quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

TROVAS DE APRYGIO NOGUEIRA (1928/1998)


TROVAS DE APRYGIO NOGUEIRA (1928/1998)

Abre, meu bem, a janela,
“me esquenta que a neve cai..."
Quem abriu foi a mãe dela,
quem me esquentou foi o pai!

A ilusão, grande cilada,
não passa, no conteúdo,
de uma árvore de nada
carregadinha de tudo.

A mulher é um livro lindo
mas de estranha redação,
que o homem folheia rindo,
sem saber a tradução…

Apago as luzes... No entanto,
nem cochilo - que tristeza –
pois em meu quarto, num canto,
existe uma ausência acesa...


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 442, JOSÉ FELDMAN)

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