segunda-feira, 3 de junho de 2013

SONETO DAS METAMORFOSES (Carlos P. Filho)


SONETO DAS METAMORFOSES

                        Carlos Pena Filho

 

Carolina, a cansada, fez-se espera

e nunca se entregou ao mar antigo.

Não por temor ao mar, mas ao perigo

de com ela incendiar-se a primavera.

 

Carolina, a cansada que então era,

despiu, humildemente, as vestes pretas

e incendiou navios e corvetas

já cansada, por fim, de tanta espera.

 

E cinza fez-se. E teve o corpo implume

escandalosamente penetrado

de imprevistos azuis e claro lume.

 

Foi quando se lembrou de ser esquife:

abandonou seu corpo incendiado

e adormeceu nas brumas do Recife.

 

(Jornal CAL 02, CAMPOS DO JORDÃO, página 2)

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