sábado, 6 de maio de 2017

UM OLIVEIRA EM MINHA VIDA

UM OLIVEIRA EM MINHA VIDA

Quando trabalhei na Empresa Folha da Manhã S/A havia um funcionário, entre outros, que trabalhava comigo no Departamento de Créditos e Cobranças do jornal Folha de S. Paulo. Um excelente funcionário, diga-se. Ocorre que em época de crise, a Empresa começava a cortar gastos. Servia-se chá e café, neste caso o chá era cortado. A Diretoria reunia-se com os gerentes e exigia corte no pessoal. Numa dessas reuniões, o nome de Oliveira veio para o corte. Tentei argumentar, mas não adiantou. Era eu ou ele. Chamei o Oliveira numa boa e conversamos: era a dispensa dele, fazer o que? O Oliveira aceitou tranquilo. Tempos depois eu deixei a Empresa e por concurso público entrei para a Pref. do Município de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina. Trabalhei, trabalhei e o salário foi diminuindo até que na gestão do Sr. Paulo Maluf diminuiu de vez.

Outra vez, por concurso público, fui para o Judiciário Federal, mais especificamente para o Tribunal Regional Federal – 3ª Região, que ficava no Largo São Francisco, bem perto da Faculdade de Direito. Com a decadência do centro velho, o TRF3 se mudou para a Av. Paulista, 1842. Naquela época, a internet dava os primeiros passos. As notícias e informações vinham dos jornais e das revistas. E certo dia, na hora do almoço eu estava na banca de jornais na Paulista, sapeando as manchetes de jornais, quando alguém toca no meu ombro e fala meu nome. Ao me virar lá estava o Oliveira, por um momento pensei: será que o Oliveira mudou de ideia e veio acertar as contas comigo? Mas, ele me cumprimentou e a conversa transcorreu serena. A certa altura, ele me disse, sabe onde estou trabalhando, Filemon? Fiz concurso e estou lotado num gabinete de um Desembargador Federal e acrescentou, agora você não poderá mais me demitir. Com razão, Oliveira. Depois eu me aposentei, mas o meu amigo continua lá desempenhando e muito bem as suas funções no TRF – 3ª Região. Como o mundo é pequeno! 

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