sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SAUDADES (FLORBELA ESPANCA)

SAUDADES
FLORBELA ESPANCA

Saudades! Sim... talvez... e por que não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
que bem pensara vê-lo até à morte
deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! Como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
para mais doidamente me lembrar,
mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
quanto menos quisesse recordar
mais a saudade andasse presa a mim!


(OS MAIS BELOS SONETOS QUE O AMOR INSPIROU, PÁGINA 235 – VOLUME II)

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