domingo, 29 de julho de 2012

SAUDADES

SAUDADES.
Casimiro de Abreu

Nas horas mortas da noite

Como é doce o meditar

Quando as estrelas cintilam

Nas ondas quietas do mar;

Quando a lua majestosa

Surgindo linda e formosa,

Como donzela vaidosa

Nas águas se vai mirar!


Nessas horas de silêncio,

De tristezas e de amor,

Eu gosto de ouvir ao longe,

Cheio de mágoa e de dor,

O sino do campanário

Que fala tão solitário

Com esse som mortuário

Que nos enche de pavor.


Então – proscrito e sozinho –

Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade

Que no meu peito se encerra.

Esses prantos de amargores

São prantos cheios de dores:

– Saudades – dos meus amores,

– Saudades – da minha terra !

....1856


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