CORONELISMO NO ANTIGO FUNDÃO DE BROTAS

CORONELISMO NO ANTIGO

FUNDÃO DE BROTAS.

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO).

MárioRibeiroMartins* 


“Consoante Jorge Amado, no livro CAVALEIRO DA ESPERANÇA, “Horácio de Matos, Franklin de Albuquerque e Abílio Wolney com os seus homens”, os três formaram o trio invencível aplaudido pelo Governo de ARTUR BERNANDES, no combate ao giro fantástico da COLUNA”.

Um dos capítulos mais interessantes da história de Ipupiara, o antigo Fundão ou Jordão de Brotas, diz respeito a duas figuras notáveis: HORÁCIO DE MATOS E MILITÃO RODRIGUES COELHO.

É preciso relembrar, no entanto, alguns aspectos geográficos desta velha cidade baiana. IPUPIARA, como hoje é denominada, está situada na CHAPADA DIAMANTINA MERIDIONAL que tem, atualmente, trinta e um municípios, destacando-se ABAÍRA, ÁGUA QUENTE, ANDARAÍ, BARRA DA ESTIVA, BONINAL, BOQUIRA, BOTUPORÃ, BROTAS DE MACAÚBAS, CONTENDAS DO SINCORÁ, IBICOARA, IBIPITANGA, IBITIARA, IPUPIARA, IRAMAIA, IRAQUARA, IATETÊ, ITUAÇU, JUSSIAPE, LENÇÓIS, MACAÚBAS, MUCUJÊ, OLIVEIRA DOS BREJINHOS, PALMEIRAS, PARAMIRIM, PIATÃ, RIO DE CONTAS, RIO DO PIRES, SEABRA, TANHAÇU, UTINGA E WAGNER.

Mas nos tempos idos, ou mais precisamente no ano de 1917, já pertenceu à CHAPADA DIAMANTINA SETENTRIONAL que tem hoje treze municípios, destacando-se BARRA DO MENDES, CAFARNAUM, CANARANA, CENTRAL, GENTIO DO OURO, IBIPEBA, IBITITÁ, IRECÊ, JUSSARA, MORRO DO CHAPÉU, PRESIDENTE DUTRA, SOUTO SOARES E UIBAÍ. 
Antes de sua independência política em 09.08.1958, pelo Governador Antonio Balbino, Ipupiara teve vários nomes: Em 1842, foi chamada de Campos Belos. Em 1865, era Fundão de Brotas. Em 1906, era conhecida como Fortaleza de São João. Em 1911, passou a Jordão de Brotas. Em 1935, foi denominada Vanique. A partir de 1936, tornou-se definitivamente IPUPIARA.

Mas Ipupiara, nem sempre pertenceu a Brotas de Macaúbas, eis que foi Distrito de Barra do Mendes em 1917, quando, a pedido de Militão, que tinha sido Prefeito (Intendente) de Brotas de 1914 a 1916, o Governador da Bahia, Antonio Muniz Aragão, tornou Barra do Mendes, município independente, pela Lei 1.203, de 21.07.1917.

Esta independência, no entanto, não durou muito tempo, porque Barra do Mendes (e Ipupiara, como seu Distrito) foi reanexada a Brotas, pela Lei 1.388, de 24.05.1920, a pedido de Horácio de Matos.

Vale lembrar que, embora Brotas tenha se tornado independente de Macaúbas, de que era então Distrito, em 1878, permaneceu, no entanto, com o nome de BROTAS DE MACAÚBAS.

Essa Brotas já foi TERMO JUDICIÁRIO da cidade da Barra (margens do São Francisco), em 1882, de Macaúbas(1904), de Xique-Xique (1915) e Paratinga (1948), quando alcançou a sua própria independência, no sentido de Termo Judiciário. 
Mas Ipupiara, pelo menos até agora (2013), jamais se livrou de Brotas de Macaúbas. Explica-se: NUNCA SE TORNOU SEDE DA COMARCA. Ou seja, continua como Termo Judiciário de Brotas, NÃO TENDO PRÉDIO DE FORUM, NEM JUIZ DE DIREITO e NEM PROMOTOR DE JUSTIÇA. Tal é a dependência, que até o AEROPORTO usado hoje (2013), é o de Brotas de Macaúbas, a 30 quilômetros de distância.

Pois bem, é neste contexto de cidade interiorana, que fatos históricos relevantes iriam ocorrer na antiga JORDÃO DE BROTAS.

Os descendentes dos MATOS, através do Alferes JOSÉ PEREIRA DE MATOS, vieram do Tijuco, em Minas Gerais, mas eram Portugueses de origem. Este ALFERES PORTUGUÊS veio para SANTO INÁCIO, na Bahia, por volta de 1842, dedicando-se a garimpar diamantes.

Desta vila baiana, espalharam-se os seus filhos, dentre os quais, Clementino Pereira de Matos (falecido em 1911) e Quintiliano Pereira de Matos, este, pai de Horácio de Matos, estabelecendo-se ambos na região de Brotas de Macaúbas.

Horário de Matos, portanto, nasceu em Brotas de Macaúbas (Fazenda Capim Duro-Chapada Velha), entre Brotas e Barra do Mendes, no dia 18 de março de 1882. Filho de Quintiliano Pereira de Matos e Hermínia Gomes de Queiroz. Permaneceu solteiro até os 39 anos de idade, embora tivesse filhos de outro relacionamento, com uma velha companheira chamada Laura.

Militão Rodrigues Coelho nasceu no Jordão (Umbaúba), atual Ipupiara, no dia 20 de outubro de 1859, de onde saiu para Barra do Mendes, com 18 anos de idade, em 1877, deixando muitos familiares no povoado, todos vinculados às famílias Coelho e Sodré, entre os quais, o Capitão José Joaquim Sodré (Zeca Sodré), cunhado de Militão ou sobrinho, conforme alguns.

Filho de Manoel Rodrigues Coelho e Norberta Olímpia Sodré Coelho. Casou-se, primeiro, com Maria Barreto Coelho, com quem teve os filhos Ornelina, Sofia, Rosa, Adelina e Adelino. Pela segunda vez, com Maria da Glória Sodré Coelho, com quem teve os filhos Nestor, Anízio, Luiz, Alzira, Solina, Ana e Eurico.

Nasceram ambos (Horácio e Militão), em povoados diferentes, dentro do mesmo município de Brotas de Macaúbas, que era extraordinariamente grande e tinha 7.000 km2(sete mil quilômetros quadrados), indo de Morpará (margens do Rio São Francisco) até Barra do Mendes.

Militão era 23 anos mais velho do que Horácio. Quando se enfrentaram, a partir de 1916, Militão estava com 57 anos de idade e Horácio de Matos, na juventude de seus 34 anos apenas.

O Coronel Horácio de Matos estendeu os seus domínios de Brotas de Macaúbas até Lençóis. O Coronel Militão Rodrigues Coelho passou a dominar a região de Ipupiara até Barra do Mendes.

Antes, porém, ainda muito jovem, Horácio de Matos, foi comerciante de Diamante e Carbonato, em Morro do Chapéu, na Bahia, onde recebeu o título de Tenente-Coronel da Guarda Nacional e a intimação de seu tio Clementino Matos (1911), para que retornasse à Chapada Velha (região entre Brotas e Barra do Mendes), com o objetivo de assumir definitivamente a liderança da família Matos.

É neste fogo cruzado entre os dois líderes, ambos desejosos de dominar por completo a Chapada Diamantina, que Ipupiara (Fundão ou Jordão de Brotas) passa a sofrer as investidas constantes dos dois grupos rivais.

Assim é que se dizia: A Chapada Velha (Brotas de Macaúbas e Lençóis) é de HORÁCIO DE MATOS. A Chapada Nova (Barra do Mendes e Jordão) é de MILITÃO RODRIGUES COELHO.

Daí a razão histórica por que as duas populações não se toleravam e jamais se entenderam, não havendo até hoje (2016), uma estrada digna que ligue as duas cidades, embora a distância seja de apenas 80 km.

Entre uma e outra região, ou seja, entre Brotas de Macaúbas e Barra do Mendes, encontra-se IPUPIARA, o velho Fundão ou Jordão, a 30 km de Brotas e 60 km de Barra do Mendes.

Relembre-se que, em outubro de 1914, chegou em Brotas de Macaúbas, o Delegado Regional Dr. Otaviano Saback que, em nome do Governador da Bahia, Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão, nomeou o Coronel Militão Coelho, como Chefe Político e Intendente (Prefeito Municipal) de Brotas de Macaúbas. 

Os Brotenses queriam que o cargo antes ocupado pelo Coronel José João de Oliveira, que havia falecido, fosse ocupado pelo Major Joviniano dos Santos Rosa (Major Vena), Escrivão dos Feitos Cíveis e Criminais ou por João Arcanjo Ribeiro e não por um Coronel, filho do Jordão e procedente de Barra do Mendes.

Enquanto Militão foi a Salvador, seu substituto, Coronel Domingos Pereira mandou prender o Major Vena (1916), iniciando-se a contenda. De um lado, os seguidores do Coronel Militão e do outro, os partidários do Coronel Horácio.

Assim é que, no dia 04 de janeiro de 1916, após se tocaiar no PEGA, povoado existente entre Fundão e Brotas, o Coronel da Guarda Nacional Militão Rodrigues Coelho toma de assalto a cidade de Brotas de Macaúbas, retirando o Cartório dos Feitos Cíveis e Criminais, de seu escrivão efetivo Joviniano dos Santos Rosa que, no entanto, algum tempo depois, é gravemente ferido na CADEIA PÚBLICA DE BROTAS, para onde fora levado preso, após mandar uma Carta Aberta ao Governador do Estado, Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão. Na verdade, embora alguns autores digam que o Major Vena (Joviniano dos Santos Rosa) morreu nesta ocasião, a informação não tem procedência. Ele viveu durante muitos anos, só que com a boca torta e falando com dificuldade, eis que babava muito.

Nesta ocasião, é morto a tiros e crucificado nas estacas de uma cerca de pau-a-pique, Onésimo Lima, filho do farmacêutico Canuto Lima, de Ipupiara (Fundão), com o qual Horácio de Matos fora criado e se considerava irmão.

Satisfeito com a tomada de Brotas de Macaúbas, Militão Rodrigues Coelho que teve o apoio do Governador da Bahia, Dr. Antonio Muniz Aragão e de alguns chefes políticos de Lençóis e de Estiva (hoje Afrânio Peixoto), retorna a Barra do Mendes, via Fundão (Ipupiara), mas é surpreendido pelos jagunços de Horácio de Matos que cercam a cidade, visto que conseguiram chegar primeiro, porque fizeram o caminho reto entre Brotas e Barra do Mendes. 
Após onze grandes combates, por vários meses ininterruptos ou mais precisamente OITO MESES DE LUTA e a destruição dos famosos fortes, entre os quais, FORTE BRANCO, FORTE VERMELHO, FORTE QUEIMADAS e FORTE CATUABA, todos possuidores de comunicação subterrânea, com cerca de quatrocentos mortos, entre os quais, o filho do próprio Militão, o Luiz Rodrigues Coelho, morto em combate no dia 22.04.1919, quando tinha 20 anos de idade.

Militão Rodrigues Coelho sai de Barra do Mendes, em agosto de 1919, observado pelo seu jagunço de confiança Miguel Umbuzeiro. Seu filho Nestor Rodrigues Coelho (nascido em Barra do Mendes, 20.05.1892) foi preso pelos jagunços de Horácio de Matos e devolvido à mãe, com a observação de que não era culpado pelos atos do pai.

Nestor Coelho se tornaria posteriormente também líder político da região, eis que, em 1946, elegeu-se Deputado Estadual, além de ter sido Vereador e Prefeito Municipal de Brotas de Macaúbas, a partir de 1938.

Nesta época, meu pai, ADÃO FRANCISCO MARTINS (Que havia nascido em 21.05.1915, em Ipupiara, e estava com 23 anos de idade), foi seu SECRETÁRIO MUNICIPAL, conforme documentos escritos e publicados, na mão do autor destas notas, entre os quais, o “ORÇAMENTO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BROTAS DE MACAÚBAS, PARA O EXERCÍCIO DE 1939”(DECRETO-LEI 63, de 5.7.1938), impresso na LIVRARIA CATILINA, de Romualdo Santos-Livreiro Editor- Rua Portugal, 20, Salvador, Bahia, onde se lê: Prefeito Municipal - Nestor Rodrigues Coelho. Secretário Municipal – Adão Francisco Martins.

Filho de Gasparino Francisco Martins e Jovina Ribeiro Martins, neto do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, meu pai, Adão Francisco Martins, enquanto trabalhava na roça, aprendeu a ler com os antigos professores, “JOÃO CAPOTE” e “JOÃO PAPAGAIO”. Mas, seu principal professor foi Arthur Ribeiro Sobrinho, pai do primeiro médico de Brasília, Dr. Isaque Ribeiro Barreto.

Em 1934, com 19 anos de idade, na cidade de Brotas de Macaúbas, foi nomeado Tabelião de Notas e Agente de Estatística. Casou-se em Brumado, hoje Ibitunane, em 29.10.1937, com Francolina Ribeiro Martins, tornando-se comerciante de Diamantes, em sociedade com Adelino Alves de Almeida.

1946, foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, logo após a gestão do Prefeito Nestor Rodrigues Coelho, que se estendeu de 1934 a 1945, momento em que o Capitão Nestor Coelho permaneceu como Presidente do Diretório Municipal de Brotas e se elegeu Deputado Estadual, a partir de 1946. Nestor Coelho faleceu em Salvador, Bahia, em 26.12.1953, na condição de Deputado Estadual, tendo sido sepultado no Mausoléu da família, em Barra do Mendes.

Nomeado Adão Francisco Martins, Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia (1946-1947), General Cândido Caldas, permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.

Como Prefeito nomeado de Brotas, meu pai Adão Francisco Martins, construiu entre 1946 e 1947, a ponte de madeira, ainda hoje existente nos povoados de “Mourão” e “Santa Rosa”, debaixo da qual não passa mais hoje (2016) nem um pingo de água, onde outrora fora um pequeno rio.

Mas, para que meu pai tomasse posse como Prefeito Municipal de Brotas, não foi fácil. Aliás, foi ele (João da Cruz Cunha) que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas. É que a população de Brotas, sede do município, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos. 
Em 03.05.1950, Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador. No mesmo ano, vinculou-se à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.

Em abril de 1957, retornou à sua terra natal, Ipupiara, como comerciante de tecidos e como Pregador Evangélico, vinculado ao Protestantismo Batista. Contribuiu, escrevendo discursos e redigindo documentos, com a emancipação política de Ipupiara que se tornou município independente de Brotas, em 09.08.1958, ao lado do Chefe Político da região, Coronel Arthur Ribeiro.

Colecionou e leu obras famosas, entre as quais, a “HISTÓRIA UNIVERSAL”, de César Cantu, com mais de 30 volumes, hoje em poder deste autor. 
Após ter fundado a Igreja Batista de Ipupiara, FALECEU REPENTINAMENTE, com parada cardíaca, no dia 07.01.1970, com 55 anos, depois de ter feito um Sermão Evangélico, na Praça Principal da cidade, deixando 5 filhos homens e 3 mulheres.

De acordo com o livro de orçamento, em 1938, o Município de Brotas de Macaúbas, era formado dos seguintes DISTRITOS: Jordão de Brotas (Ipupiara), Gameleira (Ibipetum), Ouricuri, Aracy, Pé do Morro, Mata de Dentro, Brejo do Buriti, Barra do Mendes, São Francisco (Saudável), Paranamirim, Mucambo, Sitio do Coqueiro e Morpará.

Ao longo dos anos, tornaram-se Municípios Independentes de Brotas de Macaúbas, IPUPIARA, BARRA DO MENDES E MORPARÁ.

RETORNANDO AOS DOIS CORONÉIS E CHEFES POLÍTICOS, Militão Rodrigues Coelho e Horácio de Matos. 
Quanto a Militão, saiu de Barra do Mendes, em agosto de 1919, vestido de mulher grávida, conforme a tradição oral na região (versão totalmente contestada pelo povo de Barra do Mendes, através de seu historiador maior Edízio Mendonça, mas divulgada nas regiões de Brotas e Lençóis, não se podendo desprezar do ponto de vista histórico, a versão oral), acompanhado do jagunço Umbuzeiro, passando por Gentio do Ouro, Gameleira do Assuruá, Santo Inácio, Xique-Xique e Pilão Arcado, nas margens do Rio São Francisco, refugiando-se na Fazenda do Coronel Franklin Lins de Albuquerque, em Pilão Arcado, também na Bahia, de onde ainda tentou reforço, junto ao Governador do Estado, para retornar a Barra do Mendes, mas sem sucesso.

Conforme seus descendentes, teria passado pelas serras de Uibaí, Central, Tiririca, Xique-Xique e Pilão Arcado. 
O governo do Estado da Bahia, através de seu Governador Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão ainda mandou duas expedições em socorro do Coronel Militão Rodrigues Coelho. Uma, comandada pelo Tenente Cláudio. A outra, comandada pelo Tenente Gomes, conhecido como PISA MACIO. Já era tarde demais.

O FORTE VERMELHO que era o reduto mais perigoso da praça de guerra de Barra do Mendes, já tinha sido totalmente destruído pelos jagunços de Horácio de Matos que sobre o forte lançaram violento ataque, de dinamite e granada.

Quando da reunião da Comissão Estadual de Trégua, presidida pelo parente do Coronel Duda Medrado, de Mucugê, o político José Joaquim Landulfo da Rocha Medrado, a pedido do Governador Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão, o Coronel Horácio de Matos exigiu que Militão fosse afastado da política local e que a SEDE do município de Barra do Mendes fosse transferida para o Jordão. 
Assim, o Fundão, Jordão ou Ipupiara foi Sede do Município de Barra do Mendes, de agosto de 1919 até o dia 24.05.1920, quando o Governador José Joaquim Seabra decretou a extinção do Município de Barra do Mendes, incorporando o seu território ao Município de Brotas de Macaúbas, conforme o combinado no CONVÊNIO DE LENÇÓIS, acordo assinado entre o General Alberto Cardoso de Aguiar, Comandante da 5ª Região Militar e o Coronel Horácio de Matos, quando da chamada REVOLUÇÃO SERTANEJA.

Na Fazenda do Coronel Albuquerque, onde passou 3 meses (Setembro, Outubro e Novembro), faleceu Militão Rodrigues Coelho, de desgosto, sem comer e sem conversar, recluso num quarto, apenas fumando e tomando Café, no dia 8.12.1919, com 60 anos de idade (Horácio de Matos, tinha 37 anos), dia da Padroeira de Barra do Mendes, Nossa Senhora da Conceição, sendo sepultado no cemitério local, hoje coberto pelas águas barrentas da barragem de Sobradinho.

Apesar da importância dos dois, Horácio Queiroz de Matos e Militão Rodrigues Coelho não são BIOGRAFADOS no livro BAIANOS ILUSTRES, de Antonio Loureiro de Souza (editado em 1979) ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e nem, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br

Assim, Barra do Mendes só voltaria a ser SEDE DE MUNICIPIO, em 14.08.1958, pela Lei 1.034, sancionada pelo então Governador Antonio Balbino de Carvalho Filho.

Vitorioso, Horário de Matos tornou-se o líder mais forte da CHAPADA DIAMANTINA, estabelecendo o seu QUARTEL GENERAL num casarão, ainda hoje existente, ponto turístico de real interesse, na cidade de LENÇÓIS, interior da Bahia.

De lá, reuniu tropas para invadir Salvador, a Capital Baiana, em 1920, só não o fazendo, em virtude de acordo feito com o Governo Federal.

Embora tivesse duas filhas com uma velha companheira chamada Laura, Horácio de Matos, com 39 anos de idade, resolveu casar-se “de papel passado” com AUGUSTA, que se tornaria AUGUSTA MEDRADO MATOS, filha do riquíssimo Coronel Douca Medrado (Antonio Landulfo da Rocha Medrado), na cidade de Mucujê, região da Chapada Diamantina, em 1922.

Em 1926, sob a orientação do General Mariante (Álvaro Guilherme Mariante), REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO DA GUERRA, o Coronel Horácio de Matos, com 560 homens armados lança-se contra a COLUNA PRESTES, Comandando o Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas, ao lado de outros Comandantes, entre os quais, o Coronel Abílio Wolney, do Norte de Goiás (Dianópolis), que estava se deslocando, com 300 soldados de Cabrobó, em Pernambuco, para Leopoldina, em Minas Gerais, além de Franklin de Albuquerque, de Pilão Arcado. 
Consoante Jorge Amado, no livro CAVALEIRO DA ESPERANÇA, “Horácio de Matos, Franklin de Albuquerque e Abílio Wolney com os seus homens”, os três formaram o trio invencível aplaudido pelo Governo de ARTUR BERNANDES, no combate ao giro fantástico da COLUNA.

Todos estes homens, no entanto, após perseguirem duramente os passos dos guerreiros de Prestes (chamados pelo povo de “OS REVOLTOSOS”, pelos sertões do Brasil, especialmente Alagoas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia e Minas Gerais, o que ocorreu até outubro de 1926, quando a COLUNA penetrou no Mato Grosso e alcançou a BOLIVIA, retornaram às suas cidades de origem.

Quanto a Horácio de Matos, no dia 15 de maio de 1931, no Largo do Acioli, em Salvador, ao passar, descuidado e terno com a filha mais velha Horacina (do casamento com Augusta), de seis anos de idade, pela mão, recebe covardemente pelas costas, três tiros de revólver, disparados por Vicente Dias dos Santos, que fora contratado por Manuel Dias Machado (também conhecido como José Machado), tio da viúva do Major João da Mota Coelho que morrera em combate às portas da cidade de Lençóis, em 1925, sendo que Horácio de Matos fora responsabilizado por esta morte.

O criminoso Vicente Dias dos Santos foi condenado pelo Júri, em Salvador, no primeiro julgamento, a 21 anos de prisão, mas no segundo julgamento, dois anos depois, foi ABSOLVIDO. Algum tempo depois, intoxicado por arsênico, na água que bebia, foi internado no Hospital Militar, onde morreu.

Ao morrer, em 1931, com 49 anos de idade, Horácio deixou, além da viúva Augusta Medrado Matos, também cinco filhos menores: Horacina, a mais velha, com seis anos. Horácio de Matos Júnior, Tácio Matos, Juth Matos e Judith Matos.

Um dos filhos de Horácio de Matos, o Horácio de Matos Júnior (Lençóis,1927), depois de ter sido Deputado Estadual e Federal, aposentou-se em 1999, como Conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia. Um dos netos de Horácio de Matos, o Horácio de Matos Neto, tornou-se Deputado Estadual na Bahia, a partir de 1986, representando exatamente a Região da Chapada Diamantina.

Assim, à história de Ipupiara, antigo Fundão ou Jordão, a partir de 1915 e em anos diferentes, estão vinculados vários nomes ao CORONELISMO: Capitão José Joaquim Sodré, cunhado de Militão ou sobrinho, conforme alguns; Capitão Gasparino Barreto, Delegado de Polícia; Antonio Lucas da Costa, Sargento da Polícia Militar; Major Avelino Barreto, Coletor Estadual; Bertoldo Saldanha, Escrivão de Polícia; Capitão Marcolino Martins, Subdelegado do Distrito de Gameleira; Tenente Tibúrcio Durães, Suplente de Delegado de Polícia; Capitão Ezequiel de Matos, irmão de Horácio de Matos; Benevenuto Barreto, Subdelegado de Polícia.

Ao longo do tempo, outros nomes apareceram e se firmaram, tornando-se, inclusive, mais conhecidos no antigo Jordão: É o caso do Tenente-Coronel Artur Ribeiro dos Santos que fora nomeado pelo Presidente Afonso Pena, em 21 de março de 1907, quando tinha 19 anos de idade, para o Posto de Tenente, no Batalhão da Guarda Nacional, na cidade de Brotas.

Seu irmão mais velho, Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, tornou-se COMANDANTE do 298º BATALHÃO DE INFANTARIA DA GUARDA NACIONAL, sediado na Chapada Velha (região de Brotas). 
Ambos os irmãos e mais ainda as figuras destacadas de Alvino Francisco Martins, Jovito Francisco Martins, Gasparino Francisco Martins e Adão Francisco Martins todos estavam politicamente vinculados ao Coronel Militão Rodrigues Coelho e ao seu filho Nestor Coelho.

Passadas as lutas regionais, os dois irmãos Coronéis, estabelecidos na cidade de Ipupiara, na Bahia, terminaram por constituir numerosa família, de que o autor desta nota é descendente, sendo BISNETO do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos.

Convertidos ao Protestantismo Batista, os dois se tornaram excelentes pregadores sacros. Isidório Ribeiro morreu cedo. Mas seu irmão Artur Ribeiro, após exercer muitos cargos políticos, entre os quais, de Vereador e Prefeito, faleceu em Ipupiara, no dia 22 de setembro de 1979, com quase 92 anos de idade, sendo sepultado no jardim do Templo da Igreja Batista, onde até hoje é venerado. 


*Mário Ribeiro Martins

era escritor e Procurador de

Justiça do Estado de Goiás. 

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