quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SONETO DA MUDANÇA (VICENTE DE CARVALHO)

SONETO DA MUDANÇA
Vicente de Carvalho
(1866 – 1924)

Não me culpeis a mim de amar-vos tanto
Mas a vós mesma, e à vossa formosura:
Que, se vos aborrece, me tortura
Ver-me cativo assim do vosso encanto.

Enfadai-vos. Parece-vos que, em quanto
Meu amor se lastima, vos censura:
Mas sendo vós comigo áspera e dura
Que eu por mim brade aos céus não causa espanto.

Se me quereis diverso do que agora
Eu sou, mudai; mudai vós mesma, pois
Ido o rigor que em vosso peito mora,

A mudança será para nós dois:
E então podereis ver, minha senhora,
Que eu sou quem sou por serdes vós quem sois.

(CHUVA DE VERSOS, 331-JOSÉ FELDMAN)



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