quarta-feira, 17 de junho de 2015

SONETO SEM NOME (JANSKE N. SCHLENKER)

SONETO SEM NOME
Janske Niemann Schlenker  (Curitiba-PR)

Andando… andando… e vendo o céu tão mudo,
fiquei pensando nesta estranha vida.
Fiz do meu peito um poderoso escudo,
para que a dor não venha a ser sentida.

E vou andando… e sonho ter de tudo,
e penso ser, na imensidão perdida,
tudo o que é belo e faz sorrir. Contudo,
minha alegria às vezes é fingida…

Sou a ilusão que em parte alguma pousa
e o gargalhar que à própria dor resiste;
por sobre espinhos meu sonhar repousa…

Sou todo o riso que no mundo existe
e entre a ventura de ser tanta cousa,
tenho a ventura de também ser triste…


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 408, JOSÉ FELDMAN)

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