sábado, 8 de janeiro de 2011

EXPECTATIVA

EXPECTATIVA
                   Eugenio de Freitas (São Luís – MA)
Na ideia de que a vida continua
após deixarmos o terrestre plano,
encontro alívio para a mágoa crua
de estar à míngua de calor humano.

Sozinho, em meio à multidão na rua,
não desconheço o progressivo dano,
de um povo indiferente à sorte sua,
embora intitulado soberano.

Enfrento a luta e meu cantar prossigo,
enclausurado involuntariamente,
da alheia compreensão ao desabrigo.

Mas sei que humilde, em minha paz de crente,
desintegrado o corpo num jazigo,
então minha alma vibrará contente.

(ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL – 1982, página 156, 1º volume)

Nenhum comentário: