terça-feira, 31 de maio de 2011

PAIXÃO SORTIDA

PAIXÃO SORTIDA

Miguel Eduardo Gonçalves

Como um olhar que acende a madrugada
Em frasco de perfume raro nada
Grande sonho que traz o bem-querer

Cenário de uma nova temporada
Verifica-se em róseo amanhecer
Externada beleza que faz crer

Que a cor de cada idade é inexorável
Mas não frequenta o tempo que me fita
Pois esse se apresenta inadiável
É eterno em cada hora a ser vivida

Porque a razão do mundo é ser palpável
Como a respiração a nós visita
Assalta-nos de pronto, imutável
É hábito, é sal, paixão sortida

(Do site www.prefacio.net)


segunda-feira, 30 de maio de 2011

UTOPIA

UTOPIA


             Filemon F. Martins

Uma ternura infinda estou sentindo
já no ocaso do meu viver tristonho.
Meu coração hoje acordou, sorrindo,
para um mundo feliz e mais risonho.

Meu desejo é compor um hino lindo
e que fale de Paz, de Fé, de Sonho,
que toda Humanidade siga ouvindo
os acordes do Amor que já componho.

Eu quero ver o povo trabalhando,
construindo, vivendo e se educando
para que todos sejam mais felizes.

Que os políticos sejam mais honestos
e possam nas ações e nos seus gestos
construir um País livre das crises!

www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970 – Itanhaém – SP.

sábado, 28 de maio de 2011

TROVAS-AMOR

TROVAS.51 (Amor)

Filemon F. Martins

Quem nunca teve um amor
jamais consegue entender,
porque num jardim sem flor
não há beleza ou prazer.

As trovas simples que escrevo
não têm origem na dor,
- são flores do meu enlevo,
- são frutos do nosso amor.

Teus olhos são pequeninos,
fonte de eterna paixão.
Parecem dois bailarinos
buscando a mesma emoção.

Pondo amor nas minhas trovas,
meu peito fica a cantar.
É que as minhas boas-novas
sem asas, querem voar.

filemon.martins@hotmail.com
www.filemon-martins.blogspot.com
Caixa Postal 64
11740-970-Itanhaém – SP.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

TROVAS

TROVAS.48 (saudade)

        Filemon F. Martins

Saudade é sempre dorida
quando se perde um amor;
é como a folha caída,
que na terra perde a cor.

Saudade não se previne,
nasce assim no coração;
pois o amor não se define,
nem aceita imposição.

Saudade nasce no peito
e quando menos se espera,
ela cresce de tal jeito,
que acaba virando fera.

Essa vilã, a saudade
de mansinho vai chegando...
E sem fazer muito alarde
aos poucos vai nos matando.

filemon.martins@hotmail.com

Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém – SP.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

PERDOA-NOS...

       PERDOA-NOS...

            Filemon F. Martins                   
                                                              
Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas nada sabemos do Amor e da Bondade.
Perdoa-nos, Senhor,
pela prepotência dos homens,
pela frieza da informática, com seus números e códigos de barras.
Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um
e continuamos a destruir a natureza.
Perdoa-nos, Senhor,
porque somos fracos e egoístas,
agressivos e intolerantes
para com o nosso próximo.
Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas continuamos insensíveis
aos problemas  humanos.
Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas a desigualdade continua,
a miséria cresce, o medo aumenta,
a corrupção se agiganta,
a guerra e a violência
se espalham pelo mundo.
Perdoa-nos, Senhor,
porque fomos à lua, hasteamos bandeiras,
mas não conseguimos saciar a fome
dos que habitam na Terra.
Perdoa-nos, Senhor,
porque temos um  País rico,
um povo humilde e bom,
trabalhador e honesto,
mas continuamos pobres.

Contudo, ensina-nos, Senhor,
no sofrimento, a buscar a fé,
a buscar o Amor, mesmo na guerra,
semeando a Paz e a Esperança
nos caminhos do Planeta Terra.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

PALAVRA IMENSA

                         PALAVRA IMENSA

                           Stela Câmara Dubois

             Este azul, este clima, esta faustosa
             Tarde que vai morrendo sem gemidos:
             Os profundos silêncios esquecidos
             De uma força, no entanto, esplendorosa.

             Esta reserva incógnita, radiosa,
             Que suporta os embates mais renhidos;
             Os pensamentos altos, decididos,
             Roteiros de uma vida mais ditosa.

             Tudo isto, meu Deus, é a Tua Mão
             Do infinito descendo ao coração,
             Para salvá-lo e dar-lhe o Teu favor,

             De cujos dedos, numa luz intensa,
             Cai, flamejando, esta palavra imensa:
             AMOR É DEUS, AMOR, SOMENTE AMOR!

             (Do livro RAMALHETE DE MIRRA, página 65)

terça-feira, 24 de maio de 2011

HOJE DE MANHÃ

Hoje de Manhã

Fernando Pessoa

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
E assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

ADORMECIDA

ADORMECIDA

Ses longs cheveux épars la couvrent sonie entière.
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu’elle a fait sa prière.
Et qu’elle va la faire en s’éveillant demain.
Alfred de Musset

        CASTRO ALVES

Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão.... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
“Ó flor! Tu és a virgem das campinas!
Virgem! Tu és a flor de minha vida!”
        São Paulo, novembro de 1868.

domingo, 22 de maio de 2011

VAZIO NA ALMA

VAZIO NA ALMA
Jô Tauil

Fujo deste olhar
Tão simulado
Que dor não suaviza
E põe chama no
amor
No giro do tempo
Não cultivo mudanças
Dou-te meus ais
Presenteio lembranças
E alento em suspiros
No coração a
esperança
Às vezes penso
Ausentar-me de ti
Não mais te ver
Pois injusto é o amor
Insensível aos gemidos
Gritantes da alma
Para tão tímidos ouvidos
Não...não quero mesmo
Tornar a ver-te
E acuso desvairada
A minha estrela
Que não foi de sorte
Mas de puro azar
Cruzares naquela noite
O meu caminho
E mudar meu
destino...
(Do site www.prefacio.net)




sábado, 21 de maio de 2011

ORVALHO MÚTUO

ORVALHO MÚTUO

Como algas // Desgarradas
No silêncio desfila // E propaga
O hábito, o mito // Desdito
Que a pele estala // No hálito do prazer
Acende a pupila // E regala-se
E cala // Subitamente
Minúcia das fibras // Tão alvas
No tempo // Incerto
Fração irredutível // E extremosa
De serem // Um futuro...

Miguel / Luiza

sexta-feira, 20 de maio de 2011

TROVAS

TROVAS

Se vens, a felicidade
enche de sons nosso ninho;
se partes, logo a saudade
é a voz que fala baixinho.
       Maria Thereza Cavalheiro

É quase no fim da vida
que esta verdade percebo:
felicidade é subida
que se tenta em pau de sebo.
       José Fabiano

O bem maior só teremos
se da Sorte for vontade,
pois num barquinho sem remos
passeia a Felicidade...
       Amaryllis Schloenbach

Escrevo e neste trabalho
tenho minha diretriz:
sementes de amor espalho
para o mundo ser feliz.
       Filemon Martins

(Jornal RADAR, Apucarana-PR, Abril de 2011)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

TEU RETRATO

TEU RETRATO

Maria José Zanini Tauil


Olho tua foto

No porta-retratos

Tua face na noite

É meu soluço sutil



Lembro então

Dos passeios noturnos

Por becos e ruelas

Assombrados de insônia

Caminhos insondáveis

De vida e juventude



Retiro da memória

As noites de vigília

Teus passos no tapete

E as palavras

Jamais pronunciadas



Teu olhar nessa foto

Repercute em mim

O sentido oculto

De
frases antigas



Recolho a lágrima

No pequeno lenço

E teu olhar à frente

Desfaz-se na bruma

Dos meus pensamentos.

(Do site www.prefacio.net)


quarta-feira, 18 de maio de 2011

O MAL DE CADA DIA

 O MAL DE CADA DIA

       Mário Barreto França (poeta pernambucano)

Sim, eu sei a injustiça que hei sofrido.
Que vontade me vem de protestar!
Mas, domino este impulso e, decidido,
Continuo servindo à Pátria e ao lar.

Não choro ter, ó Deus, algo perdido,
Pois sei que muito mais tens para dar.
O que me dói é ver o amor fingido
Em ter-se, a qualquer preço, um bom lugar...

Quanta ambição de alguns o peito invade,
Pois para alimentar sua vaidade,
Mancham e ofendem de outros a moral.

E, nesse anseio de melhor destino,
Esquecem de Jesus o nobre ensino:
- “A cada dia basta o próprio mal!”


(Do livro “VEJO A GLÓRIA DE DEUS” página 119)

Mais informações sobre o saudoso poeta você encontra em:  http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=filemonf

terça-feira, 17 de maio de 2011

BARRA DO MENDES

 BARRA DO MENDES

                   
        
Filemon F. Martins

Barra do Mendes no Sertão Baiano,
és bela, culta, forte e hospitaleira,
povo trabalhador, feliz e humano
em busca da amizade verdadeira.

A vitória de um povo veterano
na construção da paz alvissareira
garante que o progresso, soberano,
já chegou na cidade brasileira.

E quando chega alegre, o viajante,
ela oferece abrigo ao visitante
e as belezas do nosso Chapadão.

Eu quero te saudar, Barra do Mendes,
pelo denodo, fé e luz que acendes
nas glórias imortais de Militão!


                          

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ENTRE O SOL E A LUA

Entre o sol e a lua

Alexandra Ap. Dias

Nem sol
nem lua
somente
minha alma
nua
brilhando
como diamantes
em sua mente
confusa
sei que me busca
em outros braços
até gosta de outros
abraços
mas quando o sol
volta a reinar
absoluto
seu coração se veste
de luto
pelo luar perdido
mais um dia amanhecido
sem meu corpo nu
pra te despertar...


(Do site www.prefacio.net)



domingo, 15 de maio de 2011

O ALPINISTA

O ALPINISTA
             Filemon F. Martins
Certo dia eu ouvi pela televisão
uma entrevista com alguns alpinistas
e vejam só:
- Uns querem escalar o Pico do Jaraguá,
em São Paulo.
Outros, o Pico das Bandeiras,
nas Minas Gerais.
Ou o Pico da Neblina no extremo Norte do Brasil.
Há outros valentes, corajosos:
- Querem escalar o íngreme, belo e misterioso
EVEREST nas Cordilheiras do Himalaia.

E a vida é assim na alegria e na dor:
- Cada um tem seu sonho,
cada sonho, um segredo,
cada segredo, uma história
quase sempre de amor.

E eu, que sou um bom alpinista,
tenho também meus anseios,
mas prefiro escalar suavemente
e conquistar mansamente
as duas “montanhas” dos teus seios.

Caixa Postal 64
11740-970- Itanhaém – SP.


sábado, 14 de maio de 2011

OLHAI AS AVES...

OLHAI AS AVES...

                    Gióia Júnior

Vi um pássaro aceso como um grito
Palpitando canções e movimento,
O corpo solto navegando ao vento,
A alma a sorrir num vôo circunscrito.

Festa no azul, surpresa, anseio e rito,
Espanto e espasmo de deslumbramento:
Nas penas o lampejo do infinito
E no bico os limites do momento.

Vi um pássaro alegre e descuidado
Sem lições de futuro ou de passado,
Sem aflições ou pensamentos graves...

E pensei na Palavra que me acalma:
Confio em Cristo e sei do fundo da alma
Que Ele cuida de mim como das aves!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

QUERO AMAR...

QUERO AMAR...

Nadja Ramalho

QUERO AMAR
Quero
amar
Com todas as forças do meu querer ...
Quero sugar o néctar do
amor
Como se fosse um beija-flor
Quero sentir teu corpo no meu
Quero entrelaçar, até, nossos pensamentos
Quero acreditar na sinceridade
De nossos
sentimentos
Quero sair do armário
E gritar que nosso amor é demais ...
Quero beijar teus lábios
De olhos abertos para ver
O brilho das estrelas a nos saudar ...
Pouco importa o amanhã
Quero amar hoje
Quero te ter por inteiro
No completo do meu pensamento

(Do site www.prefacio.net)