sábado, 10 de março de 2012

                   SONETO


                   GUILHERME DE ALMEIDA


Fico – deixas-me velho. Moça e bela,

partes. Estes gerânios encarnados,

que na janela vivem debruçados,

vão morrer debruçados na janela.



E o piano, o teu canário tagarela,

a lâmpada, o divã, os cortinados:

“Que é feito dela?” – indagarão – coitados!

E os amigos dirão: “Que é feito dela?”



Parte. E se olhando atrás, da extrema curva

da estrada, vires, esbatida e turva,

tremer a alvura dos cabelos meus,



irás pensando, pelo teu caminho,

que essa pobre cabeça de velhinho

é um lenço branco que te diz adeus!



(Do livro “MEUS VERSOS MAIS QUERIDOS”, páginas 49/50)


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