sexta-feira, 30 de setembro de 2016

TROVAS DE FILEMON F. MARTINS

TROVAS DE FILEMON F. MARTINS

A distância é que nos mata
pois logo vem a saudade;
saudade – presença ingrata
de antiga felicidade.

A felicidade é um sonho,
- por que deixar pra depois?
O amor é sempre risonho
na vida vivida a dois. 

Cai a chuva na vidraça
e eu fico triste, porque
não há beleza nem graça
nesta casa sem você.

Céu azul, todo estrelado,
sorrindo, ao clarão da lua,
e o meu peito, apaixonado,
a chorar a ausência tua.

Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de outro alguém.

(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO IV, VOL. 3, SP, JOSÉ FELDMAN)


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

TROVAS DE ALBA CHRISTINA CAMPOS NETO


TROVAS DE ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO - SP

Em momentos exaltados
sem poder falar e agir,
o silencio dá recados
que poucos sabem ouvir.

Fui lembrar nosso namoro,
e pelo jardim, os gnomos
juntaram-se a mim no coro
das lembranças do que fomos.

- Há uma loura acompanhando
seu marido o dia inteiro...
- Pois vai acabar cansando...
O meu marido é carteiro!

Letras feias, mal impressas,
e o descuido peculiar
de quem, convidando às pressas,
sabe que eu não vou faltar...


(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO IV, VOL. 3, SÃO PAULO, JOSÉ FELDMAN)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

TROVAS DE OLINDO DE LUCA

TROVAS DE Olindo de Luca
Limeira (1915 – 1997)

A cicatriz nesta idade,
que trago dentro do peito,
foi feita pela saudade
de um bem-querer já desfeito.

Bem sei que me correspondes,
e vives dentro de mim...
Se te procuro te escondes,
não entendo coisa assim!

Como é bom ter amizades,
e por tantos ser amado,
e ter de muitos saudades...
Querer bem não é pecado!

Ela diz que vem me ver,
não creio nisso, jamais!
Meu coração a bater
já me disse “NUNCA MAIS!”

Esta saudade sem par,
que maltrata mas faz bem,
é por causa de um olhar,
e muitos beijos também.


(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO IV, VOL. 3, SP, JOSÉ FELDMAN)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

TROVAS DE AMILTON MACIEL MONTEIRO

TROVAS DE AMILTON MACIEL MONTEIRO (SÃO JOSÉ DOS CAMPOS)

A beleza da floresta
é tamanha aos olhos meus
que ao fitá-la, só me resta,
dar muitas graças a Deus!

A estrada da minha vida
é cheia de sobe e desce,
mas na subida ou descida
um sol radiante aparece!

Amigos também são Anjos
com que Deus cuida de nós;
eles sempre têm arranjos
que desatam nossos nós…

Aprendi, vendo um faquir,
algo que ninguém me disse:
- é importante saber rir
com a própria caduquice!

Céu calmo, rede macia,
no peito um grande calor...
Você falava, eu ouvia
embriagado de amor!


(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO IV, VOL. 3, SÃO PAULO, JOSÉ FELDMAN)

sábado, 24 de setembro de 2016

HISTÓRIA SEM FINAL (JOSÉ ANTONIO JACOB)

HISTÓRIA SEM FINAL
JOSÉ ANTONIO JACOB ( JUIZ DE FORA/MG)

Abro o caderno onde escrevi outrora
As minhas ilusões de amor e rima
E o que esses versos me dirão agora
Se já não tenho crença e nem estima?

Procuro uma palavra que me exprima
Um pensamento bom, que não se aflora,
E quando a luz da ideia se aproxima
A sombra da esperança vai embora.

Meus frágeis versos, vítimas de mim,
Leguei-lhes toda herança do meu mal
Em pobres frases vãs e inacabadas.

Serão eternos por não terem fim
E viverão nas páginas fechadas
Do meu livro de história sem final.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 464, JOSÉ FELDMAN)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

TROVAS DIVERSAS

TROVAS (AUTORES DIVERSOS)

Morreu o sol lentamente,
incendiou-se o céu profundo...
Levaram para o poente
todas as rosas do mundo!
Vasco de Castro Lima
Quantas noites, meu amor,
olhando, no céu, a lua,
eu me sinto um trovador
pensando na imagem tua.
        Filemon Martins
Esconde o pranto depressa
e finge que estás contente,
que aos outros não interessa
saber as mágoas da gente!
        Maria Thereza Cavalheiro
Coração de mãe – canteiro
em perene floração,
onde um santo jardineiro
planta as rosas do perdão.
        Marilita Pozzoli

filemon.martins.blog.uol.com.br
Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Quando a dúvida se instala
dentro de um peito infeliz,
não importa o que ela fala,
já se sabe o que ela diz!

Quem bate às costas da gente
procura, às vezes, lugar
para o punhal, simplesmente,
com mais firmeza enterrar…

Quem perde a oportunidade
por medo de ser feliz,
não colhe nem a saudade,
que arrancou pela raiz!

Reticências... uma frase
que alguém pensa mas não diz...
Justamente aquele "quase"
que nos faria feliz!


(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO VIII, VOL. 3, JOSÉ FELDMAN)

domingo, 18 de setembro de 2016

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

O remorso que arruína
– passado sempre presente –
é aquela voz, em surdina,
a acusar dentro da gente.

Passarinhos, em sonata,
fazem festa no arrebol,
quando despertam a mata
para os afagos do sol!

Por certo a ternura existe
no amigo que está por perto
e transforma um pranto triste
em lindo sorriso aberto!

Por mais que intimide o mundo
e a vida acarrete o medo,
sempre se guarda no fundo

uma esperança em segredo. 

(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO VIII, VOL. 3, JOSÉ FELDMAN)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

TROVAS DE JOÃO RANGEL COELHO

TROVAS DE João Rangel Coelho -  Juiz de Fora/MG (1897) Rio de Janeiro/RJ (1975)

A angústia que mais me aterra,
neste mundo assim medonho,
é sentir-me preso à terra,
tendo asas para o sonho.

A ausência vale, em verdade,
como teste de valor:
- mede, através da saudade,
a fibra de um grande amor!

A chuva embala quem sofre...
Quando chove como agora,
a gente abre um velho cofre,
lê velhas cartas e chora...

Aérea, fluída de gaze,
corpo volátil de essência
sua presença era quase
como se fosse uma ausência.

A justiça imaculada,
tendo no céu as raízes,
não pode ser acusada
dos erros dos maus juízes.


(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO VI, VOL. III, JOSÉ FELDMAN)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O QUE É A VIDA?

O QUE É A VIDA?


             Filemon F. Martins


A vida é uma jornada de aventura,
o ser humano nasce, vive e morre.
Uma réstia de sonho e de ventura,
eis o prêmio maior a que concorre.

A mocidade passa e a desventura
vem apressada e pela vida escorre
impondo ao coração essa amargura
que mata devagar... e não socorre...

Eis a vida, em resumo, companheiro,
mas a esperança e a fé falam primeiro
e amenizam, no mundo, a nossa dor.

Porque depois a vida é permanente
numa escola avançada e inteligente
sempre em busca de Deus, o Criador!

filemon.martins@uol.com.br
www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém – SP.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

CAMÕES REDIVIVO

CAMÕES REDIVIVO
            Newton de Lucca  

Suportar o mundo
bem que seria possível
(se a tanto não me faltasse
o engenho e a arte...)

Mas como engolir a vida
com essa gente
- surda e endurecida –
cantando e espalhando
em toda parte?

(ANTOLOGIA POÉTICA – VOLUME IV, PÁGINA 132)


domingo, 11 de setembro de 2016

COLAR ADÂMICO

COLAR ADÂMICO

ESTENDENDO AS NOSSAS MÃOS,
mesmo aos nossos inimigos,
será o mundo de irmãos,
sem guerra e outros perigos.
José Miranda Jordão
Rio de Janeiro - RJ
“Sem guerra e outros perigos”
seria o mundo uma flor,
sem maldades, sem castigos,
só de amor, de muito amor.
Kideniro F. Teixeira
Fortaleza - CE
“Só de amor, de muito amor”
e de sonho mais profundo,
se eu pudesse, sonhador,
viveria nesse mundo!
Daniel de Carvalho
Nova Friburgo - RJ
“Viveria nesse mundo”
sempre com muita alegria,
se o amor fraterno e profundo
existisse todo dia.
Inocêncio Candelária
Mogi das Cruzes - SP
“Existisse todo dia”
vontade firme pro bem,
na certa, o Cristão daria
exemplos de fé... no além.
Mário R. Barreto
Ipiaú - BA
“Exemplos de fé... no além”
e a harmonia como meta,
seria a vida também
mais fácil, menos inquieta.
João E. Nascimento
Mogi das Cruzes - SP
“Mais fácil, menos inquieta,”
é a esperança de um porvir
que só a alma do poeta
é capaz de traduzir.
Armando de Toledo
Santos – SP
“É capaz de traduzir”
a grandeza do Universo,
quem consegue transmitir
belas mensagens no verso.
Jerry Filho
São Paulo - SP
“Belas mensagens no verso”
são elas bem transmitidas,
quem não olha o lado inverso
das coisas belas da vida!
Rodolfo C. Cavalcante
Salvador - BA
“Das coisas belas da vida”
que colhi, em profusão,
eis a mais nobre e querida:
Em cada trova – um irmão.
Filemon F. Martins
São Paulo - SP
“Em cada trova – um irmão”
há de encontrar, em verdade,
quem cultivar a Razão
na lavoura da Humildade.
Paulo Monteiro
Passo Fundo - RS
“Na lavoura da humildade”
quem planta boa semente
desfruta felicidade,
recolhe amigos somente.
Álvaro Faria
Rio de Janeiro - RJ
“Recolhe amigos somente”
quem ajuda seus irmãos;
o amor é sempre crescente,
ESTENDENDO AS NOSSAS MÃOS.
Mário Ribeiro Martins
Palmas - TO




PARADOXO

PARADOXO 
 FILEMON F. MARTINS

Quase sempre erramos
porque queremos ser fortes e poderosos
na jornada da vida.
Esquecemos que é a brisa leve e suave
que produz música ao balançar as folhas das árvores
e não a tempestade que fere, mata e destrói.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

VEM, PRIMAVERA!

VEM, PRIMAVERA! 

Filemon F. Martins


Vem, primavera de cores 
encher a terra de flores, 
de beleza e perfeição. 
Flores azuis, amarelas, 
vermelhas, brancas, singelas 
que dão vida ao coração. 

Vem, alegre primavera 
enfeitar nossa tapera, 
vem povoar nossos sonhos, 
vem dizer NÃO a guerra 
vem trazer à nossa terra 
dias felizes, risonhos. 

Vem, primavera – vida, 
seja a nossa prometida, 
nossa crença e nossa fé. 
Teu colorido, teu encanto 
enxuga até nosso pranto 
e nos coloca de pé. 

Cada pessoa, no mundo, 
sente um amor profundo 
na mais alegre estação. 
Por uma de nossas flores, 
as mulheres, meus senhores, 
têm minha predileção.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

CAMINHOS DO SERTÃO

                 CAMINHOS DO SERTÃO

Filemon F. Martins


                                              
                           Eu conheço de perto estes caminhos
                           onde as águas deslizam pelas grotas,
                           onde as aves, alegres, fazem ninhos
                           para  depois buscarem  novas rotas.

                           Bons amigos, parceiros e vizinhos,
                           não vitórias nem também derrotas.
                           As árvores acolhem passarinhos
                           que chegam de paragens tão remotas.

                           A lembrança me vem ao pensamento,
                           como era  bom  viver aquele tempo
                           em que o sonho embalou o coração.

                           Eu quisera, de novo, estar desperto
                           e andar, mais uma vez, de peito aberto
                           pelos  caminhos  ínvios  do  Sertão!