quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SONETO NOTA DEZ


SONETO NOTA 10

 

FREI AFONSO

 

Para fazer a poesia disso

que o faz cativo desde muito cedo,

tome por lápis o seu próprio dedo,

ponha-se à Natureza submisso.

 

Faça do chão o seu papel maciço,

já tente achar o não sei quê do enredo

que prende à Natureza igual segredo,

pleno de amor e de mistério e viço...

 

Não fique triste, mas se ponha alheio

à Criação, por um momento só,

como se fora espectral silêncio.

 

Logo procure contentar-lhe o anseio,

no pé de um verso... numa estrofe amena...

e colha da ânsia cósmica um poema!

 

(POSTAL CLUBE-ANTOLOGIA 12, página 14)

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