quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LEITURA AO ENTARDECER

LEITURA AO ENTARDECER

        Miguel Russowsky  (1923 - 2009)

Leio um soneto triste enquanto o dia
vai se envolvendo em auras de tristeza...
Cada esperança escolhe uma devesa
para sumir, sem vez, na fantasia...

- Uma réstia de luz, ainda acesa,
põe cores desiguais na ramaria...
Há soluços fazendo a travessia
nos mares lusco-fuscos da incerteza...

Como se fosse um moribundo calmo
o sol cochicha o derradeiro salmo
e a lágrima deforma os olhos seus.

Tange ao longe uma voz na voz do sino:
- Ninguém pode mudar o seu destino!...
- Todo encontro é prenúncio de um adeus!

(O RADAR, Apucarana-PR, página 18)

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