quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

TROVAS DO FILEMON

TROVAS DO FILEMON

Não lamento a minha idade
que vai, no tempo, avançando.
Lamento a dor da saudade
que, aos poucos, vai me matando.

Um sentimento profundo
vem meu poema compor:
querer transformar o mundo
usando o poder do amor.

Não reclamo da jornada,
dos problemas que são meus.
Quanto mais íngreme a escada,
mais perto fico de Deus.

Pela praia, andando a esmo
ouvindo o som da maré,
sinto crescer em mim mesmo
o poder que vem da fé.



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

TROVAS DE AMOR

TROVAS DE AMOR

O AMOR É SEMPRE RISONHO,
O SONHO É SEMPRE DULÇOR.
QUEM AMA VIVE DE SONHO,
QUEM SONHA, MORRE DE AMOR...
                   ADERBAL MELO
OS BEIJOS, SEGUNDO OS SÁBIOS,
DADOS COM MUITA AFEIÇÃO,
NÃO DEIXAM SINAL NOS LÁBIOS,
MAS DEIXAM NO CORAÇÃO
                   BELMIRO BRAGA
O AMOR QUE A TEU LADO LEVAS,
A QUE LUGAR TE CONDUZ,
QUE ENTRAS COBERTO DE TREVAS
E SAIS COBERTO DE LUZ?
                   OLAVO BILAC
PROCURO VER, SEM RESSÁBIOS,
DO AMOR ACEITANDO A LEI,
OS VESTÍGIOS EM TEUS LÁBIOS,
DOS BEIJOS QUE JÁ TE DEI...
                   EUGÊNIO DE FREITAS


(LIVRO MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE)

TROVAS (MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

TROVAS PARA REFLETIR
MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Vê como o sol no horizonte
desce aos poucos, devagar...
Não vás tão depressa à fonte
que o jarro podes quebrar...

Não tomes uma atitude
na hora do nervosismo!
Paciência é a maior virtude
se estás à beira do abismo...

Quando é um bem que muito custa,
ao chegar, traz ansiedade:
na vida, a gente se assusta
até com a felicidade!

Não é porque alguém nos trai
que a sorte é madrasta e feia.
O mar também se retrai
e volta a dançar na areia!


(TROVAS PARA REFLETIR, PÁGINA 50)

domingo, 27 de dezembro de 2015

TROVAS DE NATAL

   TROVAS DE NATAL
         Filemon F. Martins
É Natal! Nossa Esperança
de ser bom, fazer o bem,
nasce com aquela criança
na manjedoura em Belém.

Neste Natal, bom Jesus,
de tantas incompreensões,
quisera que a tua luz
brilhasse nos corações.

Brilha uma estrela... É Natal...
A noite é silente e calma,
e a alegria vem, afinal,
morar feliz em minha alma.

Chega dezembro, senhores,
e há tantas promessas novas,
que eu desejo aos Trovadores:
- Boas Festas – Boas Trovas.

         

PEDAÇOS (PEDRO ORNELLAS)

PEDAÇOS
Pedro Ornellas

Os versos esparsos que eu fui rabiscando
são simples amostra da mágoa sentida...
pedaços de sonho que eu fui costurando,
lembranças que eu guardo da infância perdida!

São gritos calados que vão revelando
segredos guardados na mente sofrida...
sspinhos e flores, ferindo e alegrando,
lições e valores – pedaços de vida!

É certo, o poeta também, vez em quando
supõe o que escreve e se perde sonhando,
confesso que às vezes também sou assim...

mas, via de regra, mais alto falando
é o meu coração quem assume o comando

e faz dos meus versos pedaços de mim!

sábado, 26 de dezembro de 2015

AINDA O NATAL

AINDA O NATAL
Filemon F. Martins

Da bela Nazaré partiram com destino
a histórica Belém. Iriam se alistar,
que o decreto exigia a todo peregrino,
por isso o povo não parava de chegar.

Aproximava a noite. Um vento muito fino
soprava por Belém lotada e sem lugar.
Na estrebaria, porém, nasceu o Deus Menino
para que o mundo vil pudesse se salvar.

Pouco tempo passou e após trinta e três anos
o povo enfurecido e envolto em seus enganos
crucificou Jesus – tamanha ingratidão!

E pregado na cruz, pior cena do mundo,
o povo foi ingrato, insano, louco e imundo,
- não aceitou a paz divina do Perdão!







TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

Quando tropeço não ligo,
nessas andanças que eu faço;
Deus olha o rumo que eu sigo
não a elegância do passo!

Novo rumo... despedida...
e ao pressentir minhas dores
a paineira entristecida
chora lágrimas de flores!

Pude notar nos caminhos,
mesmo em horas desditosas,
que rosas não têm espinhos
- espinhos é que têm rosas!

Por natureza, enganosa...
meiga e boa – quando quer!
Fogo e gelo, espinho e rosa,

anjo e demônio: Mulher!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

LIÇÃO DE NATAL (CAROLINA RAMOS)

Um Soneto de Santos/SP
Carolina Ramos
Lição de Natal

Pura e límpida, a estrela fulgurante
iluminou os céus da Palestina!
E pastores e reis levou avante
até a boca da gruta pequenina.

Naquele excelso e soberano instante,
reis e plebeus unia a luz divina
e a esperança, com brilho tremulante,
fazia a noite azul e cristalina!

E que lição, Senhor, nos deu a estrela! 
Conduzindo, a Belém, adoradores,
mostrou a todos que puderam vê-la,

que os humildes serão sempre os primeiros! 
Que, antes dos reis e que antes dos pastores, 
aos Teus pés se ajoelharam os cordeiros!

(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, 441, JOSÉ FELDMAN)


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

2015

2015
Filemon F. Martins

2015 está chegando ao fim. O mundo, afinal, não acabou. Sobrevivemos ao lamaçal que matou o Rio Doce, iniciando por Mariana, em Minas Gerais até o mar, no Espírito Santo. Destruiu famílias. Ceifou vidas! Contudo, ainda não temos uma nítida ideia das consequências que advirão deste crime ambiental.
Sobrevivemos também às falcatruas que levaram o Brasil a uma crise sem precedentes.
Aliás, nestes últimos doze anos, com a ascensão de Lula à Presidência da República, o que houve de falcatruas e roubalheira não se consegue descrever. Entre as tramoias mais escabrosas estão, o escândalo do mensalão, como ficou conhecido e que Lula afirmava nunca ter existido, porque nada soube, nada lhe disseram e, no entanto, para a nossa sorte, o Supremo Tribunal Federal condenou uma verdadeira quadrilha que atuava no esquema. Infelizmente, alguns já estão voltando para casa, embora monitorados, para continuarem suas trapaças em que são especialistas. Entretanto, as consequências deste mal ainda pesam sobre nós, aposentados e pensionistas do serviço federal, porque continuamos a pagar 11% dos nossos parcos salários, graças a Emenda Constitucional nº 41/2003, aprovada a reboque do mensalão. Até quando isso vai acontecer, eis a pergunta que não quer calar. Quando se pensou que o mensalão fosse o maior escândalo da história, surge a Operação Lava-Jato revelando o “petrolão”, perto do qual o mensalão virou fichinha. O ministro Jorge Mussi, do Superior Tribunal de Justiça desabafou na revista Veja, de 23/12/2015: “BASTA! ESSA SANGRIA PRECISA SER URGENTEMENTE ESTANCADA ANTES QUE SEJA TARDE. OS LIMITES DA PACIÊNCIA E DA TOLERÂNCIA JÁ SE ESGOTARAM.”

Assim, caminhamos para o fim de 2015 com a sociedade perplexa e atônita com os descalabros ocorridos no Congresso Nacional, mas sempre na esperança de que em 2016 possa surgir, como num passe de mágica, uma luz no final do túnel. É o que esperamos! Que venha 2016!

NATAL (OLAVO BILAC)

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ
Olavo Bilac
Natal
No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino
De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...
As árvores: "Serás o sol e o orvalho!" E o armento:
"Terás a glória!" E o luar: "Vencerás o destino!"

E o pão: "Darás o pão da terra e o pão divino!"
E a água: "Trarás alívio ao mártir e ao sedento!"
E a palha: "Dobrarás a cerviz do opulento!"
E o teto: "Elevarás do opróbrio o pequenino!"

E os reis: "Rei, no teu reino, entrarás entre palmas!"
E os pastores: "Pastor, chamarás os eleitos!"
E a estrela: "Brilharás, como Deus, sobre as almas!"

Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,
Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos;
Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, 441, JOSÉ FELDMAN)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

MÁRTIR-REDENTOR (SOLIMAR DE OIVEIRA)

MÁRTIR-REDENTOR
Solimar de Oliveira  (Cachoeiro de Itapemirim)

Quando, na manjedoura, humilde e fria,
nasceu Jesus – a Virgem Mãe cismava...
Eu acredito que só Deus sabia
que a Reforma do Mundo principiava.

Cumpriu-se integralmente a Profecia,
que há milênios o Mundo proclamava,
com o nascimento do Supremo Guia
que pela Humanidade se imolava...

Se ele veio ensinar sábia Doutrina,
da mais sublime Espiritualidade,
de onde a Família Humana se origina;

Jesus, tendo de Deus a Potestade,
foi, no entanto, e a Escritura nô-lo ensina,
o Mártir Redentor da Humanidade!



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NATAL (JACY PACHECO)

NATAL
Jacy Pacheco (Niterói)

Sempre o ano termina em farta messe
para alguns, na efusão de vinhos finos,
enquanto a fome cresce e recrudesce,
marcando um festival de desatino...

Por isso é que dezembro me entristece!
Quando fulge o Natal, tangendo sinos,
ergo ao Menino-Deus ardente prece:
- Jesus – Zelai por todos os meninos!

Olhai os pobres órfãos, sem sustento,
os que, fitando o céu, penando, embora,
buscam seguir o vosso ensinamento!

Se o mundo treme aos pés dos pecadores,
nascei sempre, Jesus, a cada hora
no coração dos vossos seguidores!


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NOVO NATAL

NOVO NATAL
Filemon F. Martins


Quando a Estrela brilhou na Palestina
parando na cidade de Belém,
a terra, afortunada, se ilumina
porque nasceu Jesus, o Sumo Bem.

Cumprida a predição que nos ensina
novo tempo de Amor, sorrindo, além,
pois nasceu da Promessa, a sã doutrina
que nos garante a Paz, como convém.

O exemplo de Humildade é tão profundo,
que a vida se refaz em primavera
e traz mais Esperança para o mundo.

Anjos em revoada... O Deus menino
desceu à terra e trouxe a nova Era
para mudar, dos homens, o destino!



domingo, 20 de dezembro de 2015

ESTE NOVO NATAL (EVANDRO MOREIRA)

ESTE NOVO NATAL
Evandro Moreira

É dezembro outra vez... O tempo, repentino,
acumulou-se sobre a minha mocidade;
lavou a minha face inquieta de menino
com restos de esperança e sombras de saudade.

Descubro que não tenho, à frente, mais destino
nem sequer a ambição de achar felicidade;
e me consolo ao ver, no filho pequenino,
germinar, como herança, a antiga ingenuidade.

É dezembro outra vez... é Natal! E as crianças
cantando ao meu redor confessam esperanças
de uma noite encantada e presentes gentis.

Sinto-me rei, e Mago em constante oferenda,
voz de sinos, canção antiga em tom de lenda,
e volto a ser menino... E torno a ser feliz.

(I CONCURSO NORTE-FLUMINENSE DE SONETOS, PÁGINA 9)


UM NATAL BEM FELIZ (ODIR MILANEZ)

UM NATAL BEM FELIZ
Odir Milanez   (da AVBAP)

Um Natal bem feliz! Como eu quisera
ouvir ao vento os cantos clericais
em louvor a Jesus, forma sincera
de devotar-lhe amor cada vez mais!

Um Natal bem feliz! Ah, quem me dera
ouvir a voz alegre de meus pais
em frente à mesa farta, a doce espera
da liturgia e cantos dos missais!

A volta abençoada após o culto.
Minha mãe uma santa envolta em véu,
eu lhe adorando o porte, andando adulto!

Em casa a chusma, a ceia, o escarcéu!...
Mas o Natal de mim quedou-se oculto
dês que meus pais partiram para o céu!

(João Pessoa/PB-09/12/2015)



NATAL

NATAL
Filemon F. Martins


É noite de Natal. A farta mesa
revela que o Natal, hoje, mudou.
Quem faz aniversário, com certeza,
em mesa farta assim nunca sentou.

Naquela noite a própria Natureza
em mimos elegantes se enfeitou
para acolher o Rei, que, sem riqueza
na manjedoura humilde se mostrou.

Mas hoje a humanidade se desdobra
e por dinheiro faz qualquer manobra
e não parece se lembrar da cruz...

E do Natal os pobres ficam fora
aguardando que a Luz da nova aurora
volte a brilhar nos olhos de Jesus!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

POUSADA PARA JESUS (ELIÚDE MARQUES)

Pousada para Jesus
Eliúde Marques


José, Maria, o presente,
e o Futuro pra chegar,
o sol se vai de repente
vindo a noite os encontrar.

A procura é incessante
em busca de uma estalagem,
aonde repousem os viajantes
da enfadonha viagem.

Os albergues estão cheios
e os mais humildes recantos,
de tantos povos alheios
que ali nasceria um Santo.

Não há lugar - diz José,
(cuja voz não se traduz)
aonde, pois, há de nascer
o nosso filho Jesus?

Mas a lembrança lhes chega... 
Já foi dito em profecia
que Ele havia de nascer
numa humilde estrebaria...

Que Jesus da manjedoura
que nasceu sem ter pousada,
possa no teu coração
encontrar feliz morada.


Do livro Luzes do Arrebol (1998)
(A POESIA DO NATAL, ORG. DE SAMMIS REACHERS)


HISTÓRIA DE AMOR (VASCO DE CASTRO LIMA)

Um Soneto de Lavrinhas/SP
HISTÓRIA DE AMOR
Vasco de Castro Lima (1905/2004), Rio de Janeiro/RJ.

Nossa história de amor, minha querida,
por culpa tua é que não foi feliz...
De certo, nenhum homem nesta vida
quis a alguma mulher como eu te quis!

Podes reler a história mais sentida
dos amorosos de qualquer pais:
Laura e Petrarca . . . Fausto e Margarida...
Paulo e Virgínia . . . Dante e Beatriz...

Pediste... e a ninguém conto o meu tormento.
Mas vêm fechar-me os lábios no momento
em que, pensando em ti, hei de morrer.

Impedirás, assim, no último dia
que, na triste inconsciência da agonia
eu revele o teu nome sem querer!


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 440, JOSÉ FELDMAN)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

DESEJO DE NATAL

Este soneto não é novo, mas o desejo continua o mesmo:


DESEJO DE NATAL 

Filemon F. Martins 



Se eu pudesse compor, eu comporia 
um poema de paz e de ventura, 
cujas palavras cheias de ternura 
fossem do amor a eterna melodia. 

Se eu soubesse cantar, eu cantaria 
nesta Noite de Luz e de doçura, 
e toda a Terra venturosa e pura 
minha canção a Deus entoaria! 

Pois nesta Noite de Natal, de glória, 
um menino mudou a própria história 
da Humanidade que não tinha Fé... 

Que em cada coração aqui presente 
possa nascer, feliz, eternamente, 
O SINGULAR JESUS DE NAZARÉ!



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

AINDA É NATAL

AINDA É NATAL

Filemon F. Martins



O sol já se escondia e a noite já chegava
nas cercanias de Belém, já preparada
para o senso que o rei ali realizava,
e por isso a cidade estava tão lotada.

Não havia mais lugar, a noite já passava...
José estava tenso e Maria preocupada...
Somente a tosca estrebaria os esperava,
pois ali nasceria a criança desejada.

O céu da antiga Palestina iluminou-se
nasceu o Redentor que humilde à terra trouxe
a mensagem de Paz, Amor e de Esperança.

Quando chega o Natal, de luz eu me ilumino
e volto a ser feliz como outrora um menino,
porém não voltam mais meus sonhos de criança!

filemon.martins@uol.com.br

www.filemon-martins.blogspot.com

NATAL (GILBERTO MAIA)

Natal
Gilberto Maia


Mais um Natal, Senhor, mais um Natal,
Que a cristandade inteira comemora
Dentro dos lares seus, enquanto, fora,
A guerra ameaça no setor do mal.

O teu dia é uma festa universal,
Que põe júbilo na alma de quem chora,
Fazendo-o ouvir a criança, ave canora,
E o velho sino em seu cantar jovial.

Data sem par, incomparável dia,
Que somente ilumina o coração,
Do que ama o bem e odeia a vilania!

Concede-nos, Senhor, o teu perdão,
Para que compreendamos a poesia
Que flui do teu Natal em profusão.

In O Jornal Batista #52 –Dez 1952
(A POESIA DO NATAL, ORG. DE SAMMIS REACHERS)