sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SONETO

SONETO
                            Fagundes Varela
Desponta a estrela d’alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o Sertão perfuma!

Porém minha alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! Mundo encantador, tu és medonho!

(Do Informativo do Centro de Ação Literária de Campos do Jordão, página 2).

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