quarta-feira, 17 de setembro de 2014

ÚLTIMO VESTÍGIO (J. G. DE ARAÚJO JORGE)

ÚLTIMO VESTÍGIO

J. G. DE ARAÚJO JORGE

Tu deves te lembrar: aquela casa antiga
entre o verde bambual e a frondosa mangueira,
- a varanda, a esconder-se sob a trepadeira,
e o riacho a marulhar sua velha cantiga...

As flores... o jardim... a estrada, uma alva esteira
onde nós a sonhar andamos sem fadiga
olhando para o céu, - tudo isto, minha amiga,
mudou... A nossa vida é mesmo passageira...

As paisagens de outrora, estranhos transformaram:
- o jardim... o bambual... a estrada, e até nem sei
se as águas do regato os anos não pararam...

Uma cousa, porém, existe, eu vi depois:
- é aquele coração com os nomes que eu gravei
no tronco da mangueira a relembrar nós dois!...

(Livro OS MAIS BELOS POEMAS QUE O AMOR INSPIROU, VOL. 1, PÁGINA 46)


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