segunda-feira, 2 de julho de 2012

INANIA VERBA


Inania verba



OLAVO BILAC



Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,

O que a boca não diz, o que a mão não escreve?

- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,

Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...



O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:

A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...

E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,

Que, perfume e clarão, refulgia e voava.



Quem o molde achará para a expressão de tudo?

Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas

Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?



E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?

E as palavras de fé que nunca foram ditas?

E as confissões de amor que morrem na garganta?!


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