura o riso é triste...

Não há feitos heroicos sem deslizes;
O coração mais crente no erro insiste;
Na história humana a cor criou raízes
E o Mal vem contra o Bem, de lança em riste.

Na terra nada é justo nem completo;
Não há futuro garantido, exceto
O do destino universal da morte.

Se a alegria do mundo é enganadora,
Na vida improdutiva ou promissora,
Glória ou fracasso é uma questão de sorte.


(VEJO A GLÓRIA DE DEUS, PÁGINA 132)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

TROVAS (AUTORES DIVERSOS)

TROVAS (AUTORES DIVERSOS)

Levanto cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
Filemon F. Martins

Felicidade – surpresa
que a vida um dia nos faz...
Não tem base nem firmeza
e, como é linda, é fugaz.
Colombina

Para que jamais te iludas
com fortunas e esplendores,
lembra que as plantas miúdas
também se cobrem de flores!
Humberto Del Maestro

Saudade – um suspiro, uma ânsia,
uma vontade de ver
a quem nos vê a distância,
com os olhos do bem-querer.

Bastos Tigre

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

NOITE E VERSOS

NOITE E VERSOS
Filemon F. Martins

Vai alta a noite. A madrugada é fria,
a insônia chega, fica e me namora.
Levanto-me à procura da poesia,
mas ela, impaciente, vai embora.

Percorro o céu do amor, da fantasia,
fico em vigília e vejo a luz da aurora:
- que paz a humanidade alcançaria,
se o amor reinasse pelo mundo afora.

Ouço, distante, o farfalhar do vento,
e por que minha voz não tem alento,
- se o dia vai nascer como criança?

Surge, então, o cantar da passarada
e outros versos virão, na madrugada,

talvez mais coloridos de esperança!

domingo, 16 de agosto de 2015

ENVELHECER (BASTOS TIGRE)

ENVELHECER...
BASTOS TIGRE (1882/1957)

Entra pela velhice com cuidado
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado
Apanha os frutos e recolhe as flores,
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde,
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! O teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!

Tem cada idade a sua juventude...

ALGUNS PENSAMENTOS...

ALGUNS PENSAMENTOS...

Como é insensato o homem que deixa transcorrer esterilmente o tempo.
Johann W. Goethe (1749/1832)

Os poetas são como as crianças. É seu destino cantar diante da vida.
Gustavo Barroso (1888/1959)

Sem dúvida, será a poesia, eternamente, a mais bela expressão dos sentimentos, o gênero literário que mais eleva o espírito humano.
Levi Carneiro (1882/1971)

Para mim, são poetas todos os que consigam fazer realmente poesia, e não apenas versos.
Menotti Del Picchia (1892/1988)


(FONTE: A FIGUEIRA. 2002)

sábado, 15 de agosto de 2015

TROVAS DE O RADAR, COLUNA DE MARIA T. CAVALHEIRO

TROVAS DE O RADAR, COLUNA DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO (SÃO PAULO)

De uma forma muito astuta,
a mentira nunca falha:
hoje atinge a quem a escuta,
amanhã a quem a espalha.
JOSÉ OUVERNEY

Ainda que sejas minha
já nos lençóis do meu sonho,
tu moras em cada linha
das páginas que eu componho!
PEDRO MELLO

Que Deus com sua bondade,
num gesto de amor profundo,
ilumine a humanidade
e envie paz a este mundo!
MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Quando o trem parte lotado,
carregado de ilusões,
meu peito fica apertado
com medo dos arrastões.

FILEMON F. MARTINS

A LÍNGUA PORTUGUESA (BARÃO DE ITARARÉ)

O Português é mesmo difícil. Existe a calça que a gente bota e a bota que a gente calça.

Barão de Itararé

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SEMENTE (MANOEL CARDOSO)

SEMENTE
MANOEL CARDOSO (SÃO PAULO)

Em cada grânulo
uma latente vida dorme

um ano, uma década
(sempre?)
no aconchego do tempo

se um dia cai ao solo
acorda, cresce
e se nutre de húmus
e de luz

floresce, frutifica
alimenta
vive

Se mente o ser
que não gerou a semente
cabe-lhe culpa
se a grande dor é morrer
sem ter aprendido a operação
que soma e multiplica
nada mais resta a fazer.


(Do livro ESMERILHO-ME NA LÂMINA DO DIA, PÁGINA 20)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

MALGRADO (JOÃO BATISTA XAVIER OLIVEIRA)

MALGRADO
João Batista Xavier Oliveira (Bauru/SP)

O tempo está perdendo consistência;
pessoas mal conseguem meditar;
o frenesi, filhote da ciência,
lugar-comum, qualquer seja o lugar.

É a nova era, a febre da existência,
vendendo tudo, até a luz do luar!
E mais distante a luz da Providência
ao livre-arbítrio brilha sem parar.

Como é pequena a vida que se encerra
na plenitude fria da alquimia;
na inexorável sina de uma guerra...

E mesmo assim, malgrado a algaravia,
os nortes fazem parte desta terra;
auroras prenunciam outro dia...!


(FONTE: ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 417, JOSÉ FELDMAN)

SEMPRE ATUAIS...

SEMPRE ATUAIS AS PALAVRAS DO MESTRE RUI BARBOSA:


“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

MODORRANDO... (MIGUEL RUSSOWSKY)

MODORRANDO... VOU DE CARONA
Miguel Russowsky

Verão. Domingo. A brisa morna e branda
vai furungando ao léu, sem disciplina.
De quando em quando, as franjas da cortina
agitam-se em meneios de ciranda.

A tarde está dormindo na varanda,
com seu perfil de cortesã grã-fina.
O relógio, viciado na rotina,
parece concordar... Quase nem anda.

A preguiça – senhora muito obesa –
cansada, se estatela no sofá,
boceja devagar... Só quer moleza!...

A vida, muitas vezes estaciona...
mas, se quiser seguir... deixo que vá!

(... Eu nem posso impedir... Vou de carona!)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

UMA GLOSA DE CAICÓ/RN

Uma Glosa de Caicó/RN
Prof. Garcia - Glosando Selma Patti Spinelli (São Paulo/SP)
Mote:
Sou fiel e não te nego
este dever que é uma lei:
– não pelo amor que foi cego,
mas pelo “sim” que te dei.
Glosa:
Sou fiel e não te nego.
Por te amar, sempre pequei;
este pecado eu carrego...
Só que até quando, eu não sei!

Mesmo o amor cego, me ensina,
este dever que é uma lei:
– não é em qualquer esquina,
que vive o amor que sonhei!

Aos teus anseios, me entrego,
mesmo sofrendo de dor;
não pelo amor que foi cego,
mas por ser cego de amor!

Meu pesadelo é sem fim,
desde o tempo em que te amei...
Não porque disseste sim,
mas pelo “sim” que te dei!


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, 418, JOSÉ FELDMAN)

OS PETISTAS...

OS PETISTAS...
Filemon F. Martins (Itanhaém-SP)

No fundo, sou admirador dos petistas. Eles são persistentes. Não é fácil explicar o inexplicável. Justificar o injustificável. Mas eles tentam. Os fatos estão aí, mas eles ignoram ou fingem não acreditar no que leem. Os jornais e revistas trazem, todos os dias, informações sobre a quadrilha que foi montada no Brasil para roubar o dinheiro público. Mas eu recomendo que leiam, pelo menos, a revista VEJA, que vai para as bancas dia 12/08/2015. É claro que os petistas inocentes dirão que é fantasia criada pela oposição, mesmo com a condenação da trupe do PT pelo Supremo Tribunal Federal, no caso do mensalão.  Os petistas cínicos dirão que não houve mensalão e muito menos petrolão. É tudo mentira. E nisso eles são imbatíveis. A verdade é que a casa caiu. Estamos torcendo (fazer o que?) para que o grande chefe seja desmascarado e preso. Quando isso acontecer, o Brasil será outro.

Caixa Postal 64

11740-970 – Itanhaém – SP.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

LUAR DO SERTÃO (CATULO DA PAIXÃO E JOÃO PERNAMBUCO)

LUAR DO SERTÃO
Catulo da Paixão Cearense (1863/1946) e João Pernambuco (1883/1947)

Oh! Que saudades do luar da minha terra
lá na serra branquejando folhas secas pelo chão.
Este luar cá da cidade tão escuro
não tem aquela saudade do luar lá do sertão.
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Se a lua nasce por detrás da verde mata
mais parece um sol de prata prateando a solidão.
E a gente pega na viola que ponteia,
e a canção é a lua cheia a nos nascer no coração!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Quando vermelha no sertão desponta a lua
dentro d'alma onde flutua também rubra nasce a dor!
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
e a nossa dor muda em saudade branca... assim... da mesma cor.
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Ai!... Quem me dera que eu morresse lá na serra
abraçado à minha terra e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
onde à tarde, a sururina chora a sua viuvez!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Diz uma trova, que o sertão todo conhece
que se, à noite, o céu floresce, nos encanta, e nos seduz,
é porque rouba dos sertões as flores belas,
com que faz essas estrelas lá do seu jardim de luz!!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Mas como é lindo ver, depois por entre o mato
deslizar calmo, o regato, transparente como um véu.
No leito azul das suas águas, murmurando,
ir por sua vez roubando as estrelas lá do céu!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
A gente fria desta terra sem poesia
não se importa com esta lua nem faz caso do luar...
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
leva uma hora inteira, vendo a lua, a meditar!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Coisa mais bela neste mundo não existe
do que ouvir-se um galo triste no sertão, se faz luar.
Parece até que a alma da lua é que descanta,
escondida na garganta desse galo a soluçar!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Se Deus me ouvisse com amor e caridade,
me faria esta vontade o ideal do coração.
Era que a morte a descantar me surpreendesse
e eu morresse numa noite de luar no meu sertão!
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
E quando a lua surge em noites estreladas,
nessas noites enluaradas, em divina aparição,
Deus faz cantar o coração da Natureza,
para ver toda beleza do Luar do Maranhão.
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Deus lá no céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
a canção do meu sertão, do meu sertão primaveril,
disse aos arcanjos que era o Hino da Poesia,
e também a Ave-Maria da grandeza do Brasil.
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!
Pois só nas noites do sertão de lua plena,
quando a lua é uma açucena, é uma flor primaveril,
é que o Poeta, descantando a noite inteira,
vê, na Lua Brasileira, toda a alma do Brasil.
Não há, oh gente, oh! não
luar como esse do sertão!


MUDANÇA DE RUMO

MUDANÇA DE RUMO
Filemon F. Martins

Não consigo entender tua procura
e essa corrida que não tem descanso,
se a vida foi madrasta, triste e dura,
melhor é procurar outro remanso.

Às vezes, o capricho é uma loucura,
não traz felicidade nem avanço
na procura da paz e da ventura,
o amor fala mais alto, embora manso.

Por que buscar carinho na incerteza,
se aqui mesmo tens luz e tens beleza
que podem transformar o teu desejo?

É melhor prosseguir naquela estrada
onde a felicidade fez morada
e estará te esperando com um beijo.



sábado, 8 de agosto de 2015

CORPO DE MULHER (ALMIR DINIZ)

CORPO DE MULHER
ALMIR DINIZ

Foi num dia de festa, pompa e riso,
de alegria e lazer... só que faltava
ao Mestre, a obra-prima que buscava:
o supremo projeto e decisivo.

Juntou elos esparsos... – era preciso
produzir algo raro, e pesquisava... –
uniu luz, cor e massa... e não achava
o toque especial, definitivo.

Por fim, mentalizou, o que queria
e sorriu. Sua bela obra, viva e pura,
chegara. E superava a ideia em tudo.

Deu-lhe formas sutis, doce magia
e malícia divina... Era a escultura
um corpo de mulher... pleno e desnudo!


(DO LIVRO MULHERES, PÁGINA 28)