segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ABC DE IPUPIARA - JERRY FILHO

ABC DE IPUPIARA 

JERRY FILHO (21/12/1950 – 19/05/2015)



Agora quero mostrar 
nas minhas rimas sem tom, 
o que ninguém quis falar. 
Falarei em alto som! 
Preciso então me inspirar, 
do alto buscar o dom. 

Bem: se eu já fiz a promessa 
é certo que vou cumprir, 
senão a graça me cessa 
e vergonha vou sentir. 
Eu preciso sair dessa 
sem ninguém me repelir. 

Como disse no começo 
há um fato por narrar 
e disto jamais esqueço. 
Um abraço vou mandar, 
com todo ardor, todo apreço, 
e de IPUPIARA falar. 

Daqui pra frente, senhores, 
nesse Universo de Deus, 
todos serão sabedores 
da terra dos avós meus, 
ouvirão dos esplendores, 
dos coqueiros que são meus. 

É no Sertão da Bahia 
que vive o ipupiarense, 
enfrentando o dia a dia 
buscando algo que o compense, 
mesmo com chuva tardia 
sua fibra ninguém vence! 

Falta muito na cidade, 
por vezes abandonada... 
O progresso, na verdade, 
é tartaruga atrasada. 
Triste e dura realidade 
e ninguém quer fazer nada. 

Ganhamos, sim, energia, 
um projeto do mais alto 
que olhando para a Bahia 
achou-nos em sobressalto. 
Telefone, que alegria! 
Também nos chegou o asfalto. 

Hoje quero aqui pedir 
a quem o poder exerce, 
que não deixe sucumbir 
essa gente que padece, 
por favor, queiram ouvir 
meu pedido, minha prece. 

Ipupiara é tão querida, 
cada amigo é um irmão, 
inspira amor e guarida 
muita paz no coração 
e o seu povo nesta vida 
sabe estimar o seu chão. 

Já falei sério e brinquei, 
mas sempre sou moderado, 
pois nunca me esquecerei 
do nosso prefeito Osvaldo.** 
Homem de valor, bem sei, 
trabalhou como alugado. 

Lembrando dos tempos idos 
quando lá era Fundão, 
amigos – já falecidos – 
lutaram por ser Jordão 
e permanecendo unidos 
coroaram a intenção. 

Muita gente conta a história 
de um Isidoro Ribeiro, 
meu bisavô – isto é glória! 
que sempre foi o primeiro 
a lutar pela vitória 
do seu torrão altaneiro. 

Nada intimidava os bravos, 
sempre a luta era renhida, 
lutando tal qual escravos 
com bravura destemida... 
Fossem pregados com cravos 
a dor não era sentida. 

O nome era até bonito 
mas resolveram mudar. 
Nessa época, o Isidoro dito 
já estava a descansar 
e um outro vulto bendito 
quis essa luta abraçar. 

Para que tenham ciência 
quando surgiu Ipupiara, 
foi com fé e paciência, 
a vitória custou cara, 
pois Brotas, sem consciência, 
liberdade lhe negara. 

Quando a nove, mês de agosto, 
o sol mais forte brilhou 
e Artur Ribeiro, com gosto, 
a emancipação bradou, 
um sorriso em cada rosto 
logo, logo se estampou. 

Realmente, brasileiros, 
cada terra e sua história 
mostra os homens verdadeiros, 
não a aparência ilusória! 
Que os exemplos, companheiros, 
sejam sempre nossa glória. 

Se já sabemos agora 
do presente e do passado 
desta terra que ainda implora 
um pouco mais de cuidado, 
creio ser chegada a hora 
de lutarmos lado a lado. 

Toda luta é conseguida 
com muito esforço e união, 
a nossa terra querida 
merece nossa atenção, 
lutar por sua guarida 
é dever do cidadão. 

Uma vez que os conclamei 
a um grande esforço e união, 
há muita coisa que sei 
precisar de um empurrão: 
unir o progresso à LEI, 
ORDEM, JUSTIÇA E RAZÃO. 

Vamos, nossa Ipupiara, 
pois tu também és Brasil! 
Mostra essa pujança rara 
nesse Sertão varonil, 
e essa gente que te encara 
renderá louvores mil. 

Xeque-mate! Não tem jeito. 
Posso sorrir e cantar! 
O coração satisfeito, 
não para de palpitar. 
A Deus eu rendo meu preito 
por Ele aqui me ajudar. 

Zelarei desse meu dom 
e de Ipupiara também! 
Não sou ruim e nem bom, 
isto não nego a ninguém; 
só consigo escrever com 
vontade de ver o bem. 

(Do livro CENTELHAS DO ALÉM-JERRY FILHO/JAN. 2000) 



** Osvaldo Leite da Silva foi prefeito de 1971 a 1972, 1977 a 1982 e 1993 a 1996. Ipupiara faz fronteira ao norte com Gentio do Ouro, ao leste, com Barra do Mendes e ao oeste e sul, com Brotas de Macaúbas. 

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