segunda-feira, 18 de julho de 2016

TROVAS DE J. G. ARAÚJO JORGE

TROVAS DE J. G. ARAÚJO JORGE

Amor que sofro, que almejo,
mata-me logo de vez!
Longe que estejas, te vejo,
ao teu lado, nem me vês...

Ao ler uma bela trova
depois que pronta ficou,
- quem calcula a dura prova
por que o poeta passou?

A poesia que desejo
tiro de mim como aquela
cantiga do realejo
se alguém roda a manivela…

A saudade é este vazio
que a vida, ao partir, deixou;
rio seco, que foi rio,
porque a água já secou...

A saudade, intimamente,
devagarzinho nos rói;
é uma emoção diferente,

como uma dor que não dói.

(ENCANTO DE TROVAS, TOMO VIII, VOL. II, JOSÉ FELDMAN)

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