terça-feira, 30 de junho de 2015

O AMOR

O AMOR
Filemon F. Martins

É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer num atropelo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER!


filemon.martins@uol.com.br

TROVAS INESQUECÍVEIS

TROVAS INESQUECÍVEIS

Para ter luz nas andanças
da mais cruel das paixões,
eu fui queimando esperanças
como se fossem carvões.
WALTER WAYNE

Não basta emprestar ao pobre
as migalhas da riqueza:
o gesto certo e mais nobre
é livrá-lo da pobreza!

FRANCISCO NOGUEIRA

segunda-feira, 29 de junho de 2015

JUNHO - MÊS DOS NAMORADOS

JUNHO – MÊS DOS NAMORADOS
               (versos sem métrica)
            Filemon F. Martins

O mês de junho, senhores,
é o mês de muitos amores
tem minha predileção,
tem festa de padroeiro
Santo Antonio casamenteiro,
São Pedro e São João.

No Dia dos Namorados
têm casais apaixonados
e aos beijos de montão.
Têm amores escondidos,
têm amores coloridos
curtindo o amor e a paixão.

Têm festas e têm folguedos,
têm corações em segredos,
tem pipoca e tem quentão.
Rapazes bailam contentes,
moças dançam envolventes
abraçadas no salão.

A noite fica pequena
quando rebola a morena
atiçando os corações.
Todos a querem na dança
e a morena já se lança
no meio dos rufiões.

Há trocas de muitas juras,
casais que sonham venturas
que a vida promete dar.
E vão assim se beijando
pela vida vão-se amando,
felicidade... é amar...


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11740-970- Itanhaém – SP.


domingo, 28 de junho de 2015

MÁXIMAS EM MÍNIMAS TROVAS

MÁXIMAS EM MÍNIMAS TROVAS


Lei que é honesta, não susta
o seu castigo aos velhacos.
- Qualquer lei se torna injusta
quando só se aplica aos fracos.
(WALTER WAYNE)

No giro do mundo, eu vejo
o pecado em dimensão:
- pobre peca, por desejo,
- e rico, por ambição.
(PALUMA FILHO)

Duas coisas nesta vida,
nos incomodam de fato:
- um empurrão na descida
e pedrinhas no sapato.
(JANE P. TEIXEIRA)

Quanta gente se arreceia
de julgar os atos seus,
mas julga as ações alheias,
na pretensão de ser Deus!
(FERNANDES VIANNA)


(ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS, 1981, PÁGINA 6)

sábado, 27 de junho de 2015

HAICAIS DE TERUKO ODA

HAICAIS DE TERUKO ODA

O dedo que aponta
Não consegue acompanhar
A estrela cadente.

Cheia, sobre a serra,
É outra a lua da cidade
Que há pouco subia...

Chuva insistente –
E a última rosa de inverno
Teimosa, não cai.

Ao salgueiro, as folhas
Já não parecem pesar –
Inverno fenece.


(GRÊMIO DE HAICAI CAMINHO DAS ÁGUAS, PÁGINA 31)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

TROVAS CLASSIFICADAS NOS JOGOS DE CURITIBA-PR.

TROVAS CLASSIFICADAS NOS JOGOS FLORAIS DE CURITIBA-PR


5º lugar
Provando o teu poderio,
Iguaçu, nos arrebatas,
criando em pleno vazio
a explosão das Cataratas...
Darly O. Barros
São Paulo – SP
 
 
6º lugar
Dança o Iguaçu, mansamente,
por entre o verde das matas
e entre os passos, de repente,
rebenta-se em cataratas.
Almira Guaracy Rebelo
Belo Horizonte - MG
 
 
7º lugar
Ao longe, escuto a sonata
do teu enlevo profundo...
Iguaçu, és a cascata
que encanta os olhos do mundo.
Hélio Pedro Souza
Natal - RN
 
 
8º lugar
Quando o Iguaçu se derrama
e a foz torneia caudais,
a beleza faz a fama
da “terra dos Pinheirais”.
Selma Patti Spinelli

terça-feira, 23 de junho de 2015

TROVAS DE WALTER SIQUEIRA

TROVAS DE WALTER SIQUEIRA
(CAMPOS – RJ)

O homem que se imagina
senhor do Mundo, sem dó,
mal sabe que a sua sina
é um dia tornar-se pó...

Por entre pedras brotando,
a plantinha se insinua
para ver, no céu dançando,

a bailarina que é a lua.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS
(SÃO PAULO)

Arranhavam feito espinho,
mas me lembro e o pranto cai...
Como era doce o carinho
das mãos rudes de meu pai!

Novo rumo, despedida...
E ao pressentir minhas dores,
a paineira, entristecida,

chora lágrimas de flores!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

TROVAS DE GUIMARÃES BARRETO

TROVAS DE GUIMARÃES BARRETO
(RIO DE JANEIRO – RJ)

Visitas inesperadas
Causam-nos dupla emoção!
De surpresa – nas chegadas,
De alívio, quando se vão.

Cair na boca do povo
É coisa má? Sim ou não.
Se mulher – tormento novo,

Se trova – consagração!

HAICAIS DO FILEMON

HAICAIS DO FILEMON

Não quero saber 
dos teus erros e deslizes, 
- são todos banais. 

Madrugada fria, 
lá fora o sereno cai, 
mas você me aquece. 




A noite em silêncio 
traz mimos aos corações 
dos apaixonados. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

TROVA DE SAMUEL PIRES RIBEIRO

TROVA DE SAMUEL PIRES RIBEIRO

Amigos, guardem de cor
e viverão satisfeitos:
nossa vitória maior
é vencer nossos defeitos.


SONETO SEM NOME (JANSKE N. SCHLENKER)

SONETO SEM NOME
Janske Niemann Schlenker  (Curitiba-PR)

Andando… andando… e vendo o céu tão mudo,
fiquei pensando nesta estranha vida.
Fiz do meu peito um poderoso escudo,
para que a dor não venha a ser sentida.

E vou andando… e sonho ter de tudo,
e penso ser, na imensidão perdida,
tudo o que é belo e faz sorrir. Contudo,
minha alegria às vezes é fingida…

Sou a ilusão que em parte alguma pousa
e o gargalhar que à própria dor resiste;
por sobre espinhos meu sonhar repousa…

Sou todo o riso que no mundo existe
e entre a ventura de ser tanta cousa,
tenho a ventura de também ser triste…


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 408, JOSÉ FELDMAN)

terça-feira, 16 de junho de 2015

SOBRE A MAIORIDADE PENAL

SOBRE A MAIORIDADE PENAL
Filemon F. Martins

Ainda fico com a experiência. Experiência própria. Cheguei em São Paulo com 18 anos, proveniente da Bahia. Mas, antes já havia visitado São Paulo algumas vezes, portanto com 16 ou 17 anos. Aqui cheguei, confesso, com uma mão na frente e outra atrás. Fui morar numa pensão, na rua Almirante Barroso, no bairro do Brás. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. - É difícil? - É, aliás, muito difícil. Quer roupa lavada e passada, pague alguém ou vá lavar e passar suas roupas. Mas, nunca fui roubar tênis, dinheiro ou qualquer outra coisa de quem quer que seja, porque era pobre. Casei-me e fui morar na periferia de São Paulo, Itaim Paulista, onde criamos, eu e a mulher, cinco filhos. Três homens e duas mulheres. Eu, funcionário da Empresa Folha da Manhã e minha esposa, como costureira e modelista, trabalhava nas confecções do Brás. Nenhum dos filhos, graças a Deus, embora criados na periferia de São Paulo foi para o crime. Hoje, todos eles têm suas famílias, suas casas, seus carros, sem enveredar pelo mundo das drogas ou do crime. A REVISTA VEJA desta semana traz uma reportagem sobre cinco bandidos que estupraram, torturaram, desfiguraram quatro meninas em Castelo, no Piauí e mataram uma delas. Um dos bandidos tem 39 anos. Quanto aos outros, dois têm 15, um 16 e outro, 17. Na concepção de muitos, eles são crianças e não sabem o que fazem. Perguntem às famílias das vítimas, o que eles realmente merecem?
Ora, cadeia neles. São bandidos. Entendo que é uma questão de índole. Por exemplo, ontem dia 15/06, um “cavalo” montado numa bicicleta me atropelou. Estava eu na Av. Milene Elias, Ermelino Matarazzo, cujo sentido de carros é um só e ia atravessar a pista. Olhei e vi que não havia carros, mas não olhei para o sentido contrário, ora bolas, era contramão. Mas o cara veio com tudo e só senti o baque. Parar para socorrer, perguntar se havia machucado, se estava bem, que nada, ele deu no pé. Um outro rapaz que passava pelo local, veio em meu socorro. Veja a diferença: o atropelante tem índole má, não adianta, ele é mau. Já o socorrista poderia ter passado batido, ele não me conhece, nunca me viu nem na feira, mas tem índole boa, me ajudou a levantar e só me deixou ir embora quando se certificou de que eu andaria sozinho, apesar dos fortes arranhões.
Por essas e outras, sou a favor da redução da maioridade penal. Não como a salvação da pátria, como alguns pregam, mas, sobretudo porque é preciso acabar com a impunidade e de forma geral.

Caixa Postal 64

11740 – 970 – Itanhaém – SP.

TROVAS DE WALTER SIQUEIRA

TROVAS DE WALTER SIQUEIRA
(CAMPOS – RJ)

Quem dá esmolas DEMAIS,
EM NOME DA CARIDADE,
CRIA MENDIGOS ATRÁS,
SEMPRE EM MAIOR QUANTIDADE.

DENTRO DOS VELHOS CONVENTOS,
REZANDO TANTA ORAÇÃO,
OS MONGES TÊM SENTIMENTOS

QUE ÀS VEZES SÃO DE PAIXÃO.

domingo, 14 de junho de 2015

TROVAS DE NILTON ARAÚJO

TROVAS DO NILTON ARAÚJO
(SANTA IZABEL – SP)

A vida é coisa singela,
é curta, é triste e é vaga,
é como a luz de uma vela
que num instante se apaga.

A lua no céu correndo,
como criança fugindo,
como uma rosa nascendo,
como uma folha caindo.



sábado, 13 de junho de 2015

TROVAS DE HELVÉCIO BARROS

TROVAS DE HELVÉCIO BARROS
(BAURU – SP)

Com tais pílulas na praça,
vendidas hoje, a granel,
já ficou até sem graça
a própria lua de mel...

Não choro, na solidão,
a vida que vai passando,
choro, apenas, com razão,
o que a vida vai matando!...


TROVAS DE IZO GOLDMAN

TROVAS DE IZO GOLDMAN
(SÃO PAULO – SP)

Tenho medo de mulher
com marido e, mesmo sem...
- da solteira, porque quer...
- da casada, porque tem...

A vida vai prometendo,
não cumprindo e, muito esperta,
quando eu cobro, vai dizendo:

- “qualquer dia a gente acerta...”

sexta-feira, 12 de junho de 2015

HAICAIS DO FILEMON

HAICAIS DO FILEMON

Noite linda, calma,
os pirilampos passeiam
enfeitando o céu.

Quero “deletar”
quem provoca o meu sofrer,
e seguir em paz.

Nos galhos das árvores
o passarinho se agita
e diz: bem-te-vi.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

TROVAS DIVERSAS

TROVAS DIVERSAS

A chuva é gelada e fina,
a madrugada flutua...
Chora um trompete em surdina
no bar da esquina da rua.
Humberto Del Maestro

Amar é fazer o ninho
que duas almas contém;
ter medo de estar sozinho,
dizer com lágrimas: - Vem!
Tobias Barreto

A Juventude passou
como uma flor em botão
que só pétalas deixou
murchas no meu coração.
Henny Krapf

Qualquer lar, por mais precário,
quando abriga a luz do amor,
se transforma em santuário
onde habita o Criador.
Antonio de Oliveira


(LITERARTE, MAIO/2015, EDITOR ARLINDO NÓBREGA)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

SOBERANIA

SOBERANIA
Filemon F. Martins

O coração é soberano,
não aceita imposições.
Ama sempre a quem ele escolhe
e nunca nos revela
os critérios de sua escolha.


terça-feira, 9 de junho de 2015

TROVAS DE WALTER WAENY

TROVAS DE WALTER WAENY
(SANTOS – SP)

Sorrindo, a lua indiscreta
me espia pela janela,
pois sabe que sou poeta
e sabe que eu gosto dela!

Quando o sol desce ou se eleva,
dá-se o sangrento conflito
da claridade com a treva

na arena azul do infinito!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

TROVAS INESQUECÍVEIS

TROVAS INESQUECÍVEIS
(TROVIA – ANO 16 – 182 – SEÇÃO DE MARINGÁ-PR)

Nós somos tão um do outro,
que eu fico às vezes pensando
que em nossos abraços loucos
sou eu que estou me abraçando! 
Adriano Carlos

Hoje eu sei que foi loucura...
Mas ao louco que fui eu
devo o pouco de ternura
que o bom senso não me deu!
Cesídio Ambrogi


domingo, 7 de junho de 2015

TROVAS DE LUIZ MÁXIMO DE SOUZA

TROVAS DE LUIZ MÁXIMO DE SOUZA (SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP)

Os caminhos da amargura,
ou os caminhos da paz,
a gente mesmo os procura,
a gente mesmo os perfaz.

Amar, sofrer, ter ciúme
e ser feliz como a flor...
- nossa vida se resume
nestes mistérios do amor.





A CIDADE DE RECIFE (ADELMAR TAVARES)

A CIDADE DE RECIFE
Adelmar Tavares

Pátria do meu amor! Recife linda,
como te guarda o meu saudoso olhar!
Velas ao longe... Os coqueirais de Olinda,
e uma terra a nascer da água do mar...

Um céu de estrelas que entrevejo ainda.
Sob as pontes, o rio a se estirar...
Noites de lua... que saudade infinda...
brancas... que dão vontade de chorar...

Filho ingrato, parti... Mas nem um dia,
deixei de te lembrar, por mundo alheio,
onde me trouxe a glória fugidia.

Pátria, quando eu morrer, piedosa e boa,
dá que eu durma o meu sono no teu seio,
como um seio de Mãe que ama e perdoa...



(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 406, JOSÉ FELDMAN)

sábado, 6 de junho de 2015

TROVAS DE ROBERTO FERNANDES

TROVAS DE ROBERTO FERNANDES
(TERESÓPOLIS – RJ)

Triste mundo este de agora...
Já não há mais consciência,
a gente ouve de hora em hora,
notícias de violência.

Ao beijar-te novamente,
que tristeza, que vazio...
Esperando um beijo quente

tu me deste um beijo frio.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

TROVAS DO FRANCISCO FORTES (TAUBATÉ- SP)

TROVAS DO FRANCISCO FORTES
(TAUBATÉ – SP.)

Suprema felicidade
traz o preceito cristão,
a verdadeira amizade
faz de um amigo, um irmão.

Parado junto à janela,
vendo esta chuva sem fim,
eu fico pensando nela...

- será que ela pensa em mim?

HAICAIS DO FILEMON

HAICAIS DO FILEMON

A tarde gostosa
traz a carícia da brisa,
e beijos também.

Choveu no Sertão
e enquanto a Natura chora,
o povo sorri.


A tarde desmaia 
e a noite estende seus braços 
colorindo o céu. 


quinta-feira, 4 de junho de 2015

VELHO CHICO

               VELHO CHICO

           Filemon F. Martins



Desde menino,
em Morpará,
aprendi com o Sertanejo
que o Velho Chico nasce na Serra da Canastra,
em Minas Gerais.
Aprendi também que o nosso rio
era conhecido como o “Nilo Brasileiro”,
ou ainda “Opará” pelos indígenas.

Com mais de 2800 km de extensão
percorre Minas, Bahia,
Pernambuco, Sergipe e Alagoas,
desembocando no Oceano Atlântico.

Hoje,
assoreado, poluído e maltratado,
precisa de revitalização.
Suas matas ciliares foram,
aos poucos, destruídas, em nome do progresso.

Mas, agem ao contrário,
querem mudar seu curso.
Querem mudar seu destino.
Dizem, cinicamente, que trará benefícios,
mas não informam aos bolsos de quem.

Ah, São Francisco de Assis,
se o Velho Chico falasse, certamente falaria:
Quero correr entre as árvores,
frutificando pomares, perfumando jardins,
irrigando aquelas terras
do já tão seco Sertão.
Quero seguir meu curso como quis meu Criador,
alimentando pescadores, pobres e esquecidos
que vivem perto de mim.
Quero que todos saibam:
estou morrendo de dor.

(Do livro ANSEIOS DO CORAÇÃO, páginas 26/27)